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Euro, marido de Hytalo Santos, é preso em SP por suspeita de exploração de menores

Hytalo e Euro
Hytalo e Euro - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Israel Nata Vicente, conhecido como Euro, e seu marido, o influenciador Hytalo Santos, foram presos preventivamente em Carapicuíba, na Grande São Paulo, em 15 de agosto de 2025, sob suspeita de tráfico humano e exploração sexual de menores. A operação, conduzida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Polícia Civil da Paraíba e de São Paulo, além da Polícia Rodoviária Federal, resultou na prisão do casal após denúncias sobre conteúdos sexualizados envolvendo adolescentes nas redes sociais. A investigação, iniciada em 2024, ganhou destaque após um vídeo do youtuber Felca expor a “adultização” de menores. As autoridades apontam indícios de um esquema organizado, incluindo emancipação de adolescentes em troca de benefícios, como celulares, para suas famílias. A Justiça da Paraíba já havia bloqueado as redes sociais de Hytalo e determinado a desmonetização de seus conteúdos, além de proibir contato com as vítimas.

A prisão de Euro e Hytalo ocorreu em um condomínio em Carapicuíba, onde a Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Bayeux. O juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa justificou a medida para evitar a destruição de provas e intimidação de testemunhas. Euro, de 33 anos, nascido em Santos (SP), é ex-jogador de futebol amador, modelo e cantor de funk, tendo gravado músicas com Hytalo, com quem se casou em 2023 em Cajazeiras, Paraíba.

  • Detalhes da operação: A ação envolveu troca de informações entre forças policiais de dois estados e o Ciberlab do Ministério da Justiça.
  • Medidas judiciais: Incluem bloqueio de redes sociais, desmonetização e proibição de contato com menores.
  • Histórico de Euro: Filho de político de São Vicente, Euro mudou-se para a Paraíba há 10 anos.

Origem e trajetória de Euro

Nascido em Santos, litoral paulista, Israel Nata Vicente, conhecido como Euro, cresceu em São Vicente, cidade vizinha, antes de se mudar para a Paraíba há cerca de uma década. Filho de Cesar Vicente, político local que concorreu a vereador e deputado estadual como suplente, Euro tem 33 anos e é pai de dois filhos. Antes de se tornar influenciador, ele trabalhou como modelo e jogador de futebol amador, mas ganhou notoriedade como MC, gravando músicas com Hytalo Santos. O casal se casou em 2023, em uma cerimônia em Cajazeiras que chamou atenção pelas extravagâncias, como a distribuição de iPhones 15 Pro Max como brindes.

A trajetória artística de Euro foi destacada por seu assessor, Josué Vicente, que o descreveu como alguém com “veia artística” desde jovem. Contudo, a ascensão nas redes sociais veio ao lado de Hytalo, com quem produzia conteúdos que, segundo investigações, envolviam menores em contextos inadequados. A prisão de Euro marca um novo capítulo em sua vida pública, agora sob o peso de graves acusações.

Investigação e denúncias contra o casal

As investigações contra Hytalo Santos e Euro começaram em 2024, antes mesmo da denúncia pública do youtuber Felca, que em 6 de agosto de 2025 publicou um vídeo com quase 50 minutos detalhando supostas práticas de “adultização” de adolescentes. As apurações do MPPB, divididas entre as promotorias de Bayeux e João Pessoa, apontam indícios de exploração de menores em conteúdos digitais. A promotora Ana Maria França, de Bayeux, iniciou as investigações após denúncias de vizinhos sobre festas com bebidas alcoólicas e adolescentes em situações inadequadas, como topless, no condomínio onde Hytalo residia.

  • Promotoria de Bayeux: Foco em denúncias de condutas impróprias em festas e filmagens.
  • Promotoria de João Pessoa: Investiga possível esquema de emancipação de menores em troca de presentes.
  • MPT: Analisou mais de 50 vídeos e coletou 15 depoimentos sobre exploração de trabalho infantil.

O Ministério Público do Trabalho também conduz uma apuração paralela, liderada pelo procurador Flávio Gondim, que examinou mais de 50 vídeos publicados nas redes de Hytalo. Os conteúdos, segundo o MPT, sugerem exploração de trabalho infantojuvenil e exposição inadequada de menores. A Justiça da Paraíba determinou medidas drásticas, como a suspensão das redes sociais do casal e a proibição de contato com os adolescentes envolvidos, para proteger as vítimas e preservar as provas.

Medidas judiciais e impacto nas redes sociais

A Justiça da Paraíba agiu rapidamente após as denúncias ganharem proporção. Em 12 de agosto de 2025, uma decisão judicial bloqueou todas as contas de Hytalo Santos nas redes sociais, incluindo Instagram, TikTok e YouTube, onde ele acumulava milhões de seguidores. A desmonetização de seus conteúdos foi ordenada para impedir ganhos financeiros com vídeos que, segundo as autoridades, exploravam menores. Além disso, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao influenciador, resultando na apreensão de computadores e celulares em João Pessoa no dia 14 de agosto.

  • Bloqueio de redes: Todas as plataformas de Hytalo foram suspensas a pedido do MPPB.
  • Desmonetização: Proíbe o influenciador de lucrar com conteúdos já publicados.
  • Buscas e apreensões: Computadores e celulares foram recolhidos para análise pericial.
  • Proibição de contato: Hytalo e Euro estão impedidos de se comunicar com as vítimas.

A promotora Ana Maria França destacou que as medidas visam proteger os direitos de crianças e adolescentes, enquanto o juiz Antônio Rudimacy enfatizou a gravidade das acusações, apontando tentativas do casal de destruir provas e obstruir as investigações. A prisão preventiva foi justificada como necessária para garantir a integridade do processo.

Hytalo Santos e marido instagram
Hytalo Santos e marido Foto: instagram

Reação da defesa e do assessor

A defesa de Euro e Hytalo classificou a prisão como arbitrária, alegando que o casal estava em São Paulo a passeio e não havia mandado de prisão anterior. Josué Vicente, assessor de Euro, reforçou que ambos estavam à disposição das autoridades e planejam produzir um documentário para “mostrar a realidade”. Ele criticou o vídeo de Felca, afirmando que as acusações foram mal direcionadas, mas negou apoio a práticas como pedofilia.

A equipe jurídica do casal informou que duas bancas de advocacia foram contratadas para defendê-los, com planos de entrar com um pedido de Habeas Corpus. Hytalo, em comunicado à imprensa, negou veementemente as acusações, afirmando que todo o conteúdo com menores foi gravado com autorização dos responsáveis e que sua conduta sempre priorizou a proteção de crianças e adolescentes.

Contexto da operação policial

A prisão de Euro e Hytalo em Carapicuíba foi resultado de uma força-tarefa envolvendo múltiplas instituições. O Ciberlab do Ministério da Justiça auxiliou na localização do casal, enquanto a Polícia Civil de São Paulo executou os mandados. A operação também contou com a colaboração da Polícia Rodoviária Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Paraíba.

  • Locais de busca: Residência em João Pessoa, um prédio empresarial e outro endereço na capital paraibana.
  • Itens apreendidos: Documentos, dispositivos eletrônicos e registros de câmeras de segurança.
  • Justificativa judicial: Evitar destruição de provas e intimidação de testemunhas.

O juiz Antônio Rudimacy, na decisão que autorizou a prisão, destacou que o casal tentou ocultar documentos e aparelhos eletrônicos, além de esvaziar residências e esconder valores e veículos. Essas ações, segundo o magistrado, indicam uma tentativa coordenada de comprometer a investigação.

Envolvimento de menores e emancipação

Um dos pontos centrais da investigação é a suspeita de que Hytalo Santos organizava um esquema para emancipar adolescentes entre 16 e 18 anos, oferecendo benefícios materiais, como celulares caros e custeio de despesas, às suas famílias. A emancipação, que concede capacidade civil plena a menores, permitia que eles assinassem contratos e participassem de conteúdos digitais sem restrições legais.

O caso de Kamylinha Santos, uma adolescente de 17 anos que participava dos vídeos de Hytalo desde os 12, foi citado como exemplo de “adultização”. Sua conta no Instagram, com mais de 11 milhões de seguidores, foi bloqueada pelo Ministério da Fazenda por promover sites de apostas, prática proibida para menores. A promotoria de João Pessoa, liderada por João Arlindo, investiga se esses benefícios configuram aliciamento.

Repercussão pública e denúncias iniciais

O caso ganhou visibilidade após o vídeo de Felca, que ultrapassou 40 milhões de visualizações no YouTube e 150 milhões no Instagram. As denúncias de vizinhos do condomínio de Hytalo em Bayeux, em 2024, foram o ponto de partida para as investigações. Relatos de festas com bebidas alcoólicas e adolescentes em situações inadequadas, como topless, motivaram a ação do MPPB. A promotora Ana Maria França destacou que as apurações já estavam em curso antes da exposição pública, com coleta de provas e depoimentos.

Hytalo, que tinha mais de 17 milhões de seguidores no Instagram, 5 milhões no YouTube e 2,4 milhões no TikTok, viu suas contas desativadas ou suspensas. O TikTok informou que baniu um perfil do influenciador em 2025, após uma exclusão anterior em 2023.

Próximos passos da investigação

O Ministério Público da Paraíba e o MPT continuam as apurações, com relatórios finais previstos para a próxima semana. O material apreendido, incluindo celulares e computadores, será submetido a perícias para identificar evidências de exploração e tráfico humano. A Justiça também solicitou à Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) a suspensão de uma empresa de rifas e sorteios ligada a Hytalo, por uso irregular de imagens de menores.

A sociedade acompanha o caso com atenção, especialmente pela gravidade das acusações e pelo impacto nas discussões sobre a segurança de menores nas redes sociais. A prisão de Euro e Hytalo reforça a necessidade de regulamentação mais rígida para conteúdos digitais envolvendo crianças e adolescentes.

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