Governo venezuelano confirma 1.450 mortos em terremoto; mais de 50 mil seguem desaparecidos
Balanço atualizado eleva número de mortes no país

O governo da Venezuela confirmou que o número de mortos pelos fortes terremotos que atingiram o país na última quarta-feira (24) subiu para 1.450. A informação foi divulgada neste domingo (28) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, enquanto as equipes de resgate intensificam os trabalhos em meio a uma tragédia de grandes proporções.
Os tremores, com magnitudes de 7,5 e 7,2, foram registrados em um intervalo de menos de um minuto, causando a destruição de centenas de edifícios e casas. A busca por sobreviventes é considerada crucial, com a expectativa de encontrar mais pessoas em meio aos escombros. Até o momento, 33 indivíduos foram resgatados com vida.
Esforços de socorro e os desafios no cenário venezuelano
Equipes de resgate internacionais, incluindo reforços enviados pelo Brasil e máquinas do exterior, chegaram à Venezuela para auxiliar nos trabalhos. Contudo, a população local, especialmente em La Guaira, tem se organizado para realizar buscas com poucos equipamentos de segurança, refletindo um cenário de precariedade.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas. Observadores internacionais apontam que a lentidão e a dificuldade dos resgates são um reflexo de um “estado disfuncional”, agravando o sofrimento das vítimas e de seus familiares. A frustração com a demora dos salvamentos é crescente entre os moradores afetados.
Ações do governo e a dimensão da tragédia
Em resposta à crise, o Ministério da Comunicação e Informação da Venezuela anunciou a suspensão das aulas em todo o país por uma semana e a criação de medidas emergenciais. Foi instalado um Estado-Maior para organizar acampamentos temporários e planejar a construção de novas moradias, sob a liderança de Jorge Rodríguez.
Uma Comissão Presidencial para Avaliação de Habitabilidade também foi instituída. O grupo, presidido pelo engenheiro Francisco Garcés, utilizará um sistema de “semáforo” para classificar os riscos dos imóveis, contando com a participação de ministérios, Forças Armadas e universidades.
Vítimas de diversas nacionalidades entre os mortos
A tragédia não afetou apenas cidadãos venezuelanos. Entre os 1.450 mortos confirmados, há vítimas de outras nacionalidades. O Itamaraty, no Brasil, confirmou a morte de dois brasileiros, um homem e uma mulher, e está prestando assistência às suas famílias.
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Outros países também lamentam perdas:
- Portugal: 28 portugueses ou luso-descendentes morreram, com outras 85 pessoas ainda desaparecidas.
- Espanha: Nove espanhóis morreram e 131 seguem desaparecidos, muitos sob os escombros.
- China: Sete cidadãos chineses perderam a vida, segundo a embaixada em Caracas.
- Chile: Um chileno morreu, com o governo prestando apoio à família.
- Uruguai: Um cidadão uruguaio, sua esposa e filha morreram.
- Itália: Um ítalo-venezuelano faleceu após o desabamento de um prédio em La Guaira.
Impacto econômico e cenário político tenso
A ONU projeta que os danos materiais causados pelos terremotos podem alcançar a cifra de US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 34,6 bilhões), o que representa aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela. Esse prejuízo agrava a já delicada situação econômica do país.
Em meio ao caos humanitário, a líder da oposição, Maria Corina Machado, buscou apoio dos Estados Unidos para retornar à Venezuela. Sua tentativa, apenas 24 horas após a catástrofe, gerou atrito com o alto escalão americano, que questionou a oportunidade política de sua ação em um momento de crise humanitária tão severa.



