A trajetória de uma das figuras mais emblemáticas do empreendedorismo no interior gaúcho chegou ao fim na manhã desta terça-feira, dia 23. Internada no Hospital Bruno Born, instituição médica de alta complexidade sediada no município de Lajeado, a matriarca e cofundadora do Grupo Diersmann faleceu aos 92 anos de idade. Natural da pequena localidade de Arroio da Seca, ela construiu sua base de vida pessoal e sua extensa carreira profissional na cidade vizinha de Estrela. O falecimento encerra um ciclo de mais de cinco décadas de atuação direta no desenvolvimento econômico e na prestação de serviços essenciais para a comunidade regional.
O impacto de sua partida reverbera entre lideranças empresariais e moradores antigos da região, que acompanharam de perto a evolução de um pequeno negócio familiar até se tornar uma corporação de referência. A história da fundadora confunde-se com o próprio crescimento urbano e comercial do Vale do Taquari, uma área do estado do Rio Grande do Sul historicamente marcada pela forte cultura de trabalho e pela imigração europeia. A dedicação integral ao trabalho, característica marcante de sua geração, foi o pilar que sustentou a criação de uma marca que hoje faz parte do cotidiano de milhares de famílias gaúchas.
Origens do negócio e a força do trabalho feminino na década de sessenta
O surgimento da organização que atualmente atende diversas cidades do estado teve um início modesto, fundamentado no esforço braçal e na visão de futuro. Durante o ano de 1968, a empresária e seu companheiro de vida, Werno Diersmann, abriram as portas da primeira unidade da funerária no tradicional bairro Alto da Bronze, no município de Estrela. Naquela época, o mercado de assistência ao luto exigia uma dedicação quase artesanal dos proprietários, com recursos tecnológicos escassos e uma dependência gigantesca do trabalho manual diário.
Longe de atuar apenas na retaguarda financeira ou administrativa, a fundadora quebrava os paradigmas de gênero da época ao colocar a mão na massa diariamente. Ela assumia a responsabilidade direta pela confecção manual das coroas de flores que seriam entregues às famílias enlutadas, demonstrando um cuidado minucioso com os detalhes. Esse perfil multifacetado, unindo a sensibilidade do atendimento ao público com a rigidez necessária para administrar as contas, ajudou a consolidar a confiança na marca logo em seus primeiros anos de operação comercial.
Superação de perdas pessoais e a transição para a segunda geração administrativa
Exatamente duas décadas após a inauguração da companhia, um revés familiar profundo testou a resiliência da estrutura empresarial construída pelo casal. Com a morte de Werno no ano de 1988, a responsabilidade de guiar os rumos do negócio recaiu integralmente sobre os ombros da viúva. O cenário econômico brasileiro no final dos anos oitenta era de extrema instabilidade, com inflação galopante e mudanças constantes de moeda, o que tornava a sobrevivência de qualquer empresa um desafio diário.
Em vez de recuar, vender a operação ou diminuir o ritmo, ela optou por intensificar sua rotina de trabalho e preparar o terreno para a sucessão familiar. Ao lado do herdeiro Régis Luiz Diersmann, a gestora iniciou um processo de modernização das rotinas internas, garantindo que os valores originais de acolhimento e respeito fossem mantidos intactos. A parceria administrativa entre mãe e filho provou ser o alicerce necessário para que a estrutura original ganhasse corpo, expandisse sua área de atuação e se transformasse em um grupo corporativo sólido e respeitado no mercado sul-rio-grandense.
Impacto econômico das empresas familiares na região do Vale do Taquari
Histórias de companhias que atravessam gerações representam o verdadeiro motor da economia em grande parte do interior do Rio Grande do Sul. Dados históricos sobre o desenvolvimento do Vale do Taquari apontam que negócios de origem familiar compõem a esmagadora maioria das empresas ativas, sendo responsáveis pela geração de milhares de empregos diretos e indiretos. A trajetória da família Diersmann ilustra perfeitamente esse fenômeno sociológico e econômico, onde o crescimento do capital privado caminha lado a lado com o suporte à comunidade.
Ao reinvestir os lucros na própria infraestrutura local e expandir os serviços oferecidos aos moradores, essas organizações criam um ecossistema de desenvolvimento regional que dificilmente seria alcançado por conglomerados externos. O setor de assistência familiar, especificamente, exige um grau de confiança e proximidade que apenas empresas com raízes profundas na comunidade conseguem estabelecer ao longo de décadas de convivência diária com os cidadãos.
A evolução do setor de luto e a diversificação dos serviços prestados
O trabalho iniciado de forma analógica no final dos anos sessenta pavimentou o caminho para uma operação complexa e altamente diversificada nos dias de hoje. Atualmente, corporações do segmento que seguem o modelo de expansão estabelecido pela matriarca costumam oferecer uma ampla gama de facilidades para a população. O legado deixado pela empreendedora pode ser observado na estruturação de serviços que vão muito além do atendimento emergencial de outrora. Entre as principais frentes de atuação que caracterizam a evolução desse mercado, destacam-se:
- Planos de assistência familiar preventiva, que garantem cobertura antecipada e evitam desgastes financeiros repentinos para os parentes.
- Estruturas arquitetônicas modernas de velório, projetadas especificamente para oferecer conforto, climatização e privacidade durante o período de despedida.
- Serviços de acolhimento psicológico especializado, reconhecendo a importância do suporte emocional profissional para a superação do luto.
- Parcerias estratégicas com crematórios e cemitérios parque, alinhando as opções de sepultamento às novas preferências ambientais da sociedade contemporânea.
- Frota de veículos adaptados e renovados constantemente para garantir o translado seguro e respeitoso em viagens intermunicipais e interestaduais.
Essa profissionalização contínua do setor é um reflexo direto da visão de longo prazo adotada por fundadores que entenderam, ainda no século passado, a necessidade absoluta de evoluir junto com as demandas e as exigências da sociedade moderna.
Detalhes sobre as cerimônias de despedida e a linhagem familiar preservada
A árvore genealógica construída ao longo de quase um século de vida reflete a mesma solidez encontrada na trajetória corporativa da empresária gaúcha. A matriarca despede-se deixando uma família numerosa, composta por quatro filhos, sete netos e cinco bisnetas, que agora carregam a responsabilidade histórica de honrar sua memória e dar continuidade aos seus ensinamentos. A presença constante da família nos negócios garante que a filosofia de atendimento humanizado permaneça como a diretriz principal da empresa.
As últimas homenagens foram organizadas para ocorrer no mesmo bairro onde a história empresarial começou a ser escrita há mais de cinquenta anos. O corpo será velado na capela D, estrutura localizada no bairro Alto da Bronze, no município de Estrela, permitindo que amigos, funcionários e clientes prestem suas condolências. Após o encerramento das cerimônias presenciais na cidade, o cortejo seguirá viagem rumo ao município de Santa Cruz do Sul. O destino final será o Memorial e Crematório Jardim da Montanha, local escolhido para a realização do processo de cremação.

