Ordem judicial remove Pedrinho da gestão da SAF do Vasco e nomeia nova interventora para o clube

Pedrinho, presidente do Vasco

Pedrinho, presidente do Vasco - Foto: Dikran Sahagian/Vasco

A justiça carioca decidiu pelo afastamento de Pedrinho e outros dois membros do quadro societário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco da Gama. A determinação, emitida pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, acolheu um pedido da 777 Carioca e baseou-se em constatações levantadas pelo Conselho Fiscal da própria SAF.

Com essa medida, o presidente do clube perde sua influência direta sobre a SAF vascaína. Além de Pedrinho, os conselheiros Christiano Stockler Campos e Felipe Elias também foram desligados do Conselho de Administração. A advogada Samantha Longo, ex-diretora jurídica da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), assume a função de interventora na gestão da SAF.

O documento judicial estabelece que Samantha Longo atuará como gestora, encarregada de implementar, no prazo de 60 dias, as ações necessárias para restabelecer a regularidade nos processos de governança, a transparência, a prestação de contas e a circulação de informações entre os órgãos sociais da companhia. Relatórios quinzenais deverão ser apresentados ao juízo para supervisão.

A decisão judicial, que gerou repercussão imediata, foi inicialmente divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e subsequentemente confirmada por diversas fontes do setor esportivo. O caso sublinha a crescente fiscalização sobre a gestão de SAFs no futebol brasileiro, um modelo que ainda busca plena estabilidade em seus primeiros anos de implementação, enfrentando desafios como os relatados pelo Vasco.

Análise judicial aponta graves falhas na governança do Vasco

A magistrada Caroline Fonseca destacou em sua fundamentação que o parecer do Conselho Fiscal da SAF, divulgado no último balanço, revelou “falhas graves” na governança corporativa. Foram identificadas deficiências nos controles internos e limitações na capacidade de fiscalização, com o episódio envolvendo denúncias do atleta Jean David sendo explicitamente abordado na decisão.

O parecer, emitido em 30 de abril de 2026, sobre as demonstrações financeiras de 2025, mencionou a ausência de aprovação formal de atos societários relevantes. A juíza, ao tomar conhecimento de práticas coercitivas na contratação de atletas, citou denúncias de Jean David, datadas de 30 de janeiro de 2026, sobre exigência de comissões a terceiros sob ameaça de exclusão.

Jean David, atacante chileno que deixou o Vasco no final de 2025, alegou publicamente que sua passagem insatisfatória pelo futebol brasileiro foi motivada por ameaças. Segundo o jogador, havia uma cobrança para que ele pagasse comissões referentes à sua própria transferência do Toluca para o clube carioca, realizada em agosto de 2024. O Vasco negou as irregularidades e informou ter iniciado uma investigação interna sobre o caso.

“Aconteceram algumas coisas e percebi que pessoas dos dois clubes (Toluca e Vasco) estavam envolvidas”, relatou Jean David. Ele acrescentou que outros atletas do Vasco teriam enfrentado situação semelhante, sendo “ameaçados de que, se não pagassem a comissão, não jogariam”, o que, em sua visão, poderia explicar o histórico de lutas contra o rebaixamento do clube.

Detalhando a situação, o atleta explicou que, ao ser contratado pelo Vasco, foi instruído a não se envolver nas negociações devido a questões de comissão. “Dois meses depois de chegar ao Rio de Janeiro, essa pessoa que me levou até lá entrou em contato comigo e disse: ‘Ei, sabe de uma coisa? Agora você tem que pagar uma comissão'”, descreveu Jean David, expressando surpresa e questionamento sobre a natureza da cobrança.

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