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Cartões sob suspeita: esquema de manipulação em jogo de Bruno Henrique levanta alerta

Apostas esportivas
Apostas esportivas - Foto: Saulo Ferreira Angelo / Shutterstock.com

Operação Sport-Fixing investiga manipulação de cartões no futebol. Bruno Henrique e apostadores são alvos da Polícia Federal e Ministério Público.

A manipulação de resultados no futebol ganhou novo foco com a Operação Sport-Fixing, em andamento pela Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que investiga o possível envolvimento de atletas e apostadores em esquemas de manipulação de cartões e lances específicos durante as partidas. O caso mais recente envolve o jogador Bruno Henrique, do Flamengo, e coloca em pauta os riscos e a vulnerabilidade do mercado de apostas secundárias, que incluem eventos como cartões amarelos, escanteios e outros lances de jogo.

Como funciona o esquema de manipulação e o mercado de apostas

A prática de manipulação em jogos de futebol tem se mostrado especialmente focada em eventos menos óbvios, como a aplicação de cartões e cobranças de escanteios, considerados mais fáceis de serem ajustados sem alterar diretamente o resultado final. Em vez de interferir no placar, esses esquemas buscam lucrar com apostas secundárias, que incluem previsões de cartões e outras ações específicas de jogo.

Casas de apostas oferecem diversas modalidades de apostas dentro do chamado mercado secundário, onde se pode apostar em eventos como faltas, cartões amarelos, número de escanteios e até laterais. Para apostadores e criminosos, esses lances são menos perceptíveis e muitas vezes passam despercebidos pelo público, facilitando a manipulação.

Os jogadores, ao serem convencidos a cometer uma falta ou forçar um cartão amarelo, aceitam participar desses esquemas sob a justificativa de que isso afeta menos o resultado da partida e, em muitos casos, o valor financeiro oferecido é alto o suficiente para atrair a atenção dos atletas. A promessa de grandes prêmios, alimentada pelas cotações (odds) oferecidas por sites de apostas, cria um cenário propício para o aliciamento de jogadores.

Operação Penalidade Máxima e o caso Romário

A manipulação de lances não é novidade no futebol brasileiro. Em 2022, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) lançou a Operação Penalidade Máxima, que apurava um esquema de manipulação em lances específicos, como escanteios e penalidades máximas, nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Uma das denúncias envolveu o volante Romário, ex-jogador do Vila Nova, que teria aceitado R$ 150 mil para cometer um pênalti em um jogo contra o Sport.

Romário chegou a receber R$ 10 mil de adiantamento, mas acabou nem participando da partida, o que chamou a atenção da diretoria do Vila Nova e levou o presidente do clube, Hugo Jorge Bravo, também policial militar, a investigar o caso e encaminhar as evidências ao MP-GO. O envolvimento direto de dirigentes na busca por justiça mostrou que o futebol brasileiro passa a adotar uma postura mais rigorosa contra manipulações.

A operação revelou que grupos criminosos estariam envolvidos em cooptar jogadores para influenciar lances e aumentar os lucros obtidos com as apostas, em especial nas casas especializadas que oferecem apostas nesses tipos de eventos específicos.

Bruno Henrique e o episódio Flamengo x Santos

O caso de Bruno Henrique, alvo da Operação Sport-Fixing, trouxe novamente o assunto à tona. A suspeita é de que o jogador tenha forçado um cartão amarelo em uma partida contra o Santos, em novembro de 2023, e, em seguida, foi expulso após discutir com o árbitro. A partida, realizada no Estádio Mané Garrincha em Brasília, terminou com vitória do Santos por 2 a 1.

Segundo a investigação, parentes de Bruno Henrique e um grupo ainda não identificado teriam feito apostas no mercado de cartões, esperando que o jogador recebesse pelo menos um amarelo. Após o ocorrido, os investigadores passaram a monitorar o caso, que envolve tanto o Ministério Público do Rio de Janeiro quanto a Polícia Federal. A atuação das autoridades inclui buscas e apreensões em várias cidades, como Belo Horizonte, Lagoa Santa e Vespasiano, todos em Minas Gerais, além do Rio de Janeiro.

Os dados que levantaram suspeitas foram fornecidos por entidades internacionais especializadas em monitoramento de apostas esportivas, como a International Betting Integrity Association (IBIA) e a Sportradar. Ambas as organizações trabalham na identificação de comportamentos suspeitos em apostas de alto risco, o que facilita o trabalho das autoridades na identificação de possíveis manipulações.

Investigações e apreensões realizadas pela PF

Nesta terça-feira, a Polícia Federal cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo a residência do jogador Bruno Henrique, que teve seu celular apreendido. As ações foram autorizadas pela Justiça do Distrito Federal e incluem diversas cidades mineiras. O objetivo é reunir provas e buscar mais evidências sobre o esquema, que pode envolver outros jogadores e apostadores.

As investigações apontam que a manipulação pode ter ocorrido a partir de apostas efetuadas por pessoas próximas ao jogador, o que aumenta a suspeita de um possível conluio entre o atleta e os apostadores. A Polícia Federal está comprometida em desvendar o alcance desse esquema e identificar se outros jogos também foram manipulados por esses mesmos grupos.

O papel da CBF e das instituições de integridade

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teve um papel fundamental ao comunicar às autoridades os primeiros sinais de irregularidades no mercado de cartões. Esse tipo de colaboração é essencial para que investigações como a Sport-Fixing possam avançar e prevenir novas fraudes no esporte. Organizações como a IBIA e a Sportradar trabalham em parceria com ligas e federações para monitorar o mercado e alertar sobre qualquer atividade suspeita, além de fornecer ferramentas e dados que auxiliam nas investigações.

A atuação dessas entidades de integridade no futebol vem se tornando cada vez mais necessária, visto o aumento de casos de manipulação em campeonatos internacionais e a presença crescente de sites de apostas no mercado esportivo. Essa fiscalização constante se mostra um pilar na preservação da credibilidade dos campeonatos e dos clubes envolvidos.

Consequências e o futuro das apostas esportivas

As investigações em torno de Bruno Henrique e de outros jogadores mostram um cenário preocupante no futebol brasileiro. A manipulação de eventos menores, como cartões e escanteios, torna-se atrativa para criminosos, uma vez que oferece lucros altos e riscos relativamente baixos em comparação a esquemas que alteram o resultado final de um jogo. A dificuldade em detectar e comprovar esses atos reforça a necessidade de fiscalização rigorosa.

Para o futuro, uma maior regulamentação e medidas preventivas robustas podem ser necessárias para combater a manipulação em mercados secundários. O futebol, como um dos esportes mais populares e acompanhados, torna-se um campo fértil para apostas, e a integridade das partidas precisa ser preservada. Ações como a Sport-Fixing e Penalidade Máxima destacam a importância de políticas preventivas e de uma cooperação contínua entre clubes, federações e autoridades.

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