Polícia Federal

Pastor Malafaia tem celular apreendido e é proibido de contactar família Bolsonaro

Pastor Malafaia
Pastor Malafaia - Foto: reprodução Instagram Pastor Malafaia - Foto: reprodução Instagram

A Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão contra o pastor Silas Malafaia no dia 20 de agosto de 2025, no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, logo após ele desembarcar de um voo vindo de Lisboa. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, resultou na apreensão do celular do líder religioso e na imposição de medidas cautelares que o proíbem de deixar o país e de manter contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro. A operação integra um inquérito que investiga suposta tentativa de obstrução de Justiça relacionada a uma trama golpista. Malafaia, conhecido por sua influência no meio evangélico e apoio ao bolsonarismo, foi conduzido para prestar depoimento no próprio aeroporto, acompanhado de seu advogado. A decisão judicial também autorizou a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico dos equipamentos apreendidos, intensificando a apuração sobre suas ações.

A operação da PF ocorre no contexto de investigações que apontam Malafaia como articulador de estratégias para pressionar o Judiciário. O pastor, que organiza atos de apoio a Jair Bolsonaro, como o evento “Reaja Brasil” na Avenida Paulista em 3 de agosto, é suspeito de coordenar ações para influenciar decisões do STF. A Procuradoria-Geral da República endossou as medidas, destacando diálogos que sugerem envolvimento do líder religioso em práticas de coação.

  • Ação no Galeão: Malafaia foi abordado ao desembarcar, com busca pessoal e apreensão de celular.
  • Medidas cautelares: Proibição de sair do país e de contato com os Bolsonaros.
  • Quebra de sigilo: Bancário, fiscal e telefônico autorizados por Moraes.
  • Contexto: Inquérito apura obstrução de Justiça e pressão contra o STF.

Detalhes da operação no Galeão

A abordagem no Aeroporto do Galeão foi conduzida com precisão pela Polícia Federal, que aguardava Malafaia na área de desembarque internacional. Os agentes recolheram o celular do pastor e cadernos de anotações, que serão analisados para buscar evidências de comunicações relacionadas à trama investigada. Segundo a esposa de Malafaia, Elizete, que o acompanhava, o pastor foi levado para prestar esclarecimentos ainda no aeroporto, com a presença de seu advogado, Jorge Vacite Neto. A operação foi descrita como parte de um inquérito sigiloso, mas detalhes revelados apontam para a gravidade das suspeitas contra o líder religioso.

A decisão de Alexandre de Moraes incluiu medidas restritivas severas. Além da proibição de contato com Jair e Eduardo Bolsonaro, Malafaia teve seus passaportes cancelados, impedindo-o de deixar o Brasil. A quebra de sigilo dos equipamentos apreendidos visa mapear comunicações e transações que possam corroborar as acusações de articulação criminosa. A PF ainda não informou se novas oitivas estão previstas ou se outros alvos serão incluídos na investigação.

Envolvimento de Malafaia com os Bolsonaros

As investigações apontam que Malafaia atuou em conjunto com Jair e Eduardo Bolsonaro em ações destinadas a pressionar o Supremo Tribunal Federal. Segundo a PF, o pastor teria participado da elaboração de estratégias para disseminar narrativas que questionassem a atuação do Judiciário, com o objetivo de obstruir investigações relacionadas a uma tentativa de golpe de Estado. O ato de 3 de agosto na Avenida Paulista, organizado por Malafaia, foi citado como um dos eventos que reforçam sua ligação com o grupo investigado, já que Jair Bolsonaro participou por vídeo, desafiando restrições judiciais.

  • Organização de atos: Malafaia liderou manifestação em apoio a Bolsonaro em São Paulo.
  • Diálogos comprometedores: PF identificou mensagens que sugerem coação ao STF.
  • Relação com Bolsonaros: Pastor é aliado próximo e conselheiro político de Jair.
  • Críticas públicas: Malafaia já acusou Moraes de “crimes de opinião” em vídeos.

