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Planejamento financeiro para assistir à Copa do Mundo de 2030 na Espanha, Portugal e Marrocos

Troféu Copa do Mundo
Troféu Copa do Mundo - fifg / Shutterstock.com

Após a conclusão do Mundial de 2026, muitos brasileiros já começam a calcular as possibilidades de acompanhar a próxima edição da Copa do Mundo, em 2030. Transformar o sonho de viajar para torcer de perto em realidade exige um planejamento financeiro cuidadoso, que deve ser iniciado agora para garantir a viabilidade do projeto.

Apesar de parecer distante, a verdade é que participar da próxima Copa é um objetivo alcançável, mas que demanda disciplina e uma estratégia de investimentos bem definida, segundo especialistas em finanças.

O torneio de 2030 será realizado entre 13 de junho e 21 de julho. A maior parte dos jogos, 101 de 104 partidas, acontecerá na Espanha, Portugal e Marrocos. Outros três confrontos comemorativos do centenário do Mundial serão sediados no Uruguai, Argentina e Paraguai.

Dessa forma, a Península Ibérica e o Norte da África se configuram como os destinos principais para os fãs que desejam vivenciar a competição.

Restam aproximadamente 47 meses até o início da Copa. Este período é o elemento mais significativo para a equação financeira, e seu valor só diminui com o passar do tempo, reforçando a urgência de começar a poupar.

Conheça os custos reais de uma viagem para o Mundial de 2030

Espanha
Espanha – Armando Oliveira/ Istockphoto.com

Para um viajante individual, considerando uma estadia de 12 a 15 dias, estima-se que os valores atuais podem variar significativamente dependendo do nível de conforto desejado:

  • Opção econômica (R$ 22 mil): Inclui voo com conexão em classe econômica, acomodação em hostel ou apartamento compartilhado, alimentação básica e transporte via trem regional. Permite assistir a um ou dois jogos da fase de grupos.
  • Opção intermediária (R$ 38 mil): Contempla voo direto, hospedagem em hotel três estrelas, refeições em restaurantes comuns e ingressos para dois ou três jogos, incluindo uma partida das oitavas de final.
  • Opção confortável (R$ 65 mil): Oferece voo com maior comodidade, hotel quatro estrelas, mobilidade livre entre as cidades e entradas para jogos da fase eliminatória.

É comum que alguns gastos essenciais sejam subestimados ao planejar uma viagem como essa.

Os ingressos, por exemplo, são um fator importante. Embora os preços oficiais da FIFA para 2030 ainda não tenham sido divulgados, a experiência de edições anteriores, como 2022 e 2026, indica um custo entre US$ 100 e US$ 800 por jogo na venda oficial. Para o público brasileiro, a faixa de US$ 150 a US$ 300 para jogos da fase de grupos é a mais provável.

Outros dois pontos cruciais são a hospedagem em cidades-sede durante as partidas, que historicamente tem seus preços duplicados ou triplicados em relação às diárias normais, e a constante variação cambial.

A importância de considerar a variação cambial

A maior parte das despesas da viagem será em euros, enquanto o rendimento do viajante é em reais. Isso significa que o objetivo financeiro não é apenas acumular reais, mas sim garantir poder de compra em uma moeda forte.

Se o euro, atualmente em torno de R$ 6,10, subir para R$ 7,50 até 2030, uma viagem orçada em R$ 38 mil pode custar R$ 45 mil, mesmo sem qualquer mudança nos preços na Espanha. Planejar uma meta em moeda estrangeira e poupar exclusivamente em reais expõe o viajante a um risco que pode ser evitado.

Valores mensais necessários para o investimento

Considerando um horizonte de 47 meses e uma carteira de investimentos conservadora que ofereça um retorno de cerca de 6% ao ano acima da inflação, um cenário plausível com as taxas de juros atuais, os aportes mensais seriam:

  • Cenário econômico (meta de R$ 22 mil): R$ 418 mensais.
  • Cenário intermediário (meta de R$ 38 mil): R$ 722 mensais.
  • Cenário confortável (meta de R$ 65 mil): R$ 1.234 mensais.

Caso o dinheiro seja apenas guardado na conta, sem rendimento, o esforço mensal aumenta para R$ 468, R$ 809 e R$ 1.383, respectivamente. A diferença entre poupar e investir, ao longo desse prazo, representa aproximadamente 11% do esforço total, um valor real que faz a diferença no orçamento.

Opções seguras para aplicar os recursos

Um objetivo com data fixa e sem flexibilidade, como assistir à Copa do Mundo, não permite o risco do mercado de ações. Uma queda de 25% na bolsa em maio de 2030 inviabilizaria a viagem. Por isso, a renda variável é descartada nessa estratégia.

Também não são indicados instrumentos que exigem manutenção até o vencimento para um bom desempenho.

Títulos indexados à inflação com prazo determinado, embora bons produtos, podem prender o investidor a uma data que não coincide com o momento ideal de compra de passagens, ingressos e hospedagem, que depende de sorteios de grupos e oportunidades de mercado.

O essencial é ter o dinheiro acessível no momento em que a janela de compra se abrir, e não apenas na data de vencimento do título.

Portanto, a estrutura de investimento ideal para este objetivo é pós-fixada e de alta liquidez.

O papel dos investimentos pós-fixados na carteira

O Tesouro Selic é uma excelente base para a estratégia. Ele acompanha a taxa básica de juros, oferece liquidez diária garantida pelo Tesouro Nacional e possui volatilidade quase nula no curto prazo. Com a Selic em 14,25% ao ano, seu rendimento nominal atual supera significativamente a inflação, que está em 4,64%.

Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de liquidez diária que pagam entre 100% e 105% do CDI em instituições financeiras sólidas, dentro do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), cumprem a mesma função, por vezes com um rendimento superior. Fundos DI com taxa de administração de até 0,20% ao ano também são uma alternativa aceitável; acima disso, o custo pode comprometer o ganho.

Um ponto a ser observado é que, embora os pós-fixados protejam contra a volatilidade, eles não fixam a taxa de juros. Projeções de mercado indicam uma Selic em queda para 13,50% em 2026 e 11,50% em 2027. Se esse cenário se concretizar, o rendimento da carteira acompanhará essa redução, o que é o custo da liquidez e, para este objetivo específico, justifica-se.

Como buscar proteção contra a variação cambial com ETFs

A proteção cambial pode ser obtida por meio de ETFs de títulos do Tesouro americano negociados na B3. Esses fundos, que replicam Treasuries de curto prazo, proporcionam dupla vantagem: exposição à variação do dólar frente ao real e o rendimento dos títulos americanos, que atualmente está em um patamar relevante.

Se o real se desvalorizar até 2030, essa parte da carteira valoriza, compensando o aumento do custo da viagem em euro. Se o real se valorizar, o custo da viagem diminui e uma eventual perda nesta parcela é absorvida.

É preferível investir em ETFs com vencimento curto, entre um e três anos. Títulos americanos de longo prazo apresentam oscilações de preço mais significativas, o que não é desejável para um objetivo com data marcada. A negociação em bolsa e a liquidez diária mantêm a coerência da estratégia.

É importante ressaltar que essa proteção é contra o dólar, e não diretamente contra o euro. Embora não seja perfeita, as duas moedas tendem a se correlacionar razoavelmente com o real. Além disso, instrumentos em euro acessíveis a investidores pessoas físicas brasileiros são escassos e caros. Na prática, o dólar resolve a maior parte do problema.

A estratégia de ajuste da carteira nos meses finais

A partir de janeiro de 2030, a sugestão é reduzir gradualmente a parcela internacional e concentrar todo o capital em Tesouro Selic ou CDBs de liquidez diária. Nesse estágio, o foco deixa de ser a rentabilidade e passa a ser a garantia de que o dinheiro estará disponível e sem oscilações no dia em que as passagens forem compradas.

Em relação à tributação, os ETFs de renda fixa negociados na B3 possuem alíquotas que variam conforme o prazo médio da carteira do fundo e não seguem a tabela regressiva tradicional. É fundamental verificar a alíquota específica do ETF antes de investir.

Já o Tesouro Selic e os CDBs seguem a tabela regressiva normal. Como o prazo é superior a 720 dias, quem mantiver a posição sem resgates até 2030 alcançará a alíquota mínima de 15%.

Próximos passos para começar o planejamento

Para iniciar, é fundamental definir o cenário desejado para a viagem (econômico, intermediário ou confortável). Em seguida, divida o valor total pelo número de meses restantes para a Copa. Automatize o aporte financeiro para o dia seguinte ao recebimento do salário. Criar uma conta ou subconta específica, separada das demais, e nomeá-la como “Copa 2030” aumenta significativamente as chances de sucesso, pois um objetivo nomeado tem maior taxa de conclusão do que um genérico.

Adicionalmente, recomenda-se comprar os euros de forma gradual, ao longo de 2029 e do primeiro semestre de 2030, em vez de adquirir tudo de uma vez. A estratégia do preço médio no câmbio funciona de maneira similar ao mercado de ações, diluindo os riscos.

A meta não é impossível de ser alcançada. Um aporte de R$ 722 por mês, por exemplo, é um valor menor do que muitas pessoas gastam com delivery. A diferença entre quem consegue ir e quem assiste pela televisão raramente está na renda, mas sim na capacidade de planejamento.

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