O Pixel Watch 5, lançado pela Google com preço de US$ 399, vai além das melhorias de hardware em sua mais recente versão. Apesar de trazer um novo acabamento acetinado em pirita na caixa, opções de cores para as pulseiras e uma Edição Especial Steph Curry, além de um processador Qualcomm um pouco mais rápido e bateria aprimorada, o foco principal está nas inovações de software. O dispositivo também teve um aumento de US$ 50 no valor em comparação ao modelo anterior, evidenciando que as maiores novidades para este ano são impulsionadas por atualizações digitais.
Esse direcionamento já era esperado, especialmente após a introdução do Fitbit Air pela Google em maio. Observações de demonstrações do Pixel Watch 5 confirmam que a atualização aprofunda as temáticas de inteligência artificial e saúde proativa, já apresentadas pela empresa ao longo do ano.
Embora as novidades em saúde e bem-estar sejam o destaque, o assistente Gemini, acessível diretamente no pulso, também ganhou aprimoramentos significativos. Agora é possível utilizá-lo sem conexão à internet para executar atividades básicas, como iniciar temporizadores e abrir aplicativos, embora o desempenho offline tenha se mostrado um pouco mais lento em testes. O Gemini ainda apresentará sugestões de forma mais proativa, como exibir a opção de consultar a Google Agenda ao receber uma mensagem sobre disponibilidade. Um novo ícone no mostrador do relógio fornecerá informações em tempo real sobre cronômetros, estimativas de chegada de serviços como Uber e dados de exercícios. Recursos de interação por pinça e gestos com o pulso, implementados para os Pixel Watches em dezembro via atualização, agora estão mais integrados à interface do Wear OS 7.
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A inteligência artificial também permite a criação de mostradores de relógio personalizados. Ao experimentar a função, foi gerado um mostrador com “gatos gordinhos e uma fonte elegante”, que, na verdade, transformou os números em um formato estilizado de gato. Essa é uma aplicação um tanto peculiar para o modelo Nano Banana no dispositivo, mas cumpre a proposta para quem busca algo diferente.
Novidades na área da saúde e bem-estar do Pixel Watch 5
Passando para as funcionalidades de saúde, o destaque é a Detecção de Emergência Respiratória, uma evolução do recurso de Perda de Pulso do ano anterior. O relógio, ao identificar uma diminuição acentuada na saturação de oxigênio no sangue (SpO2) — o que pode indicar problemas respiratórios —, automaticamente aciona serviços de emergência e contatos pré-registrados. Para evitar alarmes falsos, o sistema combina dados de frequência cardíaca, movimento e altitude. Durante uma demonstração, foi informado que a função é ativada apenas quando a SpO2 atinge cerca de 83% por um período prolongado, um nível consideravelmente baixo. Além disso, o recurso é desativado após 30 minutos de sono, prevenindo alertas desnecessários por apneia do sono ou posição de dormir. A ferramenta é ideal para situações agudas de interrupção da respiração e não para usuários com condições respiratórias crônicas. A funcionalidade será lançada para os Pixel Watch 4 e 5 na Europa e está em processo de aprovação pela FDA nos Estados Unidos.
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Outra funcionalidade, de caráter menos emergencial, é o monitoramento mensal da qualidade da respiração durante o sono, disponível tanto no Pixel Watch quanto no Fitbit Air. O objetivo é permitir que os usuários acompanhem como seus hábitos diários afetam a saúde respiratória noturna ao longo do tempo.
Duas novas funcionalidades importantes na área de saúde são as Tendências da Pressão Arterial e as Tendências da Resistência à Insulina. É fundamental esclarecer que nenhuma delas oferece um diagnóstico médico. Ambas operam como ferramentas de bem-estar, funcionando como alertas preventivos, exigindo pelo menos uma semana de dados para apresentar tendências mensais. Embora não estejam disponíveis no lançamento do Pixel Watch 5, a previsão é que sejam implementadas em setembro. Essas novidades também serão compatíveis com o Pixel Watch 3 e versões posteriores, incluindo o Fitbit Air, o que significa que muitos usuários dos modelos anteriores não precisarão atualizar o aparelho apenas por essas funções.
No caso da função de Tendências da Pressão Arterial, o dispositivo monitora o fluxo sanguíneo utilizando o sensor óptico de frequência cardíaca e sensores de movimento. Esses dados são processados por um modelo de inteligência artificial que estima a forma e a velocidade das ondas de pulso na pele, indicando se a pressão arterial está com tendência de alta ou baixa. Importante ressaltar que não são realizadas medições diretas da pressão sistólica ou diastólica.
Enquanto outras fabricantes de vestíveis, como Apple e Whoop, já exploram o tema da pressão arterial, a proposta da Google de identificar a resistência à insulina de maneira não invasiva se destaca como uma inovação. A resistência à insulina é uma condição em que o organismo não processa os alimentos de forma eficiente, levando o pâncreas a produzir mais insulina para compensar a glicose no sangue. Se não abordada, pode resultar em fadiga, ganho de peso contínuo e, a longo prazo, diabetes tipo 2. Este recurso tem o potencial de estimar passivamente a variação mensal da resistência à insulina, analisando sinais como ritmo cardíaco, qualidade do sono e movimento diário. Para validar o algoritmo, a Google conduziu testes com amostras de sangue e publicou os resultados em um estudo revisado por pares na revista Nature, o que confere credibilidade à abordagem.
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A funcionalidade de resistência à insulina será disponibilizada em setembro para o Pixel Watch 3 e modelos subsequentes, além do Fitbit Air.
Reitera-se que este não é um sistema de monitoramento não invasivo de glicemia. Semelhante às Tendências da Pressão Arterial, não envolve leituras diretas e não serve como triagem para diabetes. Seu propósito é indicar quando os hábitos de vida apontam para um estresse metabólico contínuo ao longo de um mês. A importância dessa ferramenta se acentua ao considerar que o diagnóstico de resistência à insulina pode levar uma década, sendo muitas vezes assintomático por anos e não detectado em exames metabólicos de rotina, exigindo exames de sangue específicos. Portanto, apesar das limitações, a ferramenta possui um potencial significativo se operar de maneira eficaz.
Otimizações de fitness e desempenho do GPS no Pixel Watch 5
Além da saúde, a Google também investe na área de fitness. Há anos, usuários do Fitbit e do Pixel Watch relatam imprecisões nos mapas de GPS durante atividades ao ar livre, especialmente em ambientes urbanos. Após a introdução do GPS de dupla frequência no ano passado, a empresa agora garante que o Pixel Watch 5 superará o Garmin Fenix 8 e o Apple Watch Ultra 3 em desempenho. O novo sistema utilizará informações de satélites, estações meteorológicas e modelos 3D de construções do Google Maps para “corrigir” os dados de GPS por meio de inteligência artificial em pós-processamento.
A Google também implementará planos de treinamento de força gerados por inteligência artificial diretamente no relógio. Embora esse recurso já exista no Google Health Premium, a novidade é que não será mais necessário usar o telefone para registrar repetições ou avançar nos exercícios. Essa integração parece ser uma estratégia coerente, especialmente diante da crescente relevância do treinamento de força na atualidade.
Todas essas inovações na saúde foram desenvolvidas para aprimorar o assistente de inteligência artificial do aplicativo Google Saúde, que requer uma assinatura premium. Apesar de ser considerado o melhor entre os assistentes de IA disponíveis no setor, o padrão geral ainda é baixo. A inteligência artificial na área da saúde ainda está em fase de aprimoramento, e o assistente da Google não foge a essa regra. Contudo, as atualizações implementadas representam uma combinação inteligente de recursos potencialmente úteis e com grande potencial para o futuro da IA na saúde, reafirmando que este ano é marcado pelas novidades em software, mesmo com um acréscimo de 50 dólares no preço.

