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Greve de peritos do INSS: Gilmar Mendes autoriza corte de salários e aciona PGR por abuso

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrentam um novo capítulo em sua paralisação, iniciada em agosto de 2024. Uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada em 3 de abril, rejeitou as alegações da Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) contra medidas do governo federal. A entidade argumentava que o bloqueio de atendimentos e o corte de salários dos grevistas configurariam um ataque ao direito constitucional de greve. Contudo, o magistrado não apenas validou as ações da União como também solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que avalie a abertura de um inquérito policial para investigar possíveis abusos cometidos pela categoria durante o movimento. A determinação reacende o debate sobre os limites da greve em serviços essenciais e os impactos diretos na população que depende das perícias médicas.

A paralisação, que já dura mais de oito meses, tem gerado transtornos significativos para milhões de segurados do INSS. Segundo a ANMP, a fila de espera por benefícios previdenciários pode ter ultrapassado 2,5 milhões de pedidos, um recorde histórico que expõe as fragilidades crônicas do sistema. O movimento grevista surgiu em resposta a mudanças impostas pelo governo, baseadas em um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU), que declarou ilegais partes de um acordo firmado em 2022. Esse acordo havia reduzido em 40% as metas de produtividade dos peritos, algo que a categoria considerava uma conquista. Com a decisão do TCU, o Ministério da Previdência Social implementou um novo Programa de Gestão e Desempenho (PGD), elevando as exigências e levando 91% dos peritos a aderirem ao modelo, enquanto cerca de 10% optaram pela greve parcial.

Gilmar Mendes, em sua decisão, destacou que o direito de greve, embora garantido pela Constituição, não é absoluto. Ele enfatizou que as ações do governo, como o bloqueio das agendas dos peritos grevistas e o redirecionamento dos atendimentos para profissionais não paralisados, foram necessárias para proteger os cidadãos vulneráveis que dependem dos serviços do INSS. O ministro classificou a conduta dos grevistas como potencialmente abusiva, apontando que muitos segurados só descobriam a ausência de atendimento ao chegar às agências, após longas viagens ou em condições de saúde precárias. A medida, segundo ele, está alinhada com a Lei 7.783/89, que regula o direito de greve e exige comunicação prévia de 72 horas em serviços essenciais.

O impacto da greve vai além das estatísticas. Famílias que aguardam benefícios como auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez enfrentam atrasos que comprometem sua subsistência. O INSS, por sua vez, afirma estar reagendando perícias com antecedência para minimizar os prejuízos. Ainda assim, a decisão de Gilmar Mendes reforça a posição do governo, que agora tem respaldo legal para cortar a remuneração dos grevistas, uma medida que pode intensificar o confronto entre a categoria e a administração pública.

  • Medidas do governo: Bloqueio das agendas dos peritos grevistas e redirecionamento de atendimentos.
  • Reação da ANMP: Acusação de “lockout” e pedido de intervenção do STF.
  • Determinação do STF: Validação das ações da União e encaminhamento à PGR para apuração de abusos.

Origem do conflito e os primeiros passos da greve

A tensão entre os peritos médicos federais e o governo federal não é recente. Em 2022, a categoria negociou um acordo com o INSS que reduzia em 40% suas metas de produtividade, uma vitória que, na visão dos médicos, equilibrava as condições de trabalho com a qualidade do atendimento. No entanto, o Tribunal de Contas da União interveio, considerando os termos do acordo ilegais por comprometerem a eficiência do serviço público. A decisão do TCU, publicada em 2024, obrigou o Ministério da Previdência a rever as regras, implementando o novo Programa de Gestão e Desempenho. Esse programa aumentou as exigências de produtividade, o que foi interpretado pela ANMP como uma quebra de confiança e um ataque às conquistas anteriores.

Diante disso, em agosto de 2024, cerca de 10% dos peritos médicos do INSS iniciaram uma greve parcial. A paralisação foi planejada para pressionar o governo a reabrir negociações e atender às demandas por reestruturação da carreira e revisão dos critérios de avaliação. A estratégia incluiu a suspensão de atendimentos presenciais em dias específicos, muitas vezes sem aviso prévio, o que gerou um colapso nas agendas das agências. Segurados relatavam chegar aos postos do INSS após horas de deslocamento, apenas para descobrir que suas perícias haviam sido canceladas. Esse cenário de incerteza alimentou críticas à condução do movimento grevista e abriu espaço para a resposta dura do governo.

O Ministério da Previdência reagiu rapidamente. Um ofício circular determinou o bloqueio total das agendas dos peritos em greve, direcionando os segurados para profissionais que continuavam trabalhando. Além disso, o corte de ponto dos grevistas foi autorizado, medida que a ANMP classificou como “lockout” — uma espécie de paralisação imposta pelo empregador para enfraquecer o movimento. A associação levou o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, em janeiro de 2025, negou um pedido de liminar para suspender essas ações. Insatisfeita, a entidade recorreu ao STF, onde esperava reverter a situação, mas encontrou em Gilmar Mendes uma posição firme em favor da União.

Decisão de Gilmar Mendes e os argumentos do STF

A análise de Gilmar Mendes no STF trouxe uma perspectiva clara sobre o embate. Em sua decisão monocrática, o ministro rejeitou duas reclamações apresentadas pela ANMP. A primeira (RCL 76.723) contestava o bloqueio das agendas dos grevistas, enquanto a segunda (RCL 76.724) buscava reverter alterações feitas pelo INSS no acordo de 2022, já validadas pelo STJ. Para o magistrado, as medidas do governo não violaram o direito de greve, mas sim buscaram garantir a continuidade de um serviço essencial. Ele argumentou que o bloqueio das agendas foi uma resposta administrativa legítima ao caos gerado pela paralisação, especialmente diante da falta de comunicação prévia por parte dos grevistas.

Gilmar foi enfático ao classificar a conduta da categoria como “inaceitável, abusiva, antiética e imoral”. Ele apontou que o movimento ultrapassou os limites da legalidade ao prejudicar diretamente os segurados, muitos dos quais dependem dos benefícios para sobreviver. O ministro lembrou que a Lei 7.783/89 estabelece regras rígidas para greves em serviços essenciais, como a obrigatoriedade de notificar empregadores e usuários com pelo menos 72 horas de antecedência. A ausência desse aviso, segundo ele, configurou um abuso que justificou a intervenção do governo e a solicitação de apuração pela PGR.

Além disso, o magistrado reforçou que o direito de greve não pode se sobrepor ao interesse público. A decisão do STJ, que manteve o corte de ponto e o bloqueio das agendas, foi considerada alinhada às orientações do TCU e à necessidade de proteger os cidadãos. Gilmar destacou que o INSS seguiu um caminho necessário ao reagendar atendimentos e priorizar os peritos não grevistas, evitando um colapso ainda maior no sistema previdenciário.

Impactos na fila do INSS e a resposta do governo

A greve dos peritos médicos tem agravado uma crise já conhecida no INSS: a longa espera por benefícios. Dados divulgados pela ANMP sugerem que, desde o início da paralisação, a fila de requerimentos represados pode ter ultrapassado 2,5 milhões, um marco histórico que reflete tanto os efeitos do movimento quanto os problemas estruturais do instituto. A situação é particularmente grave para quem busca auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, benefícios que exigem perícia médica e frequentemente sustentam pessoas em condições de vulnerabilidade.

O governo, por meio do Ministério da Previdência, reconhece o impacto da paralisação, mas afirma estar tomando medidas para mitigar os danos. Em nota oficial, o órgão informou que as perícias marcadas com médicos grevistas estão sendo automaticamente reagendadas para outros profissionais, uma estratégia que depende da capacidade dos 91% dos peritos que aderiram ao novo PGD. Apesar disso, o volume de pedidos pendentes continua a crescer, e a solução definitiva parece distante enquanto o impasse com a categoria persistir.

