A Polícia Federal da Paraíba deflagrou a Operação Arena em 13 de agosto de 2026, com foco no advogado Nelson Wilians, suspeito de envolvimento em transações financeiras com proprietários das empresas de jogos online PixBet e PixStar. A investigação aponta para uma “confusão patrimonial” envolvendo a aquisição de um helicóptero, apelidado de “betcóptero” pelo grupo, e repasses de R$ 9,8 milhões, sugerindo uma possível operação de ocultação de bens. Nelson Wilians é um conhecido advogado empresarial, alvo recente de outras investigações federais.
Helícóptero de luxo sob investigação liga Nelson Wilians a empresários de apostas
A apuração da Polícia Federal revelou um elo significativo entre Nelson Wilians e os donos da PixBet e PixStar através de um helicóptero Airbus EC 130 T2. O relatório policial detalha que a aeronave, carinhosamente chamada de “betcóptero”, foi cedida inicialmente por Rubens Sobrinho Rodrigues Prudente ao escritório de advocacia de Wilians em 11 de agosto de 2023, sob um contrato de empréstimo válido por um ano.
No entanto, a complexidade da relação se aprofundou quando, durante as buscas na posse de Ernildo Junior de Farias Santos, fundador e líder operacional da Pixbet, foi descoberto um contrato de compra e venda do mesmo helicóptero. Este documento indicava que o escritório de Nelson Wilians teria adquirido o “betcóptero” por US$ 5,5 milhões. O acordo, selado em 28 de outubro de 2024, previa uma entrada de US$ 550 mil e mais nove parcelas do mesmo valor.
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Movimentações financeiras de R$ 9,8 milhões levantam suspeitas da Polícia Federal
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A investigação da Polícia Federal também encontrou evidências de grandes transferências monetárias que fortalecem a hipótese de ligação entre as partes. Documentos apreendidos mostraram dois pagamentos, totalizando R$ 9,8 milhões, feitos pela Pix Star — identificada como a empresa de fachada do grupo em Curaçao, no Caribe — em favor de Nelson Wilians Advogados:
- O primeiro repasse foi efetuado em 24 de julho de 2023, no valor de R$ 4,8 milhões.
- O segundo pagamento de R$ 5 milhões foi registrado em 18 de agosto de 2023.
Além disso, uma nota fiscal de serviços para o helicóptero, que tinha o escritório de Nelson Wilians como operador, foi emitida pela EJFS Negócios e Participações, outra empresa ligada a Ernildo Junior.
Confusão patrimonial e ocultação de bens são o foco da apuração
A Polícia Federal afirma que a associação, propriedade e usufruto de bens entre o grupo PixBet e o escritório de advocacia de Nelson Wilians se “confundem”, caracterizando uma “confusão patrimonial”. Essa situação é apontada como um indício de que o advogado estaria operando financeiramente para favorecer a ocultação de bens pertencentes aos seus clientes, os donos das empresas de apostas, dificultando o rastreamento dos ativos.
Essa prática é crucial para a investigação, pois sugere uma tentativa de dissimular a verdadeira origem e destinação dos recursos, especialmente aqueles que poderiam ser provenientes da exploração ilegal de jogos de azar. A complexidade das transações, a interligação das empresas e pessoas sob investigação, e o volume financeiro envolvido reforçam a tese de lavagem de dinheiro em larga escala, visando a blindagem de patrimônio ilícito.
Resposta da defesa de Nelson Wilians sobre as acusações
Em nota oficial, o advogado Santiago Schunck, representante legal de Nelson Wilians, defendeu a postura de seu cliente. Ele afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet “é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia”.
Schunck ainda reiterou que a atuação do escritório “limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas”. O comunicado também expressou o repúdio a qualquer tentativa de associar a atuação profissional dos advogados às atividades ou condutas atribuídas aos clientes, alertando para a necessidade de cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja criminalizado.
Detalhes da Operação Arena contra a lavagem de dinheiro
A Operação Arena é uma iniciativa da Polícia Federal que investiga um grupo empresarial do Nordeste suspeito de utilizar uma elaborada estrutura societária e financeira no exterior. Essa estratégia, comum em esquemas de lavagem de dinheiro, visa a ocultar a origem e o destino de recursos obtidos através da exploração de jogos de azar e apostas esportivas, com destaque para a empresa PixBet, sediada na Paraíba, como principal alvo.
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A investigação identificou que a transação criminosa envolve também a PixStar, descrita como uma empresa “fantasma” com sede na ilha de Curaçao, no Caribe. A PF detectou diversos pagamentos entre as duas empresas, evidenciando um esquema complexo de movimentação de capitais. Nelson Wilians é apontado como um dos possíveis operadores financeiros do grupo, com a suspeita de ocultar bens adquiridos de forma ilegal para blindar o patrimônio dos criminosos. A ação da PF busca desarticular essa rede de ocultação de ativos.
Outras investigações envolvendo o advogado Nelson Wilians
Nelson Wilians, que comanda um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil e possui grande alcance nas redes sociais, já foi alvo de outras operações policiais e fiscais. Em 13 de julho de 2026, um mês antes da Operação Arena, ele foi alvo de uma ação do Fisco paulista.
Essa operação investigava fraudes no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nos estados de São Paulo e Paraná. Além disso, em setembro de 2025, o advogado havia sido investigado pela Polícia Federal por suposta participação em um esquema de fraudes e desvios de recursos relacionados ao INSS.

