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Para jogar futebol tinha que assistir à missa no Oratório

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Reinaldo CostaTexto escrito pelo colunista Reinaldo Costa (foto) que é radialista , jornalista com passagens pelas mais importantes emissoras do País e Cantor profissional.

ORATÓRIO FESTIVO E SEUS PONTINHOS.

Quem tem mais de 50 primaveras nas costas vai se lembrