Com título no México, Felipe Meligeni alcança 119º lugar na ATP e vive auge aos 27 anos
Aos 27 anos, Felipe Meligeni Alves vive o melhor momento de sua trajetória no tênis profissional. No último domingo, o campineiro ergueu o troféu do Challenger 125 da Cidade do México, seu maior título até hoje, ao derrotar o francês Luka Pavlovic com um duplo 6/3 em apenas 1h02 de partida. A conquista, disputada no saibro da capital mexicana, rendeu 125 pontos no ranking da ATP e impulsionou o brasileiro a 34 posições, alcançando o 119º lugar do mundo, sua melhor marca na carreira. O feito consolida uma fase ascendente, com dois títulos em menos de dois meses, e coloca o atleta mais perto do sonhado top 100.
O torneio na Cidade do México marcou o quinto título de Challenger na carreira de Meligeni, sendo o primeiro na categoria 125, nível mais alto da série. A campanha demonstrou consistência e domínio, especialmente na final, onde o brasileiro não enfrentou break points e aproveitou três das quatro chances de quebra contra Pavlovic, número 296 do mundo. A vitória reforça a boa fase do tenista, que já havia conquistado o Challenger 75 de Mérida, também no México, em março. A sequência de resultados positivos no país rendeu elogios à torcida local, que o abraçou durante toda a competição.
Meligeni celebrou o momento com entusiasmo, destacando a importância do título para sua trajetória. Ele agradeceu o apoio recebido e projetou os próximos passos com otimismo, já focado no Challenger 75 de San Luis Potosí, onde estreou na terça-feira. A rápida ascensão no ranking reflete não apenas o talento do jogador, mas também o trabalho estratégico com sua nova equipe, liderada pelo técnico Franco Ferreiro, com quem iniciou parceria há apenas um mês e meio.
- O maior título da carreira veio com uma premiação de US$ 28,4 mil, cerca de R$ 166 mil.
- Meligeni subiu para o 80º lugar no ranking da temporada, sendo o segundo melhor brasileiro em 2025.
- A conquista garantiu vaga no qualifying do Masters 1000 de Roma, um marco para o tenista.
Uma trajetória de superação
Felipe Meligeni Alves nasceu em Campinas, São Paulo, em 19 de fevereiro de 1998, e cresceu em um ambiente onde o tênis era parte da família. Sobrinho de Fernando Meligeni, ex-número 25 do mundo e semifinalista de Roland Garros em 1999, e irmão de Carol Meligeni, atual 165ª no ranking feminino, Felipe carregou desde cedo a responsabilidade de um sobrenome conhecido no esporte brasileiro. Contudo, sua jornada foi marcada por desafios, incluindo lesões e períodos de instabilidade, que o impediram de alcançar resultados consistentes até recentemente.
O tenista começou a jogar profissionalmente em 2016, mas só em 2020 conquistou seu primeiro título de Challenger, em São Paulo. Nos anos seguintes, acumulou mais três troféus na categoria, todos em torneios de nível 50 ou 75, mas enfrentava dificuldades para romper a barreira do top 150. A mudança para a ADK Tennis, em Itajaí, Santa Catarina, trouxe uma nova perspectiva. Sob a orientação de Franco Ferreiro, ex-jogador profissional e técnico experiente, Meligeni ajustou aspectos técnicos e mentais, o que se refletiu em maior confiança nas quadras.
A temporada de 2025 começou com altos e baixos, mas a decisão de focar em torneios no México, aproveitando o calendário no saibro, revelou-se acertada. Em Mérida, ele venceu o argentino Juan Ficovich na final, marcando 6/2, 1/6 e 6/2, e abriu caminho para uma sequência de cinco torneios consecutivos no país. A escolha por uma agenda intensa, algo que ele raramente fazia no passado, demonstra um novo nível de comprometimento, apontado por analistas como um divisor de águas em sua carreira.
O impacto do título no ranking
A conquista do Challenger 125 da Cidade do México não foi apenas simbólica, mas também estratégica. Os 125 pontos somados elevaram Meligeni de 153º para 119º no ranking mundial, superando sua melhor marca anterior, o 128º lugar alcançado em abril de 2024. Agora, ele está a menos de 100 pontos do top 100, uma meta que parecia distante há poucos meses. A ascensão o coloca como o quarto melhor brasileiro no circuito, atrás de João Fonseca, Thiago Monteiro e Thiago Wild, mas com uma trajetória que aponta para voos mais altos.
No ranking da temporada, que considera apenas os resultados de 2025, Meligeni aparece em 80º, superando Monteiro e Wild. A posição reflete sua regularidade nos últimos torneios e o coloca como o segundo brasileiro mais bem colocado no ano, atrás apenas de Fonseca, que vive grande fase aos 18 anos. A proximidade com o top 100 traz benefícios concretos, como a possibilidade de disputar torneios maiores e evitar rodadas iniciais de qualificação em eventos de nível ATP.
- A distância para Thiago Wild, 112º, é de apenas 51 pontos, acirrando a disputa pelo posto de terceiro melhor brasileiro.