A Procuradoria-Geral da República, em parecer enviado ao STF, destacou que Malafaia aparece como “orientador e auxiliar” em ações de obstrução. O procurador-geral Paulo Gonet reforçou que os diálogos obtidos indicam uma articulação coordenada para influenciar o Judiciário, especialmente em processos envolvendo o ex-presidente.

Reações à operação

A inclusão de Malafaia no inquérito gerou reações imediatas no meio político e evangélico. O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara e aliado do pastor, classificou a ação como “perseguição religiosa” e criticou a atuação do STF. Ele argumentou que não há razões plausíveis para Malafaia ser investigado, sugerindo que a operação visa silenciar vozes críticas. Por outro lado, a bancada evangélica na Câmara optou por uma postura mais cautelosa, indicando que a defesa do pastor será apenas protocolar, já que Malafaia não é unanimidade no segmento religioso.

O próprio Malafaia reagiu com veemência, afirmando que a investigação é uma tentativa de calá-lo. Em declarações públicas, ele negou envolvimento em obstrução de Justiça e criticou Alexandre de Moraes, comparando a atuação da PF a regimes autoritários. O pastor afirmou que continuará a se posicionar contra o que considera abusos do Judiciário, prometendo intensificar suas críticas.

Histórico de polêmicas do pastor

Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, é conhecido por sua postura combativa e influência no cenário político brasileiro. Nos últimos anos, ele se consolidou como uma das principais vozes do bolsonarismo, participando ativamente de atos em defesa do ex-presidente. Em 2016, Malafaia já havia sido alvo da Operação Timóteo, que investigou lavagem de dinheiro em esquemas de royalties de mineração. Na época, ele negou as acusações e usou as redes sociais para se defender, alegando perseguição política.

  • Operação Timóteo: Malafaia foi investigado por suposta lavagem de dinheiro em 2016.
  • Apoio a Bolsonaro: Pastor é figura central em atos e campanhas bolsonaristas.
  • Críticas ao STF: Malafaia acusa Moraes de censura e “crime de opinião”.
  • Influência evangélica: Líder comanda uma das maiores igrejas do país.

Sua atuação nas redes sociais, onde acumula milhões de seguidores, é marcada por discursos inflamados contra adversários políticos e movimentos sociais. Durante a operação no Galeão, Malafaia usou suas plataformas para questionar a legalidade da ação, reforçando sua narrativa de vítima de perseguição.

Contexto da investigação

A operação contra Malafaia faz parte de um inquérito mais amplo, iniciado em maio de 2025, que apura ações para obstruir investigações sobre uma tentativa de golpe de Estado. Além de Malafaia, Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo estão entre os investigados. A PF identificou indícios de que o grupo buscava pressionar o STF por meio de narrativas falsas e articulações internacionais, incluindo contatos nos Estados Unidos para impor sanções contra autoridades brasileiras.

A participação de Malafaia no ato de 3 de agosto, que defendia a anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, foi um dos pontos centrais da investigação. O evento, transmitido ao vivo em seu canal no YouTube, reuniu milhares de pessoas e contou com a participação virtual de Bolsonaro, que enfrenta restrições judiciais. A PF considera que tais atos tiveram o objetivo de coagir o Judiciário e influenciar decisões em favor do ex-presidente.

Próximos passos da investigação

A análise do material apreendido, incluindo o celular e os cadernos de Malafaia, será crucial para os próximos desdobramentos do inquérito. A quebra de sigilo autorizada por Moraes permitirá à PF acessar comunicações e transações financeiras que possam confirmar as suspeitas de articulação criminosa. Embora Malafaia tenha negado envolvimento em práticas ilegais, a investigação deve avançar com novas oitivas e possíveis inclusões de outros suspeitos.

  • Análise de dados: Celular e cadernos serão examinados pela PF.
  • Novas oitivas: Malafaia pode ser chamado novamente para depor.
  • Ampliação do inquérito: Outros alvos podem ser incluídos na apuração.
  • Reação política: Bancada evangélica planeja discutir o caso no Congresso.

A operação reforça a tensão entre o STF e aliados de Jair Bolsonaro, que acusam o tribunal de perseguição política. O caso também reacende o debate sobre a liberdade de expressão e os limites da atuação judicial em investigações envolvendo figuras públicas.

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