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NÃO FOI O DELEGADO, FOI O TREM…

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reinaldo_costa_01Texto escrito pelo colunista Reinaldo Costa (foto) que é radialista , jornalista com  passagens pelas mais importantes emissoras do País e Cantor profissional.

Década de 60, Cruzeiro era sim uma cidade em franco desenvolvimento, posso até dizer que foi bem mais cidade do que hoje, até porque vivíamos os nossos tempos de criança, de juventude e tudo era alegria.

Fábrica tínhamos várias, Clubes sociais outros tantos, cinemas 5 e um comércio que além de forte era bonito com suas vitrines enaltecendo nossas avenidas.

Além desses demonstrativos de progresso para uma cidade ainda menina, o que mais chamava a atenção daqueles que aqui aportavam para um fugaz trabalho, serviço ou até mesmo uma visita a um parente ou amigo era a região do “Baixo Meretrício”, e já chutando a lata a ‘ZONA DA RUA 1’.

Que me desculpem os mais conservadores, mas quem já não ouviu falar da Zona de Cruzeiro ?. Guardadas as devidas proporções, muitos também um dia ouviram dizer o nome da “CASA DA ENI EM BAURU”, da “NOVACAP” em Barra Mansa e de “VIRACOPOS EM CAMPINAS”  e tantas outras, Cruzeiro não era diferente, a cidade inteira sabia da ZONA DA RUA 1. Por ali passaram, moçoilas, melissas de identidades desconhecidas, que deixaram muita gente com o coração apertado e por muitas vezes suas economias descapitalizadas em troca de uma noite, tarde de sonhos impossíveis, porém realizáveis.

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Naquela época, Cruzeiro tinha um comércio em alta rotatividade, com restaurantes, hotéis e bares vivendo uma controlável vida de cidade grande, sendo na ocasião a Rua 2 a nossa maior veia de progresso, tanto de dia quanto á noite. Indesmentível dizer que tudo ou boa parte de nossos produtos internos de vendas e consumos tinham certa origem com a presença dos Trens que por aqui trafegavam, tanto aqueles que faziam a linha São Paulo, Rio e vice-versa como o Trem da Viação Mineira, que todos os dias e noites davam o maior movimento a nossa cidade. Aqui a pedra de toque desse nosso saudoso progresso. Em razão dos trens, tínhamos rotatividade na cidade, nossa estação Ferroviária era a mais movimentada no eixo  Rio São Paulo. Quem embarcava no Rio para a ir a Belo Horizonte de trem, obrigatoriamente tinha que descer e fazer a baldeação (troca de trens) em nossa cidade e invariavelmente pernoitar por aqui, e o mesmo se dizia daqueles que embarcavam em São Paulo.

Os caixeiros viajantes mais saidinhos, e fazendo aqui um eufemismo, os solteiros, iam até a zona, passar momentos de prazer na bebida tendo até o luxo de assistir a shows musicais na Boate, com moças bonitas, feias, gordas, magras, jovens e velhas e etc…Isso respaldava o nosso comércio com gente que viria a Cruzeiro só pra conhecer a ZONA DA RUA 1, enchendo nosso hotéis e restaurantes, isso dentro de um respeito um tanto  quanto  singular.

A sociedade não aceitava de forma alguma que aquelas mulheres da vida transitassem nas charretes pelas nossas vias, enquanto elas frequentavam normalmente o comércio e principalmente as agências bancárias como outras quaisquer, segundo os próprios gerentes, suas contas eram movimentadas diariamente. Não seria nenhum maluco de querer elencar os amigos, conhecidos e até desconhecidos que frequentaram a Zona, mas posso afirmar com certeza que não foram poucos, muitos já se foram, outros poderão estar até se envolvendo neste momento nesta leitura cheia de verdades que não pode ser censurada ou esquecida jamais, pois faz parte de um tempo de nossa vida, e esquecer seria a mesma coisa que não ter vivido esse tempo.


 DSC_0516-cópia-SmallA zona fechou porque os trens pararam de circular e a cidade também parou, as melissas ainda tiveram tempo de arrumar suas malas e irem para outras plagas, embora muitas tenham ficado. A culpa de fechar a zona não foi do delegado como muitos até hoje afirmam, tenham certeza, A ZONA FECHOU PORQUE O TREM PAROU!