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Trabalho em feriados terá novas normas em 2025: saiba como se preparar

Carteira de Trabalho
Carteira de Trabalho - Foto: Brenda Rocha - Blossom/Shutterstock.com Carteira de Trabalho - Foto: Brenda Rocha - Blossom/Shutterstock.com

A partir de 1º de julho de 2025, o Brasil implementará mudanças significativas nas normas trabalhistas que regulamentam o trabalho em feriados, com impactos diretos para empregadores e trabalhadores, especialmente nos setores de comércio e serviços. Publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a Portaria nº 3.665/2023 estabelece a obrigatoriedade de negociações coletivas para autorizar o trabalho nesses dias, revogando permissões automáticas de portarias anteriores. A medida, que reforça a proteção dos direitos trabalhistas, também introduz maior flexibilidade na forma como as horas trabalhadas serão compensadas, seja por pagamento adicional ou outros acordos. Essas alterações buscam equilibrar as necessidades operacionais das empresas com as garantias dos empregados, promovendo um ambiente de trabalho mais justo. A nova regulamentação, que teve sua entrada em vigor adiada por três vezes desde sua publicação em novembro de 2023, agora exige que empresas e sindicatos cheguem a acordos claros antes de operar em feriados.

As mudanças são vistas como um avanço na proteção dos trabalhadores, mas também geram debates. Enquanto sindicatos celebram o fortalecimento de sua influência nas negociações, setores do comércio alertam para possíveis impactos na competitividade e na geração de empregos. Para entender o alcance dessas novas regras, é essencial que empregadores e trabalhadores se preparem, revisando contratos, políticas internas e escalas de trabalho. A seguir, alguns pontos centrais da nova legislação:

  • Negociação coletiva obrigatória: Empresas do comércio e serviços precisarão de acordos com sindicatos para operar em feriados, exceto em setores essenciais.
  • Flexibilidade na compensação: Trabalhadores não serão mais obrigados a compensar horas com folgas, podendo receber pagamento extra ou outras formas de acordo.
  • Respeito às leis municipais: O funcionamento em feriados deve seguir regulamentações locais, que variam entre cidades.
  • Direitos mantidos: A remuneração em dobro ou folga compensatória continua garantida para quem trabalhar em feriados.

A transição para as novas regras exige planejamento. Empresas devem iniciar diálogos com sindicatos o quanto antes, enquanto trabalhadores precisam se informar sobre seus direitos para garantir que os acordos sejam justos.

O que muda na prática para o trabalho em feriados
A principal alteração trazida pela Portaria nº 3.665/2023 é a exigência de que o trabalho em feriados, especialmente no comércio e em serviços não essenciais, seja autorizado por meio de convenções coletivas. Anteriormente, a Portaria nº 671/2021 permitia maior liberdade, autorizando o trabalho em feriados sem necessidade de acordos sindicais, o que foi considerado ilegal por contrariar a Lei nº 10.101/2000, alterada pela Lei nº 11.603/2007. Essa lei já determinava que o funcionamento do comércio em feriados dependesse de negociação entre empregadores e representantes dos trabalhadores, além de observar legislações municipais.

Com a nova portaria, empresas como supermercados, farmácias e varejistas perdem a permissão automática para operar em feriados. Agora, cada acordo coletivo deve detalhar condições como formas de compensação, horários de trabalho e benefícios adicionais. Essa mudança reforça o papel dos sindicatos, que passam a ter maior influência na definição das condições de trabalho. Para trabalhadores, isso pode significar negociações mais vantajosas, com adicionais superiores aos 100% previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou folgas mais flexíveis.

Por outro lado, a obrigatoriedade de acordos coletivos pode gerar desafios para pequenas empresas, que muitas vezes não possuem estruturas robustas de diálogo com sindicatos. Além disso, as diferenças nas legislações municipais exigem que empregadores estejam atentos às regras específicas de cada cidade, o que pode complicar a operação de redes com filiais em várias regiões.

Direitos dos trabalhadores preservados
Apesar das mudanças, os direitos fundamentais dos trabalhadores durante os feriados permanecem inalterados. A CLT garante que, ao trabalhar em feriados, o empregado tenha direito a:

  • Remuneração em dobro: O pagamento deve ser no mínimo 100% superior ao valor da hora normal, ou seja, o dobro por cada hora trabalhada.
  • Folga compensatória: Alternativamente, o empregador pode oferecer uma folga em outro dia, desde que prevista em acordo coletivo ou contrato.
  • Descanso semanal: Ninguém pode trabalhar sete dias consecutivos sem descanso, conforme o artigo 67 da CLT.
  • Transparência: As escalas de trabalho devem ser divulgadas com antecedência, permitindo que o trabalhador planeje sua rotina.

A nova legislação, no entanto, elimina a obrigatoriedade de compensar horas trabalhadas em feriados com folgas, dando às empresas a opção de pagar o adicional ou negociar outras formas de compensação. Essa flexibilidade pode beneficiar setores com alta demanda em datas específicas, como o comércio durante feriados prolongados ou o setor de saúde em períodos de maior movimentação.

