Receita Federal

Governo amplia isenção do IR para dois salários mínimos

Receita Federal imposto de renda
Receita Federal imposto de renda - Foto: rafastockbr/ Shutterstock.com Receita Federal imposto de renda - Foto: rafastockbr/ Shutterstock.com

A partir de maio de 2025, trabalhadores que recebem até R$ 3.036 por mês, equivalente a dois salários mínimos, estão isentos do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF). A mudança, que entrou em vigor no dia 1º, cumpre uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando a política de alívio fiscal para a população de menor renda. A nova tabela do IR, publicada por Medida Provisória (MP), ajusta as faixas de isenção considerando o salário mínimo de R$ 1.518, estabelecido em janeiro.

Essa atualização, no entanto, não altera as faixas superiores da tabela progressiva, que permanecem intocadas desde 2015. Milhões de brasileiros sentirão os efeitos da isenção ao declarar o IRPF em 2026, com base nos rendimentos de 2025. A medida também reflete esforços do governo para adequar a política tributária à realidade econômica, marcada por um salário mínimo com ganho real acima da inflação.

Principais pontos da nova tabela do IR:

  • Isenção para rendimentos até R$ 2.428,80 mensais.
  • Alíquota de 7,5% para rendimentos entre R$ 2.428,81 e R$ 2.826,65.
  • Alíquota de 15% para rendimentos entre R$ 2.826,66 e R$ 3.751,05.
  • Alíquotas de 22,5% e 27,5% para faixas superiores, sem mudanças.

Alívio fiscal para trabalhadores

A isenção do IR para quem ganha até dois salários mínimos beneficia diretamente cerca de 59 milhões de brasileiros, segundo estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esse grupo inclui trabalhadores formais, aposentados e beneficiários de programas sociais que têm seus rendimentos atrelados ao salário mínimo. A medida é vista como um passo para reduzir a carga tributária sobre a população de baixa renda, especialmente em um cenário de aumento do custo de vida.

O governo enfrentou desafios para implementar a mudança. A Medida Provisória que atualizou a isenção só foi publicada em abril, devido à demora na aprovação do orçamento de 2025. O atraso gerou críticas de parlamentares da oposição, que apontaram falta de planejamento. Mesmo assim, a MP garantiu que a isenção acompanhasse o novo valor do salário mínimo, mantendo a promessa de campanha.

A nova legislação também ajustou a metodologia de cálculo do salário mínimo. Além de considerar a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o cálculo incorpora o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores, com um teto de 2,5%. Essa fórmula resultou em um salário mínimo de R$ 1.518, que representa um ganho real para trabalhadores e beneficiários de programas sociais.

Projeto de reforma ampla

Um projeto de lei enviado ao Congresso em março de 2025 propõe uma reforma mais abrangente do Imposto de Renda. A proposta inclui isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês e introduz alíquotas adicionais para rendimentos acima de R$ 600 mil. O objetivo é compensar a perda de arrecadação com a isenção de faixas mais baixas, tornando o sistema tributário mais progressivo.

A tramitação do projeto, no entanto, enfrenta obstáculos. Parlamentares da base governista defendem a aprovação ainda em 2025, para que as mudanças entrem em vigor em 2026. Já a oposição questiona a viabilidade fiscal da proposta, exigindo maior clareza sobre os impactos na arrecadação federal. O texto segue em análise nas comissões da Câmara dos Deputados, sem data definida para votação.

Detalhes do projeto de reforma:

  • Isenção para rendimentos até R$ 5 mil mensais.
  • Alíquotas fixas adicionais para rendas acima de R$ 600 mil.
  • Revisão das deduções permitidas, como despesas médicas e educação.
  • Prazo de implementação previsto para 2026, se aprovado.

Ajustes na política salarial

O salário mínimo de R$ 1.518, vigente desde janeiro, serve como base para diversos benefícios sociais e previdenciários. Cerca de 19 milhões de aposentados e pensionistas recebem esse valor, segundo o Dieese. Programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também usam o salário mínimo como referência, ampliando o alcance da política de isenção do IR.

A nova metodologia de cálculo do salário mínimo, sancionada em dezembro de 2024, garante aumentos reais anuais. A fórmula considera o INPC e o PIB, mas o teto de 2,5% para o ganho real gerou debates. Sindicatos argumentam que o limite restringe avanços salariais, enquanto o governo defende que a medida equilibra as contas públicas e beneficia milhões de trabalhadores.

Benefícios para a população

A isenção do IR para dois salários mínimos impacta diretamente o orçamento de trabalhadores de baixa renda. Um auxiliar administrativo que ganha R$ 2.800 por mês, por exemplo, deixará de pagar a alíquota de 7,5% sobre parte de sua renda. Essa economia, embora pequena, pode ser direcionada para despesas essenciais, como alimentação e transporte.

A medida também beneficia aposentados que recebem o salário mínimo. Com a isenção, esses cidadãos terão maior poder de compra, especialmente em um contexto de preços elevados para itens básicos. Dados do IBGE mostram que alimentos e bebidas representam cerca de 25% do orçamento das famílias de baixa renda, tornando qualquer alívio fiscal significativo.

