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Roger Abdelmassih pede prisão domiciliar humanitária alegando risco de morte súbita

Roger Abdelmassih
Roger Abdelmassih - Foto: Divulgação Roger Abdelmassih - Foto: Divulgação

Roger Abdelmassih, o ex-médico condenado a 181 anos de prisão por estuprar 37 pacientes em sua clínica de fertilização, está novamente buscando cumprir sua sentença em regime de prisão domiciliar. Alegando problemas de saúde que, segundo sua defesa, colocam sua vida em risco, o ex-médico de 81 anos entrou com um pedido de habeas corpus, argumentando que ele corre risco de morte súbita.

Alegações de risco à saúde

Abdelmassih está atualmente detido na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, onde cumpre pena em regime fechado. A defesa alega que suas condições médicas — incluindo miocardiopatia dilatada, disfunção sistólica do ventrículo esquerdo, hipertensão arterial pulmonar e outras complicações cardíacas — colocam sua vida em risco. Segundo o laudo médico anexado ao processo, essas doenças afetam gravemente o funcionamento do coração, dificultando o bombeamento adequado do sangue. Em julho deste ano, Abdelmassih passou mal na cela e foi levado para uma clínica particular para atendimento emergencial.

A defesa de Abdelmassih insiste que, devido ao seu quadro clínico, ele deve ser autorizado a cumprir o restante de sua pena em casa, sob a justificativa de que o ambiente carcerário não oferece as condições adequadas para os cuidados que ele precisa. Os advogados destacam que o ex-médico precisa de cuidados paliativos e que o sistema penitenciário não está preparado para tratar de forma eficaz os pacientes com essas comorbidades.

Histórico de tentativas de prisão domiciliar

Este não é o primeiro pedido de prisão domiciliar de Roger Abdelmassih. Em 2016, ele conseguiu uma liberação temporária com base em um laudo médico que mais tarde foi comprovado ser falso. Quando a fraude foi descoberta, ele foi reincarcerado para continuar cumprindo sua pena. Desde então, sua defesa tem feito repetidas tentativas de obter a prisão domiciliar por meio de argumentos de saúde, mas a Justiça tem se mostrado cautelosa e solicitado novos relatórios médicos antes de tomar qualquer decisão.

Em 2021, Abdelmassih foi autorizado a cumprir parte de sua pena em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica. No entanto, em 2022, o Tribunal de Justiça de São Paulo revogou essa decisão, atendendo a um pedido do Ministério Público que alegava que ele deveria voltar ao regime fechado. Desde então, ele permanece na Penitenciária de Tremembé, de onde agora solicita novamente a transferência para sua residência, alegando deterioração em sua condição de saúde.

Novo pedido sob análise

Diante desse novo pedido de prisão domiciliar, a juíza responsável pelo caso, Sueli Zeraik de Oliveira Armani, solicitou um relatório médico mais detalhado sobre o estado de saúde de Abdelmassih. Somente após receber esse documento, ela tomará uma decisão definitiva sobre a concessão ou não da prisão domiciliar. A magistrada ressaltou a necessidade de verificar com precisão o quadro clínico do ex-médico antes de deliberar, especialmente considerando seu histórico de fraudes anteriores para tentar conseguir benefícios.

Além do risco cardíaco, a defesa também mencionou outras condições de saúde, como hipertensão arterial crônica e hiperplasia prostática benigna, que, segundo eles, agravam a situação e justificam o cumprimento da pena em casa. Contudo, o Ministério Público e as vítimas têm manifestado forte oposição a qualquer relaxamento da pena de Abdelmassih, afirmando que seus crimes, que afetaram profundamente a vida de dezenas de mulheres, justificam o cumprimento integral de sua sentença em regime fechado.

Repercussão e críticas

O caso de Roger Abdelmassih continua gerando grande repercussão na opinião pública e entre as vítimas, que temem que ele possa usar o argumento da saúde como uma forma de escapar da prisão. O histórico de tentativas anteriores de manipular a Justiça reforça essas preocupações. Abdelmassih já havia conseguido sair da prisão em outras ocasiões, o que gerou revolta entre aqueles que acompanham o caso de perto.

A decisão da juíza Sueli Armani sobre o pedido atual de prisão domiciliar deve ser divulgada nas próximas semanas, após a análise do novo relatório médico. Enquanto isso, o ex-médico permanece internado no sistema penitenciário e sendo monitorado pelos profissionais de saúde da unidade.

Roger Abdelmassih enfrenta uma condenação pesada, e suas repetidas tentativas de conseguir benefícios, como a prisão domiciliar, continuam sendo vistas com desconfiança tanto pelo Judiciário quanto pela sociedade. A análise médica será crucial para determinar se suas condições de saúde realmente justificam o pedido, ou se ele deverá continuar cumprindo sua pena na Penitenciária de Tremembé, onde está detido desde a revogação de sua prisão domiciliar anterior.

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