Tireoidite de Hashimoto atinge mais mulheres e exige controle

Síndrome de Hashimoto - triocean/Shutterstock.com

Síndrome de Hashimoto - triocean/Shutterstock.com

A tireoidite de Hashimoto atua como a principal causa de hipotireoidismo ao desencadear uma resposta autoimune em que o corpo fabrica anticorpos contra o próprio órgão, relataram as médicas Suemi Marui, chefe da Unidade de Tireoide do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e Rosa Paula Biscolla, docente da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, em apresentação com o médico Dr. Kalil. A enfermidade não tem cura.

Origem do nome e reação autoimune no organismo

Suemi Marui explicou que a denominação homenageia o pesquisador que identificou a disfunção e que o sufixo médico indica uma inflamação em que as defesas biológicas atacam a glândula tireoidiana por motivos ainda não determinados pela ciência.

A médica afirmou que “a tireoidite de Hashimoto é uma inflamação da tireoide de origem autoimune”. Essa resposta biológica impede o sistema imunológico de reconhecer o tecido como integrante natural da estrutura corporal. Com isso, os glóbulos de defesa passam a produzir anticorpos que agridem continuamente a estrutura hormonal do paciente.

Diagnóstico hormonal e exames de sangue necessários

A identificação precoce da síndrome não significa o surgimento automático do hipotireoidismo. “Não necessariamente a tireoidite de Hashimoto causa hipotireoidismo”, afirmou Suemi Marui ao detalhar a progressão clínica observada nos consultórios.

  • Exame de sangue para dosagem de TSH
  • Exame de sangue para verificação de T4 livre
  • Acompanhamento clínico periódico com especialista

Os testes laboratoriais de TSH e T4 livre detectam eventuais deficiências hormonais que muitas vezes levam meses ou anos para se manifestar clinicamente no organismo.

Tratamento médico descarta dietas anti-inflamatórias

Suemi Marui alertou que cardápios especiais, supostas dietas anti-inflamatórias e substâncias milagrosas não conseguem reverter a desordem autoimune diagnosticada. “O que a gente faz é um acompanhamento”, declarou a especialista do Hospital das Clínicas. O plano terapêutico centra esforços na estabilização dos hormônios em vez de buscar soluções sem comprovação científica.

Maior incidência atinge pacientes do sexo feminino

A médica Rosa Paula Biscolla informou que as alterações da tireoide atingem o grupo feminino com frequência desproporcional. “É muito mais mulher do que homem”, confirmou a professora da Escola Paulista de Medicina com apoio em atendimentos ambulatoriais.

Nódulos tireoidianos e desordens imunológicas afetam prioritariamente mulheres na comparação com os índices apurados em homens.