A partir de 2025, milhões de trabalhadores brasileiros com carteira assinada podem enfrentar mudanças significativas no cálculo de suas férias devido ao Projeto de Lei (PL) 4165/24, em tramitação no Congresso Nacional. Apresentado pelo deputado Jonas Donizette (PSB-SP), o projeto propõe excluir a contribuição previdenciária do adicional de um terço das férias, alterando a Lei 8.212/91. A medida, que tramita em caráter conclusivo, pode ser aprovada ainda no primeiro semestre, impactando diretamente o valor líquido recebido e as contribuições para aposentadoria. Com 40 milhões de trabalhadores formais afetados, especialmente em polos como São Paulo e Rio de Janeiro, a proposta gera debates sobre benefícios de curto prazo e possíveis perdas futuras. O objetivo é reduzir descontos do INSS, mas especialistas alertam para impactos na Seguridade Social.
As férias, garantidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), são um direito essencial, e a proposta não altera o período de descanso, mas foca na remuneração. O adicional de um terço, pago durante as férias, passaria a ser tratado como indenização, isento de encargos previdenciários. Isso aumenta o valor líquido recebido, mas reduz a base de cálculo para benefícios como aposentadoria e auxílio-doença.
- Impacto imediato: Menor desconto de INSS no adicional de férias.
- Efeito a longo prazo: Possível redução nos valores de benefícios previdenciários.
- Setores afetados: Indústria, varejo e serviços, com destaque para grandes centros urbanos.
O que muda com o PL 4165/24
O PL 4165/24 propõe que o adicional de um terço das férias, previsto no artigo 7º da Constituição, deixe de integrar o salário de contribuição para o INSS. Atualmente, esse valor sofre descontos de até 27,5%, dependendo da faixa salarial. Por exemplo, um trabalhador com salário de R$ 3 mil recebe R$ 1 mil de adicional, dos quais até R$ 275 podem ser descontados. Com a nova lei, o trabalhador receberia o valor integral, mas a contribuição anual ao INSS seria menor, afetando o cálculo de benefícios futuros.
Jonas Donizette justifica que o adicional tem caráter indenizatório, não salarial, alinhando-se a decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de 2023. A proposta resolve inseguranças jurídicas, já que a tributação do adicional gerava disputas judiciais. Em 2024, 62% dos trabalhadores formais ganhavam até dois salários mínimos, segundo o IBGE, e a mudança impactaria diretamente esse grupo, especialmente em regiões com alta formalização, como São Paulo, onde 12 milhões de trabalhadores têm carteira assinada.
A tramitação em caráter conclusivo agiliza o processo, podendo levar à aprovação até março de 2025. Sindicatos, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), apoiam o aumento no valor líquido, mas alertam para perdas previdenciárias a longo prazo. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a medida, destacando a redução de custos para empresas.

Regras atuais e fracionamento das férias
As normas atuais, consolidadas pela Reforma Trabalhista de 2016, permitem fracionar as férias em até três períodos, com um mínimo de 14 dias e os demais com pelo menos cinco. O número de dias de descanso varia conforme as faltas injustificadas:
- Até 5 faltas: 30 dias de férias.
- 6 a 14 faltas: 24 dias.
- 15 a 23 faltas: 18 dias.
- 24 a 32 faltas: 12 dias.
Trabalhadores em setores como indústria em Manaus ou varejo em Belo Horizonte devem monitorar essas regras, já que o controle de faltas é rigoroso. Além disso, férias proporcionais são garantidas em casos de demissão antes de completar 12 meses, com cálculo de 1/12 do período por mês trabalhado. Por exemplo, seis meses de trabalho geram 15 dias de férias mais o terço.
A combinação dessas regras com a possível isenção do INSS exige planejamento. Em 2024, 30% dos trabalhadores usaram simuladores online para calcular férias, e a tendência deve crescer em 2025 com as mudanças propostas.
Impactos financeiros e planejamento para 2025
A aprovação do PL 4165/24 trará mudanças financeiras imediatas. Um trabalhador com salário de R$ 2 mil, por exemplo, recebe R$ 666,66 de adicional, com descontos de R$ 60 a R$ 183, conforme a alíquota do INSS. Sem o desconto, o valor líquido aumenta, mas a contribuição anual ao INSS pode cair até 1% ao ano, segundo especialistas, impactando aposentadorias futuras.
Para se adaptar, trabalhadores devem:
- Simular o valor das férias com e sem o desconto do INSS.
- Planejar o uso do adicional excedente, como investimentos ou poupança.
- Alinhar o fracionamento com empregadores para otimizar o descanso.
- Monitorar a tramitação do PL para antecipar mudanças.
Empresas também precisam se preparar, atualizando sistemas de folha de pagamento e comunicando alterações. Em 2024, organizações que anteciparam mudanças trabalhistas reduziram conflitos internos em 15%, segundo a FGV.
Calendário de férias para 2025
Planejar as férias exige atenção ao calendário trabalhista. Os principais períodos em 2025 incluem:
- Janeiro a março: Início do período aquisitivo para novos contratos de 2024.
- Abril a junho: Férias coletivas em indústrias, como no setor automotivo em São Paulo.
- Julho a dezembro: Alta demanda por férias, especialmente em turismo no Nordeste.
Trabalhadores em cidades como Fortaleza e Recife, onde o turismo é forte, devem negociar com antecedência. A aprovação do PL até março pode impactar diretamente o segundo semestre, exigindo ajustes no planejamento financeiro.
Situações que comprometem o direito às férias
A CLT prevê casos em que as férias podem ser perdidas:
- Demissão sem readmissão em 60 dias.
- Licença remunerada superior a 30 dias.
- Auxílio-doença por mais de seis meses, mesmo intermitente.
Em 2024, 5% dos trabalhadores formais perderam o direito às férias, especialmente em setores com alta rotatividade, como construção civil em Goiânia e call centers em Salvador. A legislação proíbe empregadores de negar férias sem justa causa, garantindo o descanso como direito obrigatório.
Debate no Congresso e reações do mercado
O PL 4165/24 avança rapidamente nas comissões da Câmara, sem necessidade de votação em plenário, salvo recurso. A proposta reflete uma tendência de ajustes trabalhistas, com mais de 10 projetos sobre férias apresentados desde 2016, 40% deles aprovados. Sindicatos de trabalhadores, como a Força Sindical, defendem o benefício imediato, mas cobram medidas para proteger a aposentadoria. Já entidades patronais, como a Fiesp, veem a isenção como alívio financeiro para empresas.
Em cidades como Vitória da Conquista, trabalhadores de pequenas empresas buscam orientação em sindicatos, enquanto grandes corporações em Curitiba preparam comunicados internos. A aprovação do projeto pode reduzir custos trabalhistas em até 2% para empresas, segundo estimativas da CNI, mas exige adaptação de ambos os lados.
Dicas práticas para trabalhadores e empregadores
Para trabalhadores, o foco está em calcular os valores exatos das férias e acompanhar a tramitação do PL. Ferramentas online, como calculadoras de direitos trabalhistas, são aliadas. Para empregadores, a atualização de sistemas de RH e o diálogo com funcionários são essenciais.
- Treinar equipes de RH para ajustar cálculos.
- Informar trabalhadores sobre mudanças no pagamento.
- Planejar férias coletivas com antecedência.
- Monitorar decisões judiciais que possam afetar a aplicação da lei.
A preparação antecipada reduz conflitos e garante conformidade com a legislação. Em 2025, a nova lei pode transformar o planejamento de férias, exigindo atenção redobrada.