A montadora Stellantis definiu o cronograma oficial para a fabricação do utilitário esportivo Jeep Avenger em território nacional. O complexo industrial de Porto Real, no estado do Rio de Janeiro, será o responsável por montar o veículo a partir de 2026, marcando a entrada da fabricante em uma faixa de preço mais acessível. Com valores estimados entre R$ 120.000 e R$ 150.000, o automóvel ficará posicionado abaixo do conhecido Renegade. Para viabilizar o projeto, que utilizará a base estrutural CMP já empregada no Peugeot 208, a companhia injetará R$ 3 bilhões na unidade fluminense. O carro, eleito o melhor da Europa no ano passado, chegará às concessionárias brasileiras equipado com propulsor 1.0 turbo flex e tecnologia micro-híbrida, mirando diretamente em concorrentes como o Fiat Pulse, o Renault Kardian e o recém-anunciado Volkswagen Tera.
Essa iniciativa representa um passo inédito para a marca norte-americana dentro da categoria de utilitários de menor porte no país. A decisão de concentrar a montagem no Rio de Janeiro, quebrando a exclusividade do polo pernambucano de Goiana na fabricação de modelos da Jeep, evidencia um plano de reestruturação fabril do grupo automotivo. O objetivo central do novo produto é capturar a atenção de um público mais jovem e urbano, entregando um pacote que mescla conectividade, baixo consumo de combustível e a tradicional identidade visual da fabricante.
No mesmo tema: Stellantis começa a produzir o Jeep Avenger híbrido leve no Brasil e mira o mercado de SUVs eletrificados nacionais
Os principais atributos técnicos definidos para a variante brasileira englobam:
- Conjunto mecânico formado pelo motor T200 de 130 cavalos, associado a um gerador elétrico auxiliar.
- Estética frontal marcada pelas clássicas sete fendas na grade e conjunto óptico traseiro com referências ao irmão maior.
- Painel de instrumentos totalmente digital acompanhado de uma tela de entretenimento de 10,25 polegadas.
- Tabela de preços agressiva para disputar a liderança entre os utilitários de entrada.
O desembarque deste automóvel consolida a estratégia da empresa em popularizar a eletrificação leve no mercado interno. Fabricar o veículo localmente elimina taxas de importação e viabiliza modificações essenciais para o consumidor sul-americano, a exemplo do sistema de injeção bicombustível, uma exclusividade que não existe nas linhas de montagem europeias.
Mais sobre o assunto: Jeep Avenger confirma estreia no Brasil com motor híbrido leve em três versões
Detalhes estruturais e arquitetura base do Jeep Avenger
Toda a sustentação do novo utilitário deriva da arquitetura CMP, desenvolvida originalmente pela antiga aliança PSA. Essa mesma base já demonstra sua versatilidade nas linhas de produção fluminenses ao dar forma ao Citroën C3, ao C3 Aircross e ao hatch Peugeot 208. A escolha pela fábrica de Porto Real ocorreu justamente pelo domínio técnico que os operários já possuem sobre essa estamparia. Com a confirmação do projeto, o utilitário esportivo se tornará o quarto integrante regular da linha de montagem, dividindo espaço também com o futuro SUV cupê Basalt.
Uma das grandes vantagens dessa estrutura modular é a capacidade de abrigar desde motores a combustão tradicionais até conjuntos totalmente elétricos. Para o consumidor brasileiro, a engenharia optou pelo já conhecido propulsor T200, capaz de gerar 130 cavalos de potência e 21,4 kgfm de torque, números idênticos aos encontrados no Peugeot 2008 atualizado. A grande novidade fica por conta da adoção de um sistema elétrico de 12 volts, onde um pequeno motor substitui o alternador convencional para aliviar o esforço do motor a combustão e poupar combustível. O gerenciamento dessa força ocorrerá por meio de uma caixa automática do tipo CVT, calibrada especificamente para o trânsito das cidades brasileiras.
O compartilhamento de componentes eletrônicos da base modular permitiu a instalação de equipamentos modernos na cabine. O motorista terá à disposição um sistema de infoentretenimento de 10,25 polegadas com espelhamento sem fio para celulares, operando em conjunto com mostradores digitais atrás do volante. Pensando na buraqueira das vias nacionais, a equipe de desenvolvimento retrabalhou todo o conjunto de suspensão, elevando a distância em relação ao solo para 21 centímetros, garantindo maior segurança ao transpor obstáculos urbanos.
Saiba mais: Jeep Avenger começa a ser fabricado na fábrica da Citroën no Rio de Janeiro com lançamento em maio
Diferenças mecânicas entre as versões europeia e nacional
O conjunto motriz escolhido para o Brasil difere radicalmente das opções oferecidas no Velho Continente. Enquanto os europeus contam com um bloco 1.2 turbo de 136 cavalos atrelado a um sistema de 48 volts, além de variantes 100% elétricas que rodam até 550 quilômetros com uma carga de bateria de 54 kWh, a filial sul-americana seguiu outro caminho. A decisão recaiu sobre o motor 1.0 turbo T200, que bebe tanto gasolina quanto etanol, trabalhando em harmonia com o auxílio elétrico simplificado de 12 volts.
Essa configuração atende a uma exigência histórica do motorista local, que prioriza a flexibilidade de abastecimento nas bombas de combustível

