Produção pecuária brasileira registra recordes históricos e expansão no 2º trimestre de 2026
O setor pecuário brasileiro demonstrou um vigor notável no segundo trimestre de 2026, com o abate de bovinos e suínos atingindo os melhores resultados já registrados para o período. A aquisição de leite cru, couro e a produção de ovos de galinha também apresentaram crescimento, sinalizando um cenário de expansão na cadeia produtiva animal do país.
Os dados preliminares apontam para um aumento expressivo na oferta de carne e outros produtos de origem animal, refletindo a dinâmica do mercado interno e externo. Essas tendências são cruciais para a economia nacional, influenciando desde a inflação dos alimentos até a balança comercial, e indicam a capacidade de adaptação e produtividade do agronegócio frente aos desafios econômicos.
Abate de bovinos atinge pico histórico com crescimento em estados-chave
No período de abril a junho de 2026, foram abatidas 10,72 milhões de cabeças de gado bovino em todo o Brasil. Esse volume representa um incremento de 1,3% em comparação com o mesmo trimestre de 2025 e uma elevação de 4,0% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Tal resultado configura o maior volume de abate para um segundo trimestre na série histórica, evidenciando um período de alta atividade nos frigoríficos.
Junho se destacou como o mês de maior intensidade, registrando o abate de 3,66 milhões de cabeças, um aumento de 3,5% frente a junho de 2025. Embora o abate de fêmeas tenha apresentado uma ligeira retração de 1,9% na comparação anual, ele expandiu 2,0% em relação ao primeiro trimestre de 2026. O incremento de 135,71 mil cabeças abatidas em relação ao ano anterior foi impulsionado por 19 das 27 Unidades da Federação, com contribuições significativas de:
- São Paulo: aumento de 151,70 mil cabeças.
- Minas Gerais: aumento de 46,71 mil cabeças.
- Mato Grosso: aumento de 34,99 mil cabeças.
Contrariamente, estados como Pará (-78,29 mil cabeças), Maranhão (-32,27 mil cabeças) e Mato Grosso do Sul (-30,70 mil cabeças) registraram quedas. Mato Grosso manteve sua posição de liderança, respondendo por 16,9% do abate nacional, seguido por São Paulo (12,2%) e Goiás (10,0%). O peso das carcaças bovinas acompanhou a tendência, com alta de 3,0% na comparação anual e 4,4% ante o primeiro trimestre, somando 2,76 milhões de toneladas.
Suinocultura e avicultura também registram trimestres recordes
A suinocultura brasileira também celebrou um desempenho notável, com 15,70 milhões de cabeças de suínos abatidas no segundo trimestre de 2026. Este número traduz um crescimento de 4,0% em relação ao mesmo período de 2025 e de 2,6% frente ao trimestre anterior, consolidando-se como o melhor segundo trimestre já alcançado. Junho foi o mês mais produtivo, com 5,40 milhões de abates, 8,6% a mais que no ano anterior.
O aumento de 602,59 mil cabeças de suínos no comparativo anual foi impulsionado por 19 das 25 UFs participantes, com destaque para:
- Mato Grosso do Sul: aumento de 229,79 mil cabeças.
- Santa Catarina: aumento de 123,96 mil cabeças.
- Rio Grande do Sul: aumento de 109,35 mil cabeças.
Santa Catarina continua sendo o principal polo da suinocultura nacional, respondendo por 27,6% do total, seguido de Paraná (21,1%) e Rio Grande do Sul (17,7%). O peso das carcaças suínas cresceu 5,7% em relação a 2025 e 5,2% frente ao primeiro trimestre de 2026, totalizando 1,50 milhão de toneladas.
No segmento de aves, o abate de frangos também atingiu um recorde para o segundo trimestre, somando 1,69 bilhão de cabeças. Este volume representa um avanço de 2,8% em relação a 2025, embora tenha registrado uma leve queda de 1,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2026. Junho, novamente, marcou o pico mensal, com 568,51 milhões de abates, 8,2% superior ao mesmo mês do ano anterior. O Paraná liderou os aumentos estaduais, com 31,22 milhões de cabeças adicionais.
Leite, couro e ovos: expansão em setores complementares
A cadeia produtiva do leite cru também apresentou dados positivos no segundo trimestre de 2026. A aquisição pelas indústrias totalizou 6,61 bilhões de litros, um aumento de 1,0% em relação ao mesmo período de 2025. Contudo, houve uma retração de 2,5% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, indicando uma sazonalidade ou ajuste na produção.
O setor de curtumes registrou a aquisição de 10,96 milhões de peças de couro cru, um crescimento de 1,9% tanto na comparação anual quanto trimestral. Esse desempenho sugere uma demanda aquecida por matéria-prima na indústria do couro. A produção de ovos de galinha também se expandiu, alcançando 1,25 bilhão de dúzias. Este volume representa um aumento de 0,8% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 2,0% sobre o primeiro trimestre de 2026, reforçando a capacidade do país em suprir o mercado com esse alimento essencial.