- No ranking do ano, Meligeni está à frente de tenistas como Cristian Garin e Dominik Koepfer.
- A campanha no México garantiu US$ 103,3 mil em premiações na temporada, cerca de R$ 604 mil.
O papel do técnico Franco Ferreiro
Mudar de equipe técnica é sempre um passo arriscado, mas para Felipe Meligeni, a parceria com Franco Ferreiro tem sido transformadora. Iniciada em fevereiro de 2025, a colaboração trouxe resultados imediatos, com dois títulos em menos de dois meses. Ferreiro, que já foi 44º do mundo em duplas e tem experiência como treinador de outros brasileiros, trouxe uma abordagem prática, focada em melhorar o saque e a consistência mental do jogador.
Na final do México, Meligeni demonstrou controle emocional, algo que nem sempre foi sua marca registrada. Ele não cedeu chances de quebra ao adversário e manteve a agressividade mesmo nos momentos de pressão, como no game final do segundo set, onde venceu os quatro pontos disputados. A evolução é creditada ao trabalho diário com Ferreiro, que enfatiza a importância de viver o presente sem se preocupar com metas distantes.
O técnico também ajudou Meligeni a planejar melhor seu calendário, optando por torneios onde ele pudesse acumular pontos e confiança. A escolha pelo México, com cinco eventos consecutivos, foi planejada para aproveitar as condições do saibro, piso onde o brasileiro se sente mais à vontade. A estratégia rendeu não apenas títulos, mas também uma nova mentalidade, com o tenista assumindo maior responsabilidade por sua carreira.
Desafios e próximos passos
Com o título na Cidade do México, Felipe Meligeni consolidou sua posição como um dos principais nomes do tênis brasileiro, mas o caminho até o top 100 ainda exige consistência. O Challenger 75 de San Luis Potosí, onde ele compete nesta semana, oferece uma nova oportunidade de somar pontos. Uma campanha sólida pode levá-lo ao 103º lugar, aproximando-o ainda mais da elite do esporte.
Além dos torneios no México, Meligeni já garantiu vaga no qualifying do Masters 1000 de Roma, que acontece em maio. A classificação para eventos desse porte é um marco, já que permite enfrentar adversários de alto nível e ganhar visibilidade no circuito. No entanto, a concorrência é feroz, com jovens talentos como João Fonseca e veteranos como Thiago Monteiro buscando os mesmos objetivos.
O brasileiro também precisará lidar com a pressão de manter o ritmo em um calendário exigente. Após San Luis Potosí, ele deve retornar à Europa para a temporada de saibro, com torneios preparatórios para Roland Garros. A experiência em quadras lentas será um trunfo, mas a adaptação a diferentes condições e adversários será crucial para sustentar a escalada no ranking.
- San Luis Potosí distribui US$ 100 mil em premiações, com 75 pontos ao campeão.
- Meligeni enfrentou o tunisiano Aziz Dougaz na estreia, vencendo por 6/4 e 7/5.
- Roland Garros, em maio, é o próximo Grand Slam no radar do brasileiro.
A força do saibro mexicano
O México tem se tornado um palco especial para Felipe Meligeni. Além dos títulos em Mérida e na Cidade do México, o brasileiro acumula vitórias expressivas contra adversários bem ranqueados no país, como o chileno Cristian Garin, ex-top 20, e o suíço Marc Huesler, ex-top 50. As condições do saibro, combinadas com a altitude da Cidade do México, favorecem seu estilo de jogo, que privilegia trocas longas e consistência do fundo de quadra.
A torcida mexicana também desempenhou um papel importante, apoiando o brasileiro em todos os jogos. Meligeni fez questão de destacar a energia positiva que recebeu, especialmente na final, onde o público lotou as arquibancadas do Mexico City Open. O torneio, aliás, foi eleito o melhor da série Challenger em 2024, o que adiciona ainda mais peso à conquista.
O sucesso no México reforça a importância de escolher torneios estratégicos. Enquanto muitos jogadores optam por eventos na Europa ou nos Estados Unidos, Meligeni encontrou no saibro mexicano um ambiente ideal para evoluir. A sequência de cinco torneios no país, algo incomum em sua carreira, mostra uma mudança de mentalidade, com maior foco em resultados a longo prazo.
Um marco para o tênis brasileiro
A ascensão de Felipe Meligeni é uma boa notícia para o tênis masculino brasileiro, que vive um momento de renovação. Com João Fonseca despontando como promessa, Thiago Monteiro mantendo regularidade e Thiago Wild buscando recuperação, o país tem quatro representantes entre os 120 melhores do mundo, algo raro nas últimas décadas. Meligeni, com sua experiência e determinação, complementa esse grupo, trazendo equilíbrio entre juventude e maturidade.
O título no México também destaca o trabalho de base feito em clubes como o Itamirim, em Itajaí, que investe na formação de atletas. A ADK Tennis, responsável pela carreira de Meligeni, tem parcerias com patrocinadores locais e apoio da Confederação Brasileira de Tênis, o que garante estrutura para o desenvolvimento do jogador. Esse modelo, se replicado, pode fortalecer ainda mais o esporte no país.
