O cruzeirense que estava em todos os velórios: ZÉ DA ÁGUIA

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Texto escrito pelo colunista Reinaldo Costa (foto) que é radialista , jornalista com  passagens pelas mais importantes emissoras do País e Cantor profissional.

Toda cidade interiorana tem um personagem que marca pela sua  simplicidade, torna-se conhecido por todos graças as suas características pessoais, no modo de se vestir, falar e de se comunicar, muitas vezes estereotipando o momento  em que vive  sua realidade, e porque não dizer sonho.

Pois bem, Cruzeiro teve vários amigos assim, como o ZÉ PORQUINHO, que queria porque queria casar com a lua, XERIFE que não prendia ninguém por força da justiça, mas trancava em seu coração a pura inocência de quem não conheceu nenhum outro lugar a não ser a sua querida Cruzeiro.

Dito isto, me lembro de um negro esguio que residiu no Bairro de Santa Luzia e que a todos lançava um sorriso a cada cumprimento dado. Zé da águia era seu apelido. Bastava saber através de amigos, parentes ou até mesmo numa divulgação da Rádio Mantiqueira que faleceu fulano ou fulana de tal na cidade que o Zé da Águia era presença garantida no velório.

Foram vários, muitos enterros que o Zé acompanhou, muitos deles inclusive desconhecidos como se parente fosse. Tinha uma indumentária única, paletó escuro e uma calça invariavelmente branca, para tal sempre pronta para o último adeus a quem quer que houvesse partido. Mas o Zé não era só conhecido por este fato lúgubre, basta dizer que era conhecido sobejamente por quase todos os políticos influentes da cidade, numa prova inequívoca que era adorado por todos, a ponto de chamar Nesralla Rubez de “PADRINHO” se dando ao luxo de pegar nas mãos do ex- deputado e beija-las como se isso fosse realmente verdade.

Zé não perdia um comício da Arena-Aliança Renovadora Nacional, afinal o seu padrinho era o homem forte do partido. Dizem alguns, e este fato não tenho como provar, que o Zé fazia questão de estar em todos os velórios porque logo após o falecido ser enterrado ele ganhava de presente as roupas deixadas pelo mesmo. Mas quero crer que não seja verdade, porque se assim fosse o Zé estaria somente em enterros de gente do seu porte físico, de sua estatura, mas ele estava em todos indiscriminadamente, rico ou pobre, gordo ou magro, branco ou negro.

Zé da Águia era uma figura, gostava de samba e dos amigos. Eu já não morava em Cruzeiro quando o Zé nos deixou, nem se quer me lembro qual foi o ano, só sei que assim como o Zé PORQUINHO, O XERIFE,  e tantos outros que passaram pelas nossas vidas nos deixando indelevelmente na lembrança os bons momentos que marcaram a nossa convivência, me faz reverencia-lo, só lamento não publicar aqui o seu nome verdadeiro, mas agora não importa, podia ser Pedro, João, Jose, Mané ou outro nome qualquer, que talvez para a  época pudesse até não ser reconhecido, mas com certeza se chamado fosse  pelo seu apelido de batismo ZÉ DA ÁGUIA  todos haveriam de se lembrar.

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