Homem que arrancou coração da tia em Sorriso é transferido para SP sob supervisão após deixar hospital psiquiátrico
Lumar Costa da Silva, de 34 anos, responsável pelo assassinato brutal de sua tia, Maria Zélia da Silva, em 2019, em Sorriso, Mato Grosso, recebeu alta médica do Centro Integrado de Atenção Psicossocial à Saúde Adauto Botelho (CIAPS), em Cuiabá, na última quarta-feira, 18 de junho de 2025. A decisão judicial, assinada pelo juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, determina que ele deixe a internação psiquiátrica e passe a cumprir medidas de segurança em Campinas, São Paulo, sob acompanhamento intensivo no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). O caso, que chocou a população pela violência, levanta debates sobre saúde mental, justiça e reintegração social. Laudos médicos apontam estabilidade clínica, mas exigem supervisão contínua devido ao histórico de transtorno afetivo bipolar e uso de substâncias psicoativas.
A trajetória de Lumar, marcada por episódios de violência e instabilidade psiquiátrica, começou a ganhar notoriedade após o crime em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. Ele confessou ter matado a tia, de 55 anos, e entregado o coração da vítima à filha dela, alegando ter ouvido “vozes do universo”. O caso gerou comoção e indignação, especialmente pela frieza do autor. Agora, a mudança para São Paulo, sob rígidas condições judiciais, reacende a discussão sobre o acompanhamento de indivíduos com transtornos mentais graves após crimes violentos.
- Principais condições impostas pela Justiça:
- Acompanhamento ambulatorial intensivo no CAPS de Campinas.
- Proibição de deixar a cidade sem autorização judicial.
- Restrição ao consumo de álcool e drogas.
- Supervisão por equipe multiprofissional e responsável legal.
A decisão judicial reflete um equilíbrio entre a necessidade de tratamento e a proteção da sociedade, considerando o histórico do paciente e os laudos psiquiátricos apresentados.
Detalhes da decisão judicial
A liberação de Lumar do CIAPS foi fundamentada em laudos médicos que confirmam sua estabilidade clínica, embora ele ainda necessite de tratamento psiquiátrico por tempo indeterminado. O juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto destacou que a internação não é mais necessária, mas impôs medidas de segurança rigorosas para garantir que o paciente siga o tratamento e não represente risco à sociedade. A transferência para Campinas, onde Lumar possui laços familiares, foi autorizada com a condição de supervisão constante por uma equipe multiprofissional, incluindo psiquiatras.
O documento judicial especifica que Lumar está proibido de frequentar locais como casas de jogos, prostíbulos ou ambientes associados ao consumo de substâncias ilícitas. Além disso, qualquer deslocamento fora de Campinas exige aprovação prévia da Justiça. Essas restrições buscam minimizar os riscos de reincidência, considerando o histórico de impulsividade e episódios psicóticos relatados nos laudos.
A decisão também reflete a complexidade do caso, que envolve a interseção entre saúde mental e sistema penal. Lumar foi absolvido em 2022 por inimputabilidade, ou seja, por não ter plena capacidade de responder pelos seus atos no momento do crime, devido ao diagnóstico de transtorno afetivo bipolar. Desde então, ele permaneceu internado em regime de custódia, mas a evolução de seu quadro clínico permitiu a transição para o tratamento ambulatorial.
Relembrando o crime em Sorriso
O assassinato de Maria Zélia da Silva, em julho de 2019, chocou a cidade de Sorriso e ganhou repercussão nacional pela brutalidade. Lumar, que havia chegado ao Mato Grosso apenas quatro dias antes, após tentar matar sua mãe em Campinas, cometeu o crime na casa da tia. Segundo a Polícia Civil, ele esfaqueou a vítima e arrancou seu coração, entregando-o à filha dela. A frieza do ato e a confissão pública, na qual ele afirmou não sentir remorso, intensificaram a indignação da comunidade.