A decisão de Gilmar Mendes fortalece a posição da União nesse cenário. Com a validação do corte salarial e do bloqueio de agendas, o governo ganha uma ferramenta adicional para pressionar os grevistas a retornarem ao trabalho. No entanto, a solicitação de investigação pela PGR adiciona uma camada de complexidade, podendo transformar o conflito trabalhista em uma questão jurídica de maior alcance, com possíveis desdobramentos criminais para os líderes do movimento.

  • Bloqueio de agendas: Redirecionamento automático de segurados para peritos ativos.
  • Corte de ponto: Medida autorizada para grevistas, agora respaldada pelo STF.
  • Fila histórica: Estimativa de 2,5 milhões de pedidos pendentes no INSS.

Repercussão entre os peritos e a pressão por negociação

A decisão do STF caiu como um golpe para a Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais. A entidade, que esperava sensibilizar a Corte para sua causa, viu suas reclamações rejeitadas e agora enfrenta a possibilidade de uma investigação policial. Em resposta, a ANMP tem intensificado seu discurso, acusando o governo de adotar práticas autoritárias e de ignorar as demandas legítimas da categoria. A associação defende que o aumento das metas de produtividade, imposto pelo novo PGD, compromete a qualidade das perícias e sobrecarrega os profissionais, justificando a continuidade da greve.

Por outro lado, a pressão por uma solução negociada também cresce. A ANMP insiste na necessidade de uma postura conciliatória por parte da administração pública, argumentando que apenas o diálogo pode regularizar os serviços e atender aos interesses da sociedade. A entidade destaca que a paralisação, embora cause transtornos, é uma resposta a anos de descaso com a carreira dos peritos, marcada por condições precárias e falta de valorização profissional.

Enquanto isso, o governo mantém sua posição firme. O Ministério da Previdência sustenta que o novo programa de gestão é uma evolução necessária e que a adesão de 91% dos peritos demonstra a viabilidade do modelo. A pasta também reforça que o acórdão do TCU deixou poucas opções além de ajustar as metas, descartando a possibilidade de retroceder ao acordo de 2022. Esse impasse sugere que a resolução do conflito dependerá de novos movimentos de ambas as partes, seja por meio de negociações ou de decisões judiciais adicionais.

O que dizem as regras sobre greve em serviços essenciais

A Lei 7.783/89, que regulamenta o direito de greve no Brasil, é um dos pilares da decisão de Gilmar Mendes. Aplicada originalmente ao setor privado, ela foi estendida aos servidores públicos por uma determinação do STF em 2007, diante da ausência de legislação específica para o funcionalismo. No caso dos peritos do INSS, que atuam em um serviço essencial, a norma exige que paralisações sejam comunicadas com antecedência mínima de 72 horas, garantindo que empregadores e usuários possam se organizar para minimizar os impactos.

O descumprimento dessa regra foi um dos principais argumentos usados pelo ministro para classificar a greve como abusiva. Relatos indicam que os peritos grevistas cancelavam atendimentos de forma imprevisível, sem notificar os segurados ou o INSS com o prazo exigido. Essa prática, segundo Gilmar, transformou o exercício do direito de greve em um ato de “insensibilidade e injustiça”, especialmente contra uma população já fragilizada por condições de saúde e dificuldades financeiras.

Outro ponto abordado na decisão foi o equilíbrio entre o direito de greve e a continuidade dos serviços públicos. A jurisprudência do STF reconhece que paralisações em áreas essenciais devem preservar um atendimento mínimo, algo que, na visão do ministro, não foi respeitado pelos peritos. Esse entendimento respalda medidas como o corte de ponto e o bloqueio de agendas, consideradas legais e proporcionais diante dos prejuízos causados à população.

