O Supremo Tribunal Federal (STF) desmentiu, em 30 de julho de 2025, rumores de que Luna e Bernardo van Brussel Barroso, filhos do presidente da corte, Luís Roberto Barroso, teriam sido deportados dos Estados Unidos em um voo militar com destino a Manaus. A falsa narrativa, que circulou amplamente nas redes sociais, surgiu após a revogação de vistos de oito ministros do STF pelo governo americano, em 19 de julho. As postagens, impulsionadas por perfis alinhados ao bolsonarismo, acumularam milhares de visualizações, com imagens sensacionalistas de aviões militares e vídeos manipulados. O STF esclareceu que Luna, doutoranda na USP, e Bernardo, executivo do BTG Pactual, residem no Brasil e não enfrentam processos migratórios. A desinformação busca atacar a imagem do Supremo em meio a tensões políticas com os EUA.
A onda de fake news ganhou tração com a disseminação de conteúdos que associam a família de Barroso a supostas consequências da política migratória americana. As publicações exploram o contexto de disputas judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, amplificando narrativas contra o STF.
- Origem dos boatos: Revogação de vistos de ministros do STF em 19 de julho.
- Alcance nas redes: Postagens com mais de 256 mil visualizações no TikTok.
- Objetivo: Deslegitimar o Supremo em um cenário de polarização política.
O Itamaraty e a Agência Brasil confirmaram que não há registros de voos de deportação para Manaus, reforçando a falsidade das alegações.
Raízes da desinformação
A disseminação de boatos sobre os filhos de Barroso reflete um contexto de alta tensão entre Brasil e Estados Unidos. Em 19 de julho de 2025, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou a revogação dos vistos de oito ministros do STF, incluindo Barroso, sob a justificativa de “perseguição” a Jair Bolsonaro. A medida, que poderia atingir familiares próximos, gerou especulações e narrativas distorcidas nas redes. Postagens com imagens de aviões militares americanos e legendas como “Filhos de Barroso deportados” viralizaram, especialmente em plataformas como TikTok e Kwai.
O STF reagiu rapidamente, emitindo nota oficial para desmentir as alegações. A corte destacou que Luna e Bernardo vivem no Brasil e não têm envolvimento em questões migratórias nos EUA. A escolha de Manaus como destino fictício dos supostos deportados parece ter sido um artifício para dar credibilidade à narrativa, embora a Agência Brasil tenha confirmado que o último voo de repatriados dos EUA chegou a Fortaleza, com 48 brasileiros, nenhum ligado ao STF.
- Medida dos EUA: Revogação de vistos de oito ministros do STF.
- Contexto político: Ação veio após medidas judiciais contra Bolsonaro.
- Desmentido oficial: STF e Itamaraty negaram voos para Manaus.
A manipulação de conteúdos, como vídeos falsos e imagens sensacionalistas, evidencia a sofisticação das estratégias de desinformação usadas para atacar a imagem do Supremo.
Quem são Luna e Bernardo
Luna van Brussel Barroso, filha de Luís Roberto Barroso, é advogada formada pela PUC-Rio e doutoranda em direito constitucional na USP. Entre 2022 e 2023, ela cursou pós-graduação na Universidade de Yale, mas retornou ao Brasil, onde atua no escritório Barroso Fontelles, Barcellos, Mendonça Advogados (BFBM). Bernardo, por sua vez, é executivo do BTG Pactual e fundador de uma empresa de investimentos no setor de jogos eletrônicos. Ambos residem no Brasil, conforme informações públicas de suas redes sociais.
As fake news sugeriam que Luna e Bernardo buscavam cidadania americana ou estavam nos EUA, mas o STF reiterou que essas alegações são infundadas. A corte destacou que nenhum dos dois enfrenta processos migratórios ou teve vistos cancelados.
- Luna Barroso: Doutoranda na USP, ex-aluna de Yale, advogada no BFBM.
- Bernardo Barroso: Executivo do BTG Pactual, atua no Brasil.
- Residência: Ambos vivem no Brasil, sem registros de imigração nos EUA.
A clareza dessas informações contrasta com as narrativas distorcidas que circularam nas redes, reforçando a necessidade de checagem de fatos em contextos politicamente sensíveis.

Mecanismos de manipulação nas redes
As fake news sobre a família de Barroso seguem um padrão recorrente de desinformação política. Postagens no TikTok, Instagram e Kwai usaram imagens de aviões militares e vídeos manipulados para atrair atenção. Um exemplo marcante foi um vídeo que alegava mostrar Luna Barroso em lágrimas, mas, na verdade, tratava-se de uma gravação da cantora Selena Gomez falando sobre imigração nos EUA.
Esses conteúdos exploram emoções como indignação e ironia para alcançar viralização. No TikTok, uma postagem com a legenda “Filhos de Barroso a bordo” atingiu 278 mil visualizações, enquanto no Kwai, outra acumulou 70 mil interações. A manipulação de imagens e vídeos, aliada a legendas sensacionalistas, cria uma ilusão de credibilidade que engana leitores desavisados.
- Imagens manipuladas: Fotos de aviões militares foram usadas indevidamente.
- Vídeo falso: Gravação de Selena Gomez foi atribuída a Luna Barroso.
- Alcance viral: 278 mil visualizações no TikTok, 70 mil no Kwai.
Veículos como G1 e Reuters publicaram checagens que desmentiram as alegações, mas o alcance das fake news destaca a dificuldade de conter desinformação em tempo real.
Resposta oficial e checagem de fatos
O STF agiu rapidamente para conter os rumores, publicando nota oficial em 30 de julho de 2025. A corte afirmou que Luna e Bernardo não estão nos EUA e que as alegações de deportação são “completamente falsas”. O Itamaraty, consultado por agências de checagem, não confirmou voos de deportação para Manaus, e a Agência Brasil reforçou que o último voo de repatriados pousou em Fortaleza.
A resposta do Supremo buscou esclarecer os fatos e proteger a imagem da instituição, mas o alto engajamento das postagens falsas evidencia os desafios de combater a desinformação. A polarização política amplifica essas narrativas, que exploram tensões entre apoiadores e críticos do STF.
- Nota do STF: Nega qualquer envolvimento dos filhos de Barroso em deportações.
- Itamaraty: Não confirmou voos de repatriados para Manaus.
- Checagem: G1 e Reuters desmentiram os boatos com base em fatos.
A disseminação de conteúdos falsos reflete a necessidade de maior alfabetização digital para que o público consiga distinguir fatos de mentiras em ambientes polarizados.
Contexto da tensão Brasil-EUA
A revogação dos vistos de oito ministros do STF, anunciada por Marco Rubio em 19 de julho de 2025, foi o estopim para a onda de fake news. A medida, que atingiu Barroso, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Edson Fachin, Cristiano Zanin e Flávio Dino, foi justificada como resposta a decisões judiciais contra Jair Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e restrições a redes sociais.
O presidente Lula criticou a ação dos EUA, chamando-a de “arbitrária” e defendendo a soberania do Judiciário brasileiro. A decisão americana, que poupou os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques, intensificou o clima de confronto político, alimentando narrativas contra o STF nas redes.
- Ministros afetados: Oito dos onze membros do STF perderam seus vistos.
- Exceções: Fux, Mendonça e Nunes Marques não foram alvos.
- Reação de Lula: Presidente condenou a medida como interferência externa.
A tensão entre Brasil e EUA, combinada com a polarização interna, criou um terreno fértil para a disseminação de boatos direcionados à família de Barroso.
Estratégias para conter desinformação
A disseminação de fake news sobre os filhos de Barroso destaca a importância de estratégias robustas para combater a desinformação. Plataformas como TikTok e Kwai, por sua capacidade de viralização, exigem monitoramento constante para identificar conteúdos manipulados. Agências de checagem, como Aos Fatos e Reuters, desempenham um papel crucial, mas enfrentam dificuldades para alcançar o mesmo público que consome postagens falsas.
A alfabetização digital é essencial para capacitar os cidadãos a identificar narrativas enganosas. Além disso, a cooperação entre instituições, como o STF e o Itamaraty, e a imprensa é fundamental para esclarecer fatos rapidamente.
- Monitoramento de plataformas: TikTok e Kwai requerem maior vigilância.
- Papel da imprensa: Checagens ajudam, mas têm alcance limitado.
- Educação digital: Essencial para combater manipulação de conteúdos.
A persistência de boatos como esses reforça a necessidade de ações coordenadas para proteger a confiança nas instituições democráticas.