Como e quando observar o eclipse solar dia 12 de agosto

eclipse solar

eclipse solar - Jason Daniel Mann/Shutterstock.com

Uma rara ocasião astronômica aguarda o Reino Unido na noite de 12 de agosto, quando um eclipse solar parcial, considerado o mais notável em quase trinta anos, será visível em todo o território.

Este mesmo evento celestial poderá ser apreciado por toda a Europa, com a possibilidade de um eclipse solar total, o espetáculo máximo, para alguns observadores.

Milhões de entusiastas estão se preparando para viajar ao norte da Espanha e à costa ocidental da Islândia, buscando condições climáticas favoráveis para testemunhar este fenômeno inspirador, no qual Sol, Lua e Terra se alinham perfeitamente.

Durante o ápice do evento, a iluminação natural diminuirá drasticamente, imergindo os presentes em um ambiente crepuscular inusitado e de profundo silêncio.

Conforme o Sol for encoberto pela Lua, uma queda súbita na temperatura e uma diminuição da intensidade do vento serão percebidas, podendo até mesmo ocorrer uma alteração na sua direção.

Em um momento fugaz, um brilho intenso da borda solar, visível ao redor da Lua, criará a ilusão de um grande anel de diamante flutuando no céu.

Em seguida, esse clarão se dissipará, dando a impressão de que uma enorme abertura escura consumiu o Sol por completo.

No período de escuridão gerado pela sombra lunar, a natureza adota um comportamento incomum: aves tendem a se calar, como se fosse noite, enquanto insetos noturnos podem iniciar seu canto característico.

Se o pôr do sol ainda não tiver ocorrido, a luminosidade diurna reaparece com a mesma rapidez com que sumiu, e o ambiente retoma sua rotina habitual.

Essa experiência única leva muitas pessoas a viajar por diversas partes do mundo, buscando a chance de testemunhar o fenômeno.

Locais de visibilidade do eclipse em 12 de agosto

Na faixa de totalidade, a maioria dos observadores verá o Sol ser ocultado por um período inferior a dois minutos, uma duração significativamente menor do que os quatro minutos registrados nos Estados Unidos em 2024.

A jornada do eclipse terá início na Sibéria, Rússia, e seguirá por regiões próximas à Islândia e Groenlândia, cobrindo extensas áreas desabitadas do Círculo Polar Ártico e do Oceano Atlântico Norte.

Os últimos pontos terrestres para a observação do fenômeno serão as ilhas de Maiorca e Menorca, na Espanha, antes que a sombra se dissipe no Mar Mediterrâneo, coincidindo com o pôr do sol.

É importante notar que em vastas áreas da Europa, especialmente nas porções Central e Oriental, o Sol ainda estará parcialmente eclipsado no momento de seu ocaso.

Embora a faixa de eclipse total seja limitada, o fenômeno parcial terá uma ampla abrangência, alcançando praticamente todo o continente europeu.

Capitais como Dublin terão 94% do Sol encoberto, Paris 92%, Londres 90%, e Berlim 85%, em um espetáculo parcial de grande visibilidade.

Detalhes da observação do eclipse no Reino Unido

Para quem estiver no Reino Unido, caso o céu esteja claro, as melhores oportunidades para observar este eclipse parcial serão nas regiões ocidentais do país.

No entanto, o fenômeno total não poderá ser visto no Reino Unido, uma vez que a faixa de totalidade cruzará apenas a área marítima, próxima à costa sudoeste.

Apesar disso, a sombra parcial da Lua cobrirá o Reino Unido por completo, com regiões como Cornualha e Pembrokeshire presenciando até 95% de ocultação solar, enquanto a maioria do território terá cerca de 90% de cobertura.

Um eclipse com 90% de cobertura apresentará a Lua cruzando o Sol em uma posição baixa no céu, proporcionando uma visão característica.

No Reino Unido, o momento de pico do eclipse variará conforme a localidade, acontecendo entre 19h02 e 19h16, no horário de verão britânico.

Para facilitar a busca pelos melhores locais de observação no Reino Unido, diversas áreas oferecem condições ideais, incluindo na Inglaterra, na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte.

Já na Espanha, observadores terão a chance de presenciar o eclipse total em cidades como Bilbao, Valência e Palma de Maiorca, enquanto Barcelona e Madri experimentarão uma ocultação superior a 99%.

