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Como este mundo é pequeno e Cruzeiro representado na Itália (Copa de 90)

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Reinaldo CostaReinaldo Costa (Foto), cruzeirense e apaixonado por futebol, cantor, jornalista e radialista com passagens nas maiores emissoras de televisão em rádio do País. Colunista Mix Vale

O ano era 1990, Copa do Mundo. Eu estava em Turim na Itália fazendo a cobertura da Copa pela Rádio Record de S. Paulo.

No dia 24 de Junho daquele ano, no lindo Estádio Delle Alpi, um loirinho invocado que nem iria jogar chamado Caniggia recebeu um passe do Maradona para fazer o gol que mandaria o Brasil de volta pra casa.

O estúdio central da rádio ficava em Asti, a 66 Km de Turim para onde nossa equipe se dirigiu logo após o término do jogo. Osmar Santos, o nosso chefe, convocou uma reunião de urgência na noite da derrota pra Argentina, por volta de 23h fuso Itália, 18h no Brasil, para definir dos 20 integrantes da equipe que estavam na Itália, quem deveria voltar e quem deveria ficar.

Como eu era o que mais tempo estava na Europa, coisa de 2 meses e 10 dias, me foi arrumado um voo para o dia seguinte saindo às 17h de Zurique na Suiça, caso não conseguisse só retornaria ao Brasil uma semana depois em razão do grande evento e os voos estarem todos lotados.

Rui Monteiro, ex-proprietário da Monvel em Cruzeiro e amigo do Osmar Santos, estava conosco a passeio pela Itália, ficou incumbido de me levar para Zurique logo pela manhã do outro dia.

O dia amanheceu ensolarado, era 25 de junho de 1990, na saída do hotel me deparei com o grande amigo Pedro Luiz, o maior narrador esportivo que o Brasil já teve e que na ocasião era meu comentarista,trocamos algumas ideias e nos dirigimos para os Alpes, uma viagem e tanto. Algumas paradas para um chocolate, não poderia ser de outra forma, fotos para lembranças, presentes para os amigos, tudo isso fazia parte de uma volta que não estava na nossa programação, mas enfim é da profissão jornalística.

Por volta das 15h já estava no aeroporto de Zurique, me encaminhei para o balcão da Varig (ainda existia) para fazer o checking de embarque e desembolsar $120 dólares por excesso de peso na bagagem.

Tudo pronto para a volta com tudo arrumado e despachado fui dar uma volta no Free Shop do aeroporto, diga-se um dos mais ricos que eu já vi em toda minha andança por esse mundo de Deus.

Fui comprar chocolate (mentira era Whisky mesmo). Esse negócio de ficar esperando o carrinho do avião passar pra você sorver uma ou mais dose de um Scotch legitimo não está com nada, melhor ter uma garrafa na bolsa. Feita a compra me dirigi ao banheiro para não ter que usar o do avião. Na entrada do W.C, todo feito de mármore Carrara, me deparo com uma situação no mínimo inusitada para quem está num aeroporto Internacional da Categoria do de Zurique em plena Suiça. Um cidadão completamente careca, fazendo a barra da calça sentado ao chão, achei aquilo muito estranho e continuei andando. Feito o serviço, me volto para a porta de saída, o sujeito continuava lá sentado a dar as suas agulhadas, e como todo jornalista é, curioso, fiz questão de cumprimentar o sujeito, HI ALL RIGTH ? (Oi tudo bem?), de primeira o cidadão levantou a cabeça e me olhou firme nos olhos, naquele momento eu quase cai de costas. Estávamos em Zurique na Suiça, aeroporto superlotado, gente embarcando para tudo quanto era lado, voos chegando do mundo todo, e aquele sujeito ali a me despertar curiosidade.

Pois bem, aquele sujeito que ali estava a arrumar a bainha da sua calça era um cidadão de Cruzeiro, da nossa Cruzeiro, isso mesmo, o susto e ao mesmo tempo a alegria me fizeram abraça-lo de uma tal maneira que eu não acreditava. Era ZÉ GUILHERME, filho do saudoso Paschoal Caputo, ele estava na Suiça participando de um Congresso das maiores transportadoras do Mundo, e a Transportadora Caputo se fazia representar pelo Zé Guilherme. Voltamos no mesmo avião, e para a alegria do ZÉ, alguns jogadores da Seleção do Brasil estavam naquele voo, como o saudoso goleiro Zé Carlos (Flamengo), Mauro Galvão, Careca, Silas, Muller, fiz questão de apresenta-los ao Zé que de Câmera portátil ás mãos registrou tudo, e até hoje tem guardado  essa lembrança, falamos de tudo na nossa volta, mas o detalhe maior e que eu jamais esquecerei foi quando o Zé me perguntou, o que eu estava fazendo ali, eu lhe respondi que estava a dois meses na Itália fazendo a cobertura da Copa do Mundo de futebol, e ele me disse sem vacilar : Nossa vai ter Copa do Mundo ? depois dessa só me resta dizer : COMO ESSE MUNDO É PEQUENO.

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