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Prejuízos aos segurados e o papel do INSS

Milhares de brasileiros têm sentido os efeitos diretos da paralisação dos peritos. O INSS é responsável por atender uma demanda que inclui desde trabalhadores afastados por doença até idosos em busca de aposentadoria. A interrupção das perícias médicas, mesmo que parcial, cria um gargalo que pode levar meses ou anos para ser resolvido, agravando a situação de quem depende desses recursos para viver. Em dezembro de 2024, a fila de requerimentos já alcançava 2 milhões, e a estimativa da ANMP de 2,5 milhões reflete uma piora significativa nos últimos meses.

O instituto, por sua vez, tenta conter os danos. A estratégia de reagendamento automático busca evitar que os segurados sejam pegos desprevenidos, mas a adesão de apenas 10% dos peritos à greve é suficiente para sobrecarregar o sistema. Cada perícia cancelada significa um novo agendamento, muitas vezes com datas distantes, o que prolonga a espera e aumenta a insatisfação popular. Em algumas regiões, relatos apontam segurados viajando dezenas de quilômetros apenas para retornar sem atendimento, um quadro que o STF considerou inaceitável.

A decisão de Gilmar Mendes também reflete a preocupação com essa realidade. Ao solicitar que a PGR investigue possíveis abusos, o ministro sinaliza que a greve não pode ser vista apenas como um embate entre peritos e governo, mas como uma questão que afeta diretamente os direitos dos cidadãos. A possibilidade de um inquérito policial, embora ainda em análise, pode servir como um alerta para a categoria reavaliar suas estratégias.

Caminhos possíveis após a decisão do STF

Com a validação das medidas do governo e o encaminhamento do caso à PGR, o futuro da greve dos peritos permanece incerto. A ANMP pode buscar novos recursos judiciais, mas o posicionamento claro de Gilmar Mendes dificulta uma reversão no curto prazo. A investigação solicitada à Procuradoria-Geral da República, caso avance, trará um elemento inédito ao conflito: a possibilidade de responsabilização criminal dos líderes do movimento, o que poderia enfraquecer a paralisação ou escalar as tensões.

Para o governo, a decisão reforça sua autoridade para gerenciar a crise. O corte de salários dos grevistas, agora respaldado pelo STF, é uma medida prática que pode desmobilizar parte dos peritos, especialmente aqueles que dependem da remuneração mensal. Ao mesmo tempo, o Ministério da Previdência enfrenta o desafio de acelerar o atendimento da fila, uma tarefa que exige não apenas a retomada das perícias, mas também investimentos em estrutura e pessoal.

Os segurados, enquanto isso, seguem como os mais afetados. A regularização do serviço depende de um acordo que equilibre as demandas dos peritos com as necessidades da população, algo que até agora parece distante. A decisão do STF, embora resolva uma etapa do impasse, não encerra o debate sobre como conciliar o direito de greve com a prestação de serviços essenciais em um país marcado por desigualdades e dependência do sistema previdenciário.

  • Opções para os peritos: Retomar negociações ou enfrentar sanções judiciais.
  • Desafio do governo: Reduzir a fila de 2,5 milhões de pedidos pendentes.
  • Impacto social: Atrasos nos benefícios afetam milhões de brasileiros vulneráveis.

Cronograma da greve e decisões judiciais

A paralisação dos peritos médicos do INSS segue uma linha do tempo que reflete a escalada do conflito:

  • Agosto de 2024: Início da greve parcial, com adesão de cerca de 10% da categoria.
  • Dezembro de 2024: Fila do INSS atinge 2 milhões de pedidos, segundo dados oficiais.
  • Janeiro de 2025: STJ nega liminar da ANMP contra corte de ponto e bloqueio de agendas.
  • 3 de abril de 2025: Gilmar Mendes rejeita reclamações e solicita investigação da PGR.
  • Abril de 2025 (atual): Estimativa da ANMP aponta fila superior a 2,5 milhões de requerimentos.

Esse calendário mostra como a disputa se arrasta sem solução definitiva, com cada etapa aumentando os prejuízos para os segurados e a pressão sobre as partes envolvidas.

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