Maria Zélia, uma mulher religiosa de 55 anos, havia acolhido o sobrinho, mas se sentia incomodada com seu comportamento, especialmente pelo uso de drogas. A família chegou a providenciar uma quitinete para Lumar, na tentativa de afastá-lo da casa da tia. No entanto, dias após a mudança, ele cometeu o crime. Durante o depoimento à polícia, Lumar permaneceu em silêncio, mas, ao sair, declarou à imprensa que o “universo” o orientou a matar.
- Fatos marcantes do caso:
- Lumar chegou a Sorriso em 28 de junho de 2019.
- O crime ocorreu em 10 de julho, após desentendimentos com a tia.
- Ele confessou o ato e disse ouvir “vozes” que o instruíram.
- A vítima era conhecida na comunidade por sua religiosidade.
O caso expôs as dificuldades de lidar com indivíduos com transtornos mentais graves, especialmente em contextos de violência extrema.
Diagnóstico e saúde mental
Os laudos psiquiátricos apresentados à Justiça oferecem um panorama detalhado do estado mental de Lumar. O terceiro laudo, elaborado pelo psiquiatra forense Rafael de Paula Giusti, confirmou o diagnóstico de transtorno afetivo bipolar tipo I, caracterizado por episódios de mania, humor expansivo e impulsividade. O documento aponta que o uso de substâncias psicoativas, como LSD, agravou os sintomas psicóticos no momento do crime, aumentando a probabilidade de comportamentos violentos.
Pacientes com esse transtorno podem apresentar alterações significativas no juízo e no autocontrole, o que, aliado ao consumo de drogas, eleva o risco de atos impulsivos. O laudo destaca que indivíduos com transtorno bipolar que usam substâncias alucinógenas têm uma probabilidade dez vezes maior de cometer crimes violentos em comparação com a população geral.
Apesar do diagnóstico, a evolução clínica de Lumar nos últimos anos foi considerada suficiente para a alta do regime de internação. No entanto, o tratamento ambulatorial intensivo é indispensável, com acompanhamento regular para evitar recaídas. A Justiça reforçou a importância de uma supervisão rigorosa, considerando os episódios anteriores de violência, como a tentativa de enforcar outro preso durante uma transferência em 2019.
Medidas de segurança e acompanhamento
As medidas impostas pela Justiça para a transferência de Lumar a Campinas são detalhadas e visam garantir a segurança pública enquanto permitem a continuidade do tratamento. O acompanhamento no CAPS inclui consultas regulares com psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, além de monitoramento por um responsável legal.
- Obrigações de Lumar em Campinas:
- Comparecer a todas as consultas no CAPS.
- Abster-se de consumir álcool ou drogas.
- Não frequentar locais de risco, como casas de jogos.
- Solicitar autorização judicial para sair da cidade.
- Submeter-se a avaliações periódicas de saúde mental.
A escolha de Campinas como destino reflete a presença de familiares na cidade, o que pode facilitar o suporte social e emocional. No entanto, a Justiça deixou claro que qualquer descumprimento das medidas pode resultar em novas sanções, incluindo a possibilidade de reinternação.
Impacto na comunidade de Sorriso
O caso de Maria Zélia deixou marcas profundas em Sorriso, uma cidade conhecida pela produção agrícola e pela tranquilidade. A violência do crime, aliada à confissão pública de Lumar, gerou um sentimento de insegurança entre os moradores. A absolvição do autor em 2022, por inimputabilidade, também foi recebida com controvérsia, com muitos questionando como alguém responsável por um ato tão grave poderia ser liberado do sistema penal.
A notícia da alta médica e da transferência para São Paulo reacendeu o debate na comunidade. Moradores expressaram preocupação com a possibilidade de Lumar representar um risco, mesmo sob acompanhamento. A família de Maria Zélia, embora menos presente na mídia nos últimos anos, continua lidando com a dor da perda.
A história de Lumar Costa da Silva é um lembrete dos desafios enfrentados pelo sistema de justiça e saúde mental no Brasil. A interseção entre transtornos psiquiátricos, uso de substâncias e crimes violentos exige abordagens integradas, que combinem tratamento, supervisão e proteção à sociedade. A transferência para Campinas marca um novo capítulo, mas a vigilância sobre o caso permanece essencial.














