Ciência

Estruturas gigantes no núcleo da Terra podem ter criado condições para origem da vida

Planeta Terra
Planeta Terra - Foto: Thaweesak Saengngoen/istock

Cientistas da Rutgers University publicaram estudo na revista Nature Geoscience que propõe explicação para duas enormes estruturas localizadas a 2.900 quilômetros de profundidade, na divisa entre manto e núcleo terrestre. As formações, conhecidas como LLSVP, ficam sob o continente africano e o oceano Pacífico. A pesquisa indica que pequenos vazamentos de material do núcleo impediram a solidificação uniforme do manto primitivo.

Essas estruturas apresentam densidade e temperatura superiores à média do entorno. Ondas sísmicas atravessam a região com velocidade reduzida, característica observada desde a década de 1980. O trabalho liderado por Yoshinori Miyazaki usa simulações computacionais para recriar as condições do planeta há mais de 4 bilhões de anos.

Vazamento de silício e magnésio mudou tudo

O modelo anterior previa camadas homogêneas após o resfriamento do oceano de magma global. A realidade mostra regiões heterogêneas de grande escala. A equipe identificou que migração de silício e magnésio do núcleo para o manto inferior criou zonas que não se cristalizaram completamente.

  • Quantidade vazada foi pequena, inferior a 1% do volume total
  • Elementos impediram formação de minerais densos em áreas específicas
  • Processo ocorreu nos primeiros 100 milhões de anos da Terra
  • Resultado foram os dois blocos atuais com até 100 vezes mais volume que toda a crosta terrestre

Resfriamento equilibrado gerou vulcanismo duradouro

A presença dessas estruturas influenciou o fluxo de calor interno do planeta. Regiões mais quentes ascenderam lentamente ao longo de bilhões de anos. Esse movimento sustentou atividade vulcânica intensa na superfície.

Terra, Lua e cometa
Terra, Lua e cometa – buradaki/ iStock

O degaseamento associado liberou vapor d’água e gases que formaram a atmosfera secundária. A manutenção de ciclo tectônico de placas também dependeu dessa dinâmica interna. Ambos os processos são considerados essenciais para estabilidade climática de longo prazo.

Comparação com Vênus e Marte reforça hipótese

Vênus possui atmosfera densíssima de CO₂ e temperatura superficial de 460°C. Marte perdeu quase toda a atmosfera e apresenta vulcanismo extinto há bilhões de anos. A Terra mantém campo magnético ativo e reciclagem crustal contínua.

Estruturas profundas mantêm atividade geológica

Os blocos africanos e pacíficos funcionam como âncoras térmicas. Eles geram plumas mantélicas que sobem até a superfície. Exemplos incluem pontos quentes do Havaí e da Islândia.

Próximos passos dependem de novos dados sísmicos

A hipótese ainda precisa de validação com missões futuras. Projetos como o InSight em Marte já demonstram viabilidade de sensoriamento profundo. Melhorias na rede global de sismógrafos também podem trazer evidências adicionais nos próximos anos.

O estudo reforça que processos ocorridos nos primeiros milhões de anos definiram o destino habitável do planeta. Cada nova simulação reduz as lacunas sobre como a Terra se tornou única no Sistema Solar.

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