Deolane Bezerra, advogada e influenciadora digital, deixou a Colônia Penal Feminina do Recife, localizada no bairro da Iputinga, Zona Oeste da cidade, após ter sido presa sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro oriundo de jogos ilegais. Ela foi liberada nesta segunda-feira (9) após colocar uma tornozeleira eletrônica dentro da unidade prisional.
Justiça determina prisão domiciliar monitorada
A decisão que concedeu liberdade provisória a Deolane Bezerra ocorreu nesta segunda-feira pela 4ª Câmara Criminal, após um período de incertezas sobre quem deveria julgar o pedido de habeas corpus. A Justiça estipulou a monitoração eletrônica como uma condição para sua liberdade, em conformidade com o artigo 318A do Código Penal e um habeas corpus coletivo de 2018 do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse habeas corpus substitui a prisão preventiva por domiciliar para gestantes, lactantes, mães de crianças de até 12 anos ou de pessoas com deficiência.
Regras rígidas para a prisão domiciliar
Deolane Bezerra deve cumprir prisão domiciliar integralmente, incluindo fins de semana, sem qualquer contato com outros investigados no caso. Além disso, ela está proibida de se manifestar por meio de redes sociais, imprensa ou outros meios de comunicação. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) foi procurado, mas declarou que não pode se pronunciar sobre o caso no momento.
Operação “Integration” e os bens apreendidos
A prisão de Deolane faz parte da operação “Integration”, que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar aproximadamente R$ 3 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro e prática de jogos ilegais. A operação resultou na apreensão de bens valiosos, incluindo aeronaves, carros de luxo e relógios caros. As autoridades também bloquearam ativos financeiros no valor de R$ 2,1 bilhões.
- Aeronaves e helicópteros avaliados em R$ 127 milhões;
- Cinco carros de luxo no valor de R$ 24.440.196,79;
- R$ 439.869 em espécie;
- US$ 2.153 (aproximadamente R$ 12.146,15);
- 5.819 euros (cerca de R$ 36.372,34);
- 6.310 libras esterlinas (aproximadamente R$ 46.567,80);
- 37 bolsas femininas de luxo e 76 joias de diferentes modelos.
Participação de Deolane Bezerra no esquema
Deolane Bezerra foi presa na semana passada em um hotel no Centro do Recife e levada ao Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri). Segundo as investigações, ela teria adquirido um Lamborghini Urus S de Darwin Henrique da Silva Filho, dono da Esportes da Sorte, por R$ 3,85 milhões. Deolane confirmou essa compra em depoimento à polícia, mas negou qualquer envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro.
Solange Bezerra, mãe de Deolane, segue presa
Diferentemente de Deolane, sua mãe, Solange Bezerra, continua detida, já que seu pedido de liberdade foi negado pela Justiça. Dayane Bezerra, irmã de Deolane, divulgou um vídeo nas redes sociais convocando os seguidores a apoiarem a família na porta do presídio. “Vamos tirar Deolane, mas precisamos mais do que nunca da força de vocês para tirar minha mãe de lá”, disse Dayane.
Investigação envolvendo outras figuras e empresas
Além de Deolane, outras pessoas, como o empresário Darwin Henrique da Silva Filho e sua esposa Maria Eduarda Filizola, também foram presos. A Esportes da Sorte, empresa de apostas que Darwin dirige, é uma das investigadas no esquema de lavagem de dinheiro. A empresa já havia sido envolvida em acusações semelhantes em 2022, quando foi alvo de uma operação por crimes contra a economia popular e associação criminosa.
Quadrilha movimentou bilhões através de transações financeiras ilícitas
O esquema criminoso, conforme o Ministério da Justiça, envolvia a movimentação de cerca de R$ 3 bilhões em contas bancárias e transações em espécie, utilizando empresas de eventos, publicidades, casas de câmbio e seguros para disfarçar a origem ilegal dos fundos. Depósitos fracionados em espécie e a compra de bens de luxo eram algumas das táticas utilizadas para lavar o dinheiro.
Detalhes da operação que resultou nas prisões
Deflagrada no início de setembro pela Polícia Civil de Pernambuco, em cooperação com forças de segurança de outros quatro estados, a operação “Integration” contou com a participação de 170 policiais. A ação teve início com a apreensão de R$ 180 mil em uma banca de jogo do bicho em Recife, o que serviu de ponto de partida para identificar os vínculos entre os envolvidos e suas atividades ilícitas.
Influenciadora nega envolvimento com atividades ilícitas
Em seu depoimento, Deolane Bezerra alegou que sua ligação com a Esportes da Sorte era puramente comercial e restrita a contratos de publicidade, encerrados em maio deste ano. Ela negou envolvimento em lavagem de dinheiro ou ocultação de bens. Apesar disso, as investigações apontam que a empresa fez transações de grande valor, que levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro.
Impacto nas redes sociais e apoio de fãs
Após sua prisão, a influenciadora recebeu apoio de fãs que se reuniram na porta da Colônia Penal Feminina, usando camisetas com seu rosto estampado e tocando músicas com seu famoso bordão: “A mãe tá estourada”. Em uma carta divulgada nas redes sociais, Deolane declarou estar sofrendo “uma grande injustiça” e afirmou que ela e sua família são vítimas de preconceito.
Conclusão do processo e próximos passos
A operação segue em curso e a polícia continua a investigar as ligações de Deolane e outros envolvidos com o esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais. O futuro legal de Deolane Bezerra depende dos desdobramentos das investigações e de novas decisões judiciais que poderão influenciar seu retorno às redes sociais e ao seu papel de influenciadora.