A trajetória de Meligeni inspira outros tenistas brasileiros, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades para se firmar no circuito. Sua persistência, aliada à decisão de mudar de equipe e abraçar um calendário mais robusto, mostra que é possível alcançar grandes resultados com planejamento e dedicação. O campineiro agora está a poucos passos do top 100, um objetivo que, há poucos meses, parecia distante.
Calendário e próximas metas
Felipe Meligeni tem uma agenda cheia nas próximas semanas, com foco em manter a boa fase e acumular pontos. Após San Luis Potosí, ele deve competir em torneios na Europa, preparando-se para a temporada de saibro que culmina em Roland Garros. O qualifying de Roma, garantido com o ranking atual, será uma chance de testar seu jogo contra adversários de nível superior.
- Abril: Challenger 75 de San Luis Potosí (México) – em andamento.
- Maio: Qualifying do Masters 1000 de Roma (Itália).
- Maio/Junho: Roland Garros (França) – tentativa de vaga no qualifying.
- Junho: Possíveis Challengers na Europa, dependendo do ranking.
O tenista também planeja disputar mais eventos de nível ATP, como os torneios 250, onde pode enfrentar top 50 e ganhar experiência. A consistência será fundamental para manter a escalada no ranking e evitar quedas, algo que marcou sua carreira em anos anteriores. Com o apoio de sua equipe e a confiança renovada, Meligeni tem tudo para consolidar seu nome no circuito.
O peso do sobrenome Meligeni
Carregar o sobrenome Meligeni é ao mesmo tempo uma honra e um desafio. Fernando Meligeni, tio de Felipe, é uma figura icônica no tênis brasileiro, conhecido por sua garra e carisma. Suas conquistas, como o ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003 e finais em torneios ATP, estabeleceram um padrão elevado. Felipe, no entanto, tem construído sua própria história, com um estilo de jogo mais técnico e menos explosivo que o do tio.
A relação com a irmã, Carol Meligeni, também é um fator motivador. Apesar de competirem em circuitos diferentes, os dois compartilham experiências e se apoiam mutuamente. Carol, que já venceu torneios ITF e busca subir no ranking WTA, celebrou o título do irmão nas redes sociais, reforçando a união da família. Para Felipe, ter referências tão próximas ajuda a manter o foco, especialmente nos momentos de dificuldade.
O sucesso recente também trouxe comparações com Fernando, mas Felipe prefere destacar sua individualidade. Em entrevistas, ele reconhece a influência do tio, mas enfatiza que seu objetivo é criar um legado próprio. A conquista na Cidade do México é um passo importante nesse sentido, mostrando que ele pode brilhar sem depender apenas do sobrenome.
Números que impressionam
A campanha de Felipe Meligeni no México foi marcada por números expressivos, que ilustram sua superioridade em quadra. Na final contra Luka Pavlovic, ele venceu 81% dos pontos com o primeiro saque e converteu três de quatro break points, demonstrando eficiência nos momentos decisivos. Ao longo do torneio, enfrentou adversários como Alfredo Perez e Marc Huesler, vencendo todos sem perder sets até a semifinal.
- Percentual de primeiros saques na final: 74% no primeiro set, 82% no segundo.
- Tempo médio de jogos no torneio: 1h30, com a final sendo a mais curta.
- Pontos acumulados em 2025: 506, suficiente para o 119º lugar mundial.
- Vitórias no México em 2025: 12, com apenas duas derrotas em cinco torneios.
Esses dados reforçam a evolução do brasileiro, que agora combina técnica com resistência física, algo que era apontado como uma fraqueza no passado. A preparação em Itajaí, com treinos intensos e foco no condicionamento, tem feito a diferença, permitindo que ele suporte sequências longas de jogos sem perder o ritmo.
O que esperar do futuro
Aos 27 anos, Felipe Meligeni está no auge de sua forma física e mental, mas o tênis é um esporte que exige renovação constante. Para alcançar o top 100, ele precisará manter a regularidade e evitar lesões, que já atrapalharam sua carreira em outros momentos. A experiência adquirida nos últimos anos, somada ao suporte de uma equipe sólida, dá ao brasileiro uma base para sonhar alto.
O próximo grande objetivo é disputar a chave principal de um Grand Slam, algo que ele ainda não conseguiu. Roland Garros, por suas características, é o torneio mais acessível para isso, e uma boa campanha nos qualis pode abrir portas. Além disso, torneios ATP 250, como os de Umag e Gstaad, são alvos realistas para 2025, onde Meligeni pode surpreender adversários mais bem ranqueados.
A trajetória de Meligeni também serve como exemplo para jovens tenistas brasileiros. Sua capacidade de se reinventar, mudar de equipe e abraçar desafios mostra que o sucesso no tênis exige paciência e trabalho árduo. Com o top 100 ao alcance, o campineiro tem a chance de marcar seu nome na história do esporte nacional, seguindo os passos do tio, mas com sua própria identidade.














