Leandro Lehart, condenado por estupro e cárcere privado, se diz inocente e afirma que vai continuar lutando na Justiça.
Leandro Lehart fala sobre condenação e reafirma sua inocência
O cantor Leandro Lehart, conhecido por seu trabalho no grupo de pagode Art Popular, voltou a se pronunciar sobre sua condenação em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Lehart foi condenado a nove anos, sete meses e seis dias de prisão pelos crimes de estupro e cárcere privado, cometidos contra uma mulher em 2019. Mesmo diante da sentença, o artista mantém sua posição de inocência e se diz confiante no sistema judicial.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais na última quarta-feira (18), Lehart afirmou que sua “essência permanece intacta” e que o voto favorável do relator do caso no TJ-SP, que o inocentou, é um ponto crucial para sua defesa. Ele agradeceu o apoio dos fãs e declarou que não deu a devida importância ao caso em alguns momentos, o que, segundo ele, poderia ter provado sua inocência desde o início.
Decisão da 2ª instância mantém condenação
A condenação de Lehart em primeira instância ocorreu em setembro de 2022. Na ocasião, o cantor foi sentenciado pelos crimes de estupro e cárcere privado, crimes que ele teria cometido contra a vítima, Rita de Cássia Corrêa. No entanto, a defesa do cantor recorreu, e o caso foi levado à 13ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Apesar do voto do relator, que acolheu os argumentos da defesa e propôs a absolvição do cantor, os demais desembargadores do tribunal optaram por manter a condenação imposta pela 17ª Vara Criminal de São Paulo. Com isso, a sentença de prisão em regime fechado foi confirmada.
Lehart ainda não teve a prisão decretada, pois o caso ainda está em fase de recurso. A defesa do cantor, representada pelo advogado Davi Tangerino, já afirmou que vai recorrer da decisão, apostando na restauração da verdade e na absolvição completa do artista.
Repercussão do caso e manifestações da vítima
O caso ganhou destaque em 2022, quando foi denunciado pelo g1 e pelo programa Fantástico, da TV Globo. Rita de Cássia Corrêa, a vítima, relatou ter sofrido abusos sexuais durante um encontro com Leandro Lehart, que teria ocorrido em 2019. Em um dos momentos mais traumáticos descritos por ela, o cantor a teria imobilizado no banheiro e defecado em sua boca à força, enquanto ela tentava se desvencilhar.
Desde o crime, a vítima passou por tratamento psicológico e chegou a deixar seu emprego, pois desenvolveu estresse pós-traumático. Durante uma entrevista exclusiva ao Fantástico, Rita revelou que tentou o suicídio após o ocorrido e que, por muito tempo, teve dificuldades em retomar sua vida devido aos traumas que enfrentava.
A advogada da vítima, Gabriela Manssur, celebrou a decisão do Tribunal de Justiça e ressaltou a importância da palavra da vítima no julgamento. “A condenação confirma que a palavra da mulher deve ser levada em consideração, especialmente em crimes de estupro. Essa decisão reforça a mensagem de que, quando uma mulher diz não, qualquer ação posterior é estupro”, declarou a advogada.
A defesa de Leandro Lehart e o voto do relator
Embora o Tribunal tenha mantido a condenação, a defesa de Lehart vê o voto do relator como um ponto de virada no caso. No julgamento ocorrido em setembro de 2024, o relator analisou o processo e concluiu pela inocência do cantor, alegando que não havia provas suficientes para sustentar as acusações de estupro e cárcere privado. No entanto, os outros desembargadores discordaram dessa avaliação e votaram pela manutenção da sentença original.
Em sua manifestação nas redes sociais, Lehart agradeceu aos seus advogados e reiterou sua confiança na Justiça brasileira. “Eu confio na continuidade da restauração da verdade. Cada dia é um passo para essa reconstrução. Continuo com minha essência intacta e interagindo com o meu público, apesar do sofrimento que esse processo tem me causado”, afirmou o cantor.
Lehart também destacou que, em alguns momentos, subestimou a seriedade do processo, o que, em sua visão, prejudicou sua defesa inicial. Ele garantiu que, a partir de agora, dedicará mais atenção ao caso e se manterá firme na luta para provar sua inocência.
Acusações e provas apresentadas
As acusações contra Lehart começaram quando Rita de Cássia decidiu buscar ajuda psicológica e jurídica após o episódio de abuso. Meses após o ocorrido, a vítima procurou a polícia e entregou conversas com o cantor que, segundo ela, continham confissões de Lehart sobre o abuso. Nos diálogos apresentados, o cantor admitia ter cometido erros e demonstrava arrependimento, o que foi usado como prova no processo.
A defesa do cantor, no entanto, argumentou que as mensagens não refletiam a verdade dos fatos. Segundo Lehart, ele não reconhece o episódio de violência sexual descrito pela vítima e afirma que as interações foram consensuais. Mesmo assim, as provas foram aceitas pela Justiça, e Lehart foi condenado.
Durante o julgamento, uma médica psiquiatra que atendeu a vítima confirmou o diagnóstico de estresse pós-traumático, reforçando o impacto emocional que o crime causou em Rita. O Tribunal também levou em consideração as tentativas de suicídio da vítima e seu afastamento do trabalho, ambos atribuídos ao trauma sofrido durante o abuso.
O futuro do caso
Com a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, o futuro de Leandro Lehart depende agora de novos recursos. Se a condenação for mantida em instâncias superiores, o cantor poderá ser preso em regime fechado. Até o momento, no entanto, ele permanece em liberdade, aguardando o desfecho dos recursos apresentados por sua defesa.
A condenação de Lehart é um exemplo importante de como o sistema judiciário brasileiro tem tratado casos de violência sexual, dando destaque à palavra da vítima e ao impacto psicológico causado pelo abuso. O caso também gerou um amplo debate sobre a importância de levar crimes sexuais a julgamento e garantir que as vítimas recebam justiça.
Enquanto isso, Lehart continua suas atividades como cantor e compositor, mantendo-se ativo nas redes sociais e em contato com seus fãs. O artista prometeu publicar mais informações sobre o caso e esclarecer cada uma das acusações que enfrentou, respeitando o segredo de Justiça imposto ao processo.