Outros impactos da isenção:

  • Aumento do poder de compra para 59 milhões de brasileiros.
  • Redução da carga tributária para trabalhadores formais.
  • Fortalecimento de programas sociais atrelados ao salário mínimo.
  • Estímulo ao consumo em setores como varejo e serviços.

Tramitação orçamentária

A demora na aprovação do orçamento de 2025 foi um obstáculo para a implementação da isenção do IR. O texto, sancionado em abril, exigiu negociações entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Um dos pontos de tensão foi a transparência nas emendas parlamentares, que consomem parte significativa dos recursos federais. O acordo firmado garantiu maior rastreabilidade, mas expôs fragilidades na articulação política do governo.

A Medida Provisória que atualizou a isenção do IR foi publicada logo após a sanção do orçamento. O texto ajustou a faixa de isenção para R$ 3.036, considerando o novo salário mínimo. A MP tem validade imediata, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para se tornar lei permanente.

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Receita Federal – Foto: Marcelo Ricardo Daros / Shutterstock.com

Faixas inalteradas

As faixas superiores da tabela do IR, que afetam rendimentos acima de R$ 3.751,05, não sofreram alterações desde 2015. Essa defasagem é alvo de críticas de economistas, que apontam a falta de correção pela inflação como um fator de aumento da carga tributária. Um trabalhador que ganha R$ 4.000 por mês, por exemplo, paga 22,5% de IR sobre parte de sua renda, sem ajustes que reflitam a alta dos preços.

O governo argumenta que a prioridade é beneficiar as faixas de menor renda, mas a estagnação das faixas superiores gera insatisfação entre a classe média. A proposta de reforma ampla do IR, em tramitação, busca corrigir essa distorção, mas a aprovação depende de consenso político.

Benefícios sociais ampliados

Programas como o Bolsa Família, que atendem milhões de famílias, têm seus valores atrelados ao salário mínimo. O aumento real de 2025 fortalece esses benefícios, garantindo maior segurança financeira para os beneficiários. O BPC, pago a idosos e pessoas com deficiência, também acompanha o salário mínimo, ampliando o alcance da isenção do IR.

Cerca de 5 milhões de famílias recebem o Bolsa Família, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. A isenção do IR para rendimentos até R$ 3.036 beneficia diretamente os trabalhadores informais que complementam a renda com o programa, reduzindo a pressão financeira.

Mudanças nos benefícios sociais:

  • Bolsa Família atende 5 milhões de famílias.
  • BPC beneficia idosos e pessoas com deficiência.
  • Aposentadorias e pensões seguem o salário mínimo.
  • Isenção do IR amplia poder de compra.

Debate no Congresso

A proposta de reforma ampla do IR enfrenta resistências no Congresso. Parlamentares da oposição questionam a criação de alíquotas adicionais para altas rendas, alegando que a medida pode desestimular investimentos. Já a base governista defende que a reforma tornará o sistema tributário mais justo, reduzindo desigualdades.

A tramitação do projeto ganhou destaque em audiências públicas, com participação de economistas e representantes sindicais. O texto propõe deduções simplificadas para despesas como saúde e educação, mas a complexidade do tema exige amplo debate. A expectativa é que a votação ocorra até o fim de 2025, mas não há garantias.

Ajustes econômicos

O aumento real do salário mínimo e a isenção do IR refletem a política econômica do governo Lula, focada na redistribuição de renda. Dados do IBGE mostram que o consumo das famílias representa cerca de 60% do PIB, tornando medidas como a isenção do IR estratégicas para estimular a economia. O varejo e os serviços, setores sensíveis ao poder de compra, já registram expectativas de crescimento para 2025.

A inflação, medida pelo INPC, foi um fator determinante para o cálculo do salário mínimo. Em 2024, o índice acumulou alta de cerca de 4%, mas o ganho real do salário mínimo superou essa marca, beneficiando trabalhadores e aposentados. A política de valorização salarial, iniciada em 2023, busca recuperar perdas acumuladas em anos anteriores.

Planejamento fiscal

A isenção do IR para dois salários mínimos exigiu ajustes no planejamento fiscal do governo. A perda de arrecadação, estimada em bilhões de reais, será parcialmente compensada pelo crescimento econômico projetado para 2025. O governo também aposta na aprovação da reforma ampla do IR para equilibrar as contas públicas.

A Medida Provisória que atualizou a isenção foi elaborada com base em estudos do Ministério da Fazenda. O texto considera o impacto fiscal da medida e projeta cenários para os próximos anos. A aprovação do orçamento de 2025, apesar do atraso, garantiu os recursos necessários para implementar a isenção.

Principais pontos do planejamento fiscal:

  • Perda de arrecadação compensada por crescimento econômico.
  • Reforma ampla do IR para equilibrar contas públicas.
  • Estudos do Ministério da Fazenda embasam a MP.
  • Orçamento de 2025 assegura recursos para a isenção.
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