O ápice do eclipse total nessas localidades espanholas ocorrerá entre 20h26 e 20h33, horário local, o que corresponde a 19h26 e 19h33 no horário de verão britânico (BST).

Precauções essenciais para observar o eclipse com segurança

A observação direta do Sol, mesmo durante um eclipse, representa um sério risco de causar danos permanentes à visão.

É imprescindível utilizar óculos projetados especificamente para eclipses, e jamais recorrer a óculos de sol comuns, que não oferecem proteção suficiente e podem resultar em lesões visuais irreversíveis.

A única exceção para observar sem proteção é durante a fase de totalidade, quando o Sol é completamente encoberto pela Lua; como isso não ocorrerá no Reino Unido, a proteção ocular deve ser mantida durante toda a duração do evento.

Adicionalmente, é proibido o uso de binóculos, telescópios ou o visor de câmeras, mesmo com óculos de eclipse, pois a ampliação pode comprometer a eficácia da proteção e causar danos visuais.

Caso não possua os óculos específicos, uma alternativa é observar o eclipse de forma indireta, por meio da construção de um projetor de orifício.

Um modelo básico pode ser feito com uma simples folha de cartolina, ou um mais sofisticado com uma caixa de papelão; até mesmo uma peneira pode ser utilizada para criar múltiplas projeções simultâneas do fenômeno.

Fenômenos visuais durante um eclipse total

No momento em que o Sol é completamente eclipsado, o disco escuro da Lua se destaca, envolto por delicados filamentos de luz que parecem ondular, como se estivessem em uma brisa cósmica imperceptível.

Uma análise mais detalhada desses filamentos sugere que são, na verdade, faixas de chamas pulsantes que circundam a silhueta lunar.

Essa intensa luminosidade, que irradia da escuridão, é conhecida como coroa solar — composta por jatos de gás superaquecido que se estendem por milhares de quilômetros no espaço.

Trata-se de um espetáculo que somente um eclipse solar total permite contemplar, pois, em condições normais, essa estrutura é ofuscada pela intensa claridade do Sol.

Cientistas estarão monitorando com atenção especial para registrar laços de gás luminosos, em tonalidades avermelhadas ou rosadas, denominados proeminências, que se movem e se curvam a partir da superfície solar.

Essas formações acompanham os dinâmicos campos magnéticos solares, e essas gigantescas estruturas de plasma podem ocasionalmente ser ejetadas no espaço, gerando as chamadas ejeções de massa coronal.

A explicação científica por trás dos eclipses

Um eclipse é o resultado do bloqueio da luz solar pela Lua, que se posiciona entre o Sol e a Terra, impedindo que a luminosidade atinja nosso planeta.

A sombra projetada pela Lua gera na Terra uma região de escuridão quase completa, com aproximadamente 250 quilômetros de largura, denominada umbra.

Ao redor da umbra, forma-se a penumbra, uma zona de sombra parcial do eclipse, onde a intensidade do fenômeno diminui à medida que o observador se afasta do centro.

Se a órbita lunar coincidisse com o mesmo plano orbital da Terra em relação ao Sol, ocorreria um eclipse solar mensalmente.

Contudo, a Lua possui uma órbita levemente inclinada, o que faz com que esses alinhamentos sejam menos frequentes, resultando em um eclipse solar a cada dezoito meses, em média.

Oportunamente, a capacidade de observarmos um eclipse total é fruto de uma extraordinária coincidência cosmológica.

O Sol está localizado a uma distância de 150 milhões de quilômetros da Terra, o que representa 400 vezes mais longe do que a Lua.

No entanto, o diâmetro da Lua é 400 vezes menor que o do Sol, fazendo com que ambos pareçam ter o mesmo tamanho exato quando vistos do nosso planeta.

Se a Lua tivesse um diâmetro ligeiramente menor ou sua órbita fosse um pouco mais distante da Terra, a ocorrência de um eclipse total seria impossível.

De fato, essa mudança de cenário se concretizará futuramente, visto que a Lua está se afastando gradualmente da Terra.

A boa notícia é que esse afastamento ocorre a uma taxa de apenas alguns centímetros anuais, garantindo que os eclipses totais continuarão a ocorrer por mais cerca de 600 milhões de anos.

Isso proporciona tempo de sobra para quem deseja presenciar um desses grandiosos espetáculos celestes.