Setores mais afetados pelas mudanças
As novas regras impactam principalmente o setor privado, com destaque para o comércio varejista e de serviços. Supermercados, farmácias, lojas de roupas e outros estabelecimentos que tradicionalmente operam em feriados agora dependem de acordos coletivos para funcionar. Setores essenciais, como saúde, transporte público, segurança e energia, não serão afetados, pois a CLT já permite sua operação contínua em feriados e domingos, desde que respeitadas as escalas de revezamento e compensações.

No turismo, bares, restaurantes e hotéis também enfrentam mudanças, mas muitos já possuem convenções coletivas que autorizam o trabalho em feriados. Nesses casos, a nova portaria reforça a necessidade de formalizar esses acordos, garantindo que os trabalhadores recebam compensações adequadas. Para empregadores, a exigência de negociação pode aumentar os custos operacionais, especialmente se os sindicatos exigirem adicionais superiores ao mínimo legal.

Ministério do Trabalho e Emprego
Ministério do Trabalho e Emprego – Foto: Instagram/Gov.br

Impacto no setor público
Embora as mudanças sejam mais direcionadas ao setor privado, algumas instituições públicas também podem adotar as novas normas, especialmente em áreas que operam em feriados, como saúde e segurança. Nesses casos, os acordos devem respeitar as convenções coletivas ou regulamentos internos, garantindo que os servidores públicos tenham seus direitos preservados. A flexibilidade na compensação de horas pode facilitar a gestão de escalas em hospitais públicos ou serviços de emergência, mas a implementação dependerá de cada órgão.

Como as empresas devem se preparar
Para cumprir as novas exigências, as empresas precisam agir com antecedência. A transição para a nova legislação exige ajustes em políticas internas e diálogo constante com sindicatos. Algumas medidas recomendadas incluem:

  • Iniciar negociações cedo: Firmar acordos coletivos com sindicatos antes de julho de 2025, detalhando compensações e escalas.
  • Revisar contratos: Garantir que os contratos de trabalho reflitam as novas regras, incluindo formas de compensação.
  • Treinar equipes de RH: Capacitar o departamento de recursos humanos para monitorar convenções coletivas e cumprir a legislação.
  • Acompanhar leis municipais: Verificar as regulamentações locais para evitar infrações.
  • Investir em tecnologia: Adotar sistemas de gestão de jornada para registrar horas extras e compensações com precisão.

Empresas que não se adequarem às novas regras podem enfrentar multas e autuações por parte da fiscalização trabalhista. Além disso, a falta de acordos claros pode gerar conflitos com trabalhadores, prejudicando a relação empregador-empregado.

Orientações para os trabalhadores
Os trabalhadores também têm um papel ativo na transição para as novas regras. Estar informado sobre seus direitos é essencial para garantir que os acordos coletivos sejam justos. Algumas ações recomendadas incluem:

  • Consultar sindicatos para entender os termos das negociações.
  • Verificar se o pagamento de horas extras ou folgas está de acordo com a CLT.
  • Acompanhar as escalas de trabalho para evitar jornadas exaustivas.
  • Buscar orientação jurídica em caso de dúvidas ou irregularidades.

A conscientização sobre as mudanças é especialmente importante em setores como o comércio, onde o trabalho em feriados é comum. Participar de assembleias sindicais e acompanhar as negociações pode ajudar os trabalhadores a garantir melhores condições, como adicionais mais altos ou folgas estratégicas.

Benefícios e desafios da nova legislação
A Portaria nº 3.665/2023 busca promover um equilíbrio entre as necessidades das empresas e os direitos dos trabalhadores. Entre os benefícios esperados, destaca-se a maior segurança jurídica, já que a exigência de negociações coletivas reduz ambiguidades nas condições de trabalho. Para os trabalhadores, a possibilidade de acordos mais vantajosos pode melhorar a renda ou a qualidade de vida, especialmente em setores que dependem de feriados para aumentar o faturamento.

No entanto, a nova regulamentação também apresenta desafios. A obrigatoriedade de acordos coletivos pode sobrecarregar pequenas empresas, que muitas vezes não têm experiência em negociações sindicais. Além disso, a variação nas leis municipais exige que empregadores invistam em conformidade local, o que pode ser complexo para redes nacionais. Para os trabalhadores, o sucesso das negociações dependerá da força dos sindicatos, que nem sempre representam igualmente todas as categorias.

Próximos passos até julho de 2025
Com a entrada em vigor marcada para 1º de julho de 2025, o período de transição é crucial. O Ministério do Trabalho e Emprego recomenda que empresas e sindicatos comecem a se preparar imediatamente, revisando políticas e alinhando expectativas. O adiamento da portaria, que originalmente entraria em vigor em 2024, foi motivado por pressões do setor produtivo e debates no Congresso, que buscavam mais tempo para adaptação. Agora, com a data confirmada, não há previsão de novos adiamentos.

Os trabalhadores devem aproveitar os próximos meses para se informar e participar ativamente das negociações por meio de seus representantes sindicais. A clareza nos acordos será essencial para evitar conflitos e garantir que as compensações sejam justas. Para as empresas, investir em conformidade legal e diálogo com os sindicatos pode não apenas evitar penalidades, mas também fortalecer a relação com os funcionários, promovendo um ambiente de trabalho mais produtivo.

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