Justiça da França rejeita apelação e lateral Achraf Hakimi sentará no banco dos réus por crime sexual

Hakimi e Saibari - X.com/ Hakimi

Hakimi e Saibari - X.com/ Hakimi

O atleta marroquino Achraf Hakimi, que atua na defesa do Paris Saint-Germain, vai sentar no banco dos réus em território francês. A determinação ocorreu nesta sexta-feira, logo após a Corte de Apelação de Versalhes negar o pedido de anulação apresentado pela defesa do esportista. Ele responde criminalmente pela suspeita de ter violentado sexualmente uma jovem de 24 anos no início de 2023, o que agora obriga o avanço do trâmite legal para a fase de audiências decisivas.

Os desembargadores responsáveis pela análise do recurso entenderam que o inquérito reúne elementos robustos o suficiente para manter a persecução penal. Mesmo com a insistência do lateral-direito em negar qualquer irregularidade e pedir o encerramento imediato das investigações, o colegiado de magistrados decidiu que os fatos precisam ser debatidos em plenário.

Com a derrota na fase recursal, o jogador do clube parisiense terá seu futuro decidido pelo Tribunal Criminal Departamental. Na França, essa esfera judicial específica foi criada recentemente para julgar crimes graves com penas de até vinte anos, substituindo o júri popular por um painel de juízes profissionais que farão o escrutínio detalhado de laudos e depoimentos antes de proferir a sentença.

A representante legal da suposta vítima, Rachel-Flore Pardo, comemorou o parecer desfavorável ao atleta. A advogada destacou que sua cliente sofreu ataques à própria reputação durante os últimos três anos de embates nos tribunais, ressaltando que o avanço para o julgamento final entrega uma sensação de amparo e perspectiva de justiça para a mulher.

Pronunciamento do atleta levanta suspeitas sobre o peso da fama no processo criminal

Poucas horas após a publicação da sentença que negou seu recurso, o lateral-direito recorreu aos seus perfis na internet para dar sua versão dos fatos. O esportista nascido no Marrocos argumentou que a denúncia formalizada contra ele está diretamente ligada ao seu status de celebridade mundial.

Em sua declaração virtual, o defensor afirmou que o próprio sistema judiciário teria admitido que o processo não existiria caso ele fosse um cidadão anônimo. O atleta também justificou seu distanciamento prolongado dos microfones como uma estratégia baseada na convicção de que a paciência e o respeito aos trâmites legais provariam sua retidão.

O profissional do Paris Saint-Germain pontuou ainda que existe uma campanha de desinformação circulando livremente, o que tem gerado danos irreversíveis aos seus familiares e à sua rotina fora dos gramados. Em tom de desabafo, ele classificou a si mesmo como uma presa vulnerável dentro de um cenário construído para distorcer a realidade.

Mantendo a postura de quem não cometeu nenhum delito, o jogador enfatizou que agora deseja que as audiências comecem o mais rápido possível.

O marroquino escreveu que aguarda por esse momento desde que as primeiras manchetes surgiram, confessando certa ansiedade para finalmente ter o direito de falar abertamente perante os juízes responsáveis pelo caso.

Nos bastidores, a equipe de advogados contratada pelo esportista não escondeu a frustração com a recusa do tribunal em avaliar supostas inconsistências no relato da denunciante. Os defensores argumentam que existem avaliações psiquiátricas anexadas aos autos que demonstram um comportamento contraditório da jovem, além de lacunas na linha do tempo apresentada por ela.

Fanny Colin, que lidera a defesa técnica do lateral, declarou publicamente que o volume de provas favoráveis colhidas durante a fase de inquérito policial seria mais do que suficiente para arquivar qualquer denúncia semelhante envolvendo pessoas comuns.

Cronologia do caso detalha o encontro que gerou a investigação policial na Europa

O estopim de toda a batalha judicial ocorreu no segundo mês de 2023, momento em que a suposta vítima procurou uma delegacia na região de Val-de-Marne, área metropolitana de Paris. Naquela ocasião, ela narrou ter sofrido abuso sexual, mas preferiu não registrar um boletim de ocorrência formal contra o jogador.

De acordo com o depoimento prestado, a aproximação entre os dois aconteceu por meio de mensagens no Instagram, culminando em uma visita da jovem à mansão do atleta. A mulher relatou aos investigadores que o defensor forçou contatos íntimos sem permissão e consumou o ato violento logo em seguida, situação da qual ela só conseguiu se desvencilhar após fugir e pedir socorro a uma conhecida.

Diante da gravidade do relato e da figura pública envolvida, os agentes de segurança transferiram o dossiê para o Ministério Público de Nanterre, que assumiu a condução das diligências. Esse movimento resultou no indiciamento oficial do lateral-direito em março daquele mesmo ano.

No início deste ano, quando a Justiça francesa acatou formalmente o pedido de abertura do processo, o camisa 2 do clube parisiense já havia utilizado a internet para rebater as acusações.

Naquela época, o esportista publicou um texto afirmando que o sistema atual permite que uma mera alegação sem provas arraste alguém para os tribunais, prejudicando tanto pessoas falsamente acusadas quanto mulheres que realmente sofreram abusos. Ele encerrou a mensagem garantindo estar tranquilo e confiante de que a transparência do julgamento limparia seu nome.

Paralelamente aos problemas judiciais, o lateral segue defendendo a seleção do Marrocos no torneio mundial que está sendo disputado nos Estados Unidos. O atleta esteve em campo no empate por 1 a 1 contra a equipe do Brasil na rodada de abertura e tem presença confirmada para o duelo desta sexta-feira contra a Escócia, marcado para as 19h (pelo fuso de Brasília), na cidade de Boston.

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