O técnico Leonardo Jardim defendeu o processo de evolução do Flamengo após a vitória tranquila de 2 a 0 sobre o Vitória, ocorrida em 9 de agosto de 2026, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. Durante a coletiva de imprensa, o treinador português rebateu as contestações e mencionou o esforço dedicado ao trabalho durante a paralisação da Copa do Mundo e no recente intervalo de dez dias entre as rodadas do torneio nacional.
Jardim explicou as dificuldades enfrentadas ao longo da temporada, dizendo: “Não é fácil trabalhar num clube que durante dois meses não está com seu elenco. Alguns lesionados, outros de férias ou com a seleção. Nestes 10 dias trabalhamos mais juntos do que nos últimos 2 meses.” Ele destacou a falta de compreensão de alguns setores. “Os torcedores não querem saber disso, mas o que me preocupa, às vezes, não são os torcedores, porque eles não percebem a questão esportiva. O que me preocupa são aqueles que percebem a questão desportiva e acham que é tudo igual, que se treinarem, está tudo certo, e que se não treinarem, está tudo igual.”
O treinador continuou a abordar a realidade do preparo físico dos jogadores: “Quem tem noção do treino desportivo percebe que tivemos dois meses sem ter todos a treinar juntos. Mas, ao mesmo tempo, eu tinha que colocar os jogadores. Ninguém só com treinos vai ganhar forma.” Ele citou exemplos de atletas que recuperaram o ritmo em campo: “Hoje, o Arrascaeta conseguiu fazer 60 minutos muito bons, com intensidade, porque tive que começar numa fase menos bem e, agora, numa melhor. Agora, o Léo (Pereira) está melhor porque foi lançado anteriormente. Todos que vieram da Copa e estiveram lesionados vão ter um percurso, mas têm que jogar. Hoje tive oportunidade de ter o Paquetá um pouco. O Paquetá não está no seu melhor ainda, esteve lesionado, mas tem que ser lançado.”
Em suas declarações, Jardim fez uma comparação com a trajetória de Filipe Luís ao abordar as críticas recebidas. O técnico português relembrou sua própria chegada ao Flamengo e as críticas dirigidas a Filipe Luís, mesmo após o ex-jogador ter conquistado títulos expressivos como a Libertadores, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, a Supercopa e o Campeonato Carioca.
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Sobre a natureza das críticas no futebol brasileiro, ele afirmou: “Em relação às outras coisas, a crítica é normal quando os resultados não vêm. Por exemplo, eu vou dizer uma coisa muito simples: aquelas pessoas que criticam… Quantos aqui fizeram uma análise das críticas ao Filipe Luís? Eram os mesmos que rasgavam o treinador que foi campeão, da Libertadores, campeonato anterior, Supercopa… É uma mesma fotografia.” Jardim concluiu sobre a inevitabilidade das críticas: “Por isso que eu falei que quem não ganha, tem que estar sujeito a crítica, ainda mais do Flamengo. A história é assim, assim eu vejo. Por isso quem está nesta posição, se não está à espera de críticas, é melhor mudar de trabalho e de profissão.”
Análise da decisão na Libertadores
O próximo compromisso do Flamengo será o jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores, quando enfrentará o Cruzeiro fora de casa. A partida está marcada para o dia 12 de agosto, e Jardim antecipa um confronto desafiador, com a expectativa de um Mineirão lotado apoiando a equipe adversária. O técnico revelou que comandou a equipe mineira antes de assumir o comando no Rio de Janeiro.
Ao comentar a importância da competição continental, Jardim declarou: “Com certeza será um jogo entre duas equipes que tem uma massa muito grande. Espero o Mineirão lotado. Temos que saber jogar o nosso jogo dentro de campo. É uma competição muito importante para o clube. Já ganhou 4 em sua história em 134 anos. Não é fácil de ganhar, mas partimos todos anos. Fizemos uma primeira parte que é uma das melhores da história. Nossa ambição é sempre igual em todas as competições que o Flamengo participa.”
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O treinador também abordou a capacidade do Flamengo de impor pressão sobre os adversários. Ele indicou que, antes da pausa para a Copa do Mundo, o time demonstrava essa característica com mais intensidade, mas houve uma diminuição após o período.
Sobre a manutenção da pressão em campo, ele explicou: “O que nós fizemos hoje (pressionar o adversário) já fizemos em alguns momentos, mas deixamos de fazer no intervalo da Copa do Mundo. O grupo não estava todo junto, a gente estava alguns dias sem treinar junto. Tivemos 10 dias, aproveitamos e, depois de 45 minutos de pressão, já havia jogadores com dificuldade na segunda parte. Nós buscamos manter a intensidade que para mim é importante. Eu acredito no jogo de mais intensidade, jogo mais agressivo.”
Atualmente, na tabela do Campeonato Brasileiro, o Flamengo está na segunda posição, acumulando 42 pontos em 21 partidas disputadas. O Palmeiras ocupa a liderança do torneio, com 48 pontos em 22 jogos.
Outros pontos abordados pelo técnico
Mensagem do técnico para a torcida
Jardim optou por não enviar um recado direto aos torcedores, explicando que “eles têm sempre razão”. Ele reconheceu que a torcida apoia em determinados momentos e critica em outros. O técnico enfatizou a responsabilidade dos jogadores de agir em campo. Ele explicou que a vitória contra o Vitória foi diferente das três partidas anteriores porque o elenco não estava trabalhando em conjunto. “Temos que por a conta gotas, porque se eles não ganharem ritmo, estamos chegando ao Natal e eles não tem ritmo. Temos que colocar em jogo na fase do erro, mas temos que colocar. Fizemos uma pressão coordenada. Trabalhamos essa coordenação da equipe durante esses dez dias. Meus jogadores trabalham, não vejo o treino de outra forma e eu dou o meu melhor. Não veem em nenhum lado social porque eu fico entre o trabalho e casa. Às vezes o meu melhor não é suficiente, mas é o que eu dou.”
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Perspectivas sobre o mercado de transferências
Jardim confirmou sua participação em reuniões com a diretoria do clube desde sua chegada. No entanto, ele esclareceu que não é sua função tornar públicas as estratégias de contratação ou os planos do clube, deixando essa responsabilidade para os diretores.
Em relação às especulações sobre o mercado de transferências, Jardim reiterou: “Sobre o mercado, já falei que existem pessoas com responsabilidade sobre isso. Não vou falar porque se eu der uma opinião como fiz no passado sobre o mercado, necessidades, amanhã vai sair: ‘Jardim está contra o Boto, o Boto está contra o Bap’. E não.” Ele concluiu sobre a situação atual do elenco: “O que acontece é que neste momento temos o nosso o elenco. Desde que cheguei estou agarrado ao elenco e tento desenvolver as ideias com o elenco. Ponto final. Não tem outra situação para expor. ‘Ah, mas o adversário foi buscar 4, 5 jogadores’. É problema do adversário. Nossa situação é o que temos para enfrentar o Cruzeiro duas vezes e é com estes que acreditamos que podemos classificar a equipe, que é o objetivo.”
Como o Flamengo pode demonstrar reação em campo
O técnico expressou confiança na capacidade do time de aplicar as ideias de jogo desenvolvidas. Ele destacou que, na fase inicial de seu trabalho, a equipe já demonstrava essa capacidade, e que a partida contra o Vitória reafirmou o potencial. Jardim descreveu o estilo de jogo desejado: “Pressionar alto, formar bloco, não deixar o adversário jogar e com a bola ter 20 finalizações.” Ele acrescentou que, se a eficiência fosse maior, “em vez de falarmos de 40 gols estaríamos falando de 60.”
Observações sobre Kaio Jorge e Matheus Pereira
Jardim classificou o Cruzeiro como possuidor de um dos três melhores elencos do Brasileirão, mencionando que a equipe perdeu poucos jogadores e se reforçou com novas contratações. Ele incluiu Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro no grupo dos times com elencos mais qualificados.
Sobre a atenção a jogadores específicos do adversário, ele disse: “Em relação ao jogo, será um jogo em que esses dois jogadores têm uma importância muito grande no movimento da equipe, mas não pode deixar de fora o resto dos jogadores. Um dos três melhores elencos do futebol brasileiro, temos que pensar que é um coletivo forte.” O planejamento é focar no conjunto, mas sem ignorar as individualidades: “A partir daí vamos nos preparar para o jogo, tendo atenção para os jogadores determinantes, mas ter uma análise do jogo coletivo. Temos que fazer o jogo do nosso lado, contar com nossas individualidades, mas fazer um jogo coletivo bom.”
Elogios a Ayrton Lucas
O treinador elogiou as qualidades de Ayrton Lucas, afirmando que o lateral possui “condições formidáveis”. Ele revelou ter treinado alguns dos melhores laterais do mundo e que Ayrton Lucas se destaca. Jardim contou que parabenizou o jogador no vestiário por sua atuação. “Ele tem qualidades para fazer um futebol de alto nível, é rápido, é bom tecnicamente, tem bom jogo aéreo. Tem condições para fazer. Às vezes não via tão bem. Queria ver mais vezes esse Ayrton no Flamengo. Esse jogador pode nos ajudar muito no que são os nossos objetivos.”
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Entendimento sobre o modelo de jogo da equipe
Jardim abordou a questão da satisfação dos jogadores em um elenco numeroso: “Vocês acreditam que em um elenco de 25 jogadores todos estão satisfeitos? Nem todos estão satisfeitos. É aqui, no Manchester United e em qualquer lugar.” Ele afirmou que, na partida recente, a atitude do time demonstrou que todos se dedicaram. “Hoje, com a atitude do time eu não vi ninguém jogar de uma maneira que a gente não quer. Todo mundo deu seu melhor. No futebol, não pode estar todo mundo satisfeito. São 11, mais quatro ou cinco no meio e o resto fora da linha.” Ele ainda completou com uma observação sobre a persistência dos mesmos jogadores: “Eu se fosse jogador e não jogasse também estaria incomodado. Mas é engraçado, porque mudam os treinadores e os que jogam são quase sempre os mesmos.”
Dificuldade de manter intensidade em diferentes partidas
A intensidade e as dinâmicas com e sem a bola são aspectos que demandam trabalho contínuo, segundo o técnico. Ele observou que alguns jogadores estavam sem ritmo e que a expectativa é de melhoria ao longo de agosto, devido a diferentes realidades de preparação. “Você vê a Copa do Mundo, teve jogadores que não jogaram, estavam treinando, e tiveram dois meses. Não é fácil eles entrarem e agora: ‘agora vai começar a pressionar, são essas as dinâmicas’.”
Jardim fez uma crítica ao calendário do futebol brasileiro, que, em sua visão, oferece pouco tempo para treinamentos. “É preciso treiná-las. É muito engraçado porque muita gente não acredita no treino. Eu tenho que acreditar no treino. Venho de campeonatos, principalmente na Europa e na Ásia, que há tempo de treinar. Faço uma crítica ao Brasil que às vezes não temos tempo de treinar. Às vezes olho para a formação e a nossa formação não treina. Nem a nossa nem a do Cruzeiro. Três em três dias, jogam. Quatro em quatro dias. É a mesma coisa que ir à faculdade e fazer prova de quatro em quatro dias e não ir às aulas. Mas tem gente que acredita que é assim. Sou contra isso. Acredito no treino, acredito no processo. E não acredito que os jornalistas se achem entre as pedras. Acho que os jornalistas tem que ser formar, por via acadêmica ou não, mas tem que ter um percurso. Acredito no futebol assim também.”

