Astrônomos identificam quasar mais brilhante já registrado a 12 bilhões de anos-luz

Astrônomos descobriram o objeto celeste mais luminoso já catalogado no universo conhecido. O quasar J0529-4351 está localizado a mais de 120 bilhões de anos-luz da Terra. A luz que chega até nós foi emitida quando o universo tinha apenas 20 bilhões de anos de idade. O brilho desse objeto equivale a 500 bilhões de vezes a luminosidade do Sol.
A identificação exigiu observações precisas de pesquisadores da Universidade Nacional Australiana. O trabalho contou com apoio do Observatório Astronômico Europeu do Sul. A descoberta revela características extremas de um buraco negro supermassivo cercado por matéria aquecida em temperaturas altíssimas.

Quasar J0529-4351 supera todos os objetos conhecidos em brilho
O quasar destaca-se entre aproximadamente 100 mil objetos similares já catalogados. Sua energia provém de um buraco negro supermassivo com massa estimada em 170 bilhões de vezes a do Sol. O disco de matéria que circunda esse buraco negro tem diâmetro de cerca de 7 anos-luz.
Gás e poeira caem em direção ao buraco negro central. O atrito eleva a temperatura a dezenas de milhões de graus. Esse material transforma-se em plasma e emite radiação visível, raios X e outras formas de radiação eletromagnética. O processo explica o brilho extraordinário do objeto.
- A massa do buraco negro central é estimada em 170 bilhões de massas solares.
- O quasar consome material equivalente a uma massa solar por dia.
- O objeto localiza-se na constelação de Pictoris, no hemisfério sul.
- Sua luz foi inicialmente capturada em 1980, mas não foi corretamente identificada na época.
O objeto permaneceu desconhecido por décadas. Imagens antigas do Observatório Espacial Hubble mostravam o ponto luminoso, mas sua intensidade extrema levou astrônomos a considerá-lo uma estrela comum. Dados do satélite Gaia reforçaram essa interpretação até 2022, quando novas análises confirmaram sua verdadeira natureza.
Telescópio australiano revoluciona a compreensão do quasar
Cientistas utilizaram o telescópio de 2,3 metros do Observatório Siding Spring, na Austrália. As medições confirmaram tratar-se de um quasar distante. O desvio para o vermelho de 3,962 permitiu calcular com precisão a distância até o objeto.
Mesmo com essas observações, detalhes sobre a verdadeira magnitude do brilho permaneciam incertos. Confirmações precisas exigiram equipamentos mais potentes. O espectrômetro X acoplado a um telescópio gigante no Atacama, no Chile, forneceu dados definitivos sobre as propriedades do quasar.
Essas medições possibilitaram determinar com exatidão a massa do buraco negro e sua velocidade de queda. A taxa diária de aumento da massa solar representa o ritmo mais rápido jamais registrado para buraco negro dessa categoria.
Disco de acreção revela mecanismo de emissão energética
O disco de matéria ao redor do buraco negro não é uniforme. Material em queda sofre aquecimento intenso por atrito interno. Em temperaturas extremas, radiação é gerada e escapa em todas as direções.
Astrônomos estimam que o disco de acreção tem 7 anos-luz de diâmetro. Essa estrutura é muito maior que a maioria dos sistemas conhecidos. O quasar não apresenta lentes gravitacionais evidentes que pudessem amplificar artificialmente seu brilho.
Dados morfológicos do Gaia indicam que o objeto aparece pontiforme. A ausência de lentes de foreground confirma a natureza intrínseca do brilho. Nenhuma estrutura frontal importante explica a luminosidade excepcional do quasar.
Buraco negro em crescimento acelerado desde o universo jovem
A velocidade de queda aproxima-se do limite de Eddington. Modelos ajustados ao espectro indicam consumo anual de 280 a 490 massas solares, dependendo do ângulo de visualização.
Esse ritmo surgiu quando o universo era jovem. O quasar permite pesquisadores estudarem como buracos negros supermassivos se formaram e evoluíram nos primeiros 10 bilhões de anos cósmicos. A descoberta abre possibilidades para compreender a formação de estruturas extremas no universo primitivo.
- Emissão de raios-X atinge potência próxima a 10^48,37 erg/s.
- O quasar é classificado como objeto de ondas de rádio quietas.
- Observações futuras podem melhorar a exclusão de efeitos de lentes gravitacionais.
- A pesquisa foi publicada na revista Nature Astronomy.
Localização celeste e contexto de descoberta
O quasar situa-se na direção da constelação de Pictoris. Imagens de levantamentos antigos da região sul do céu continham registros do objeto há mais de 40 anos. O brilho extremo causava confusão com uma estrela próxima de magnitude 16.
A recente análise espectroscópica eliminou essa ambiguidade. Pesquisadores enfatizam a importância de revisar sistematicamente dados antigos com ferramentas modernas. Essa descoberta reforça como novos instrumentos podem reclassificar objetos previamente mal interpretados no arquivo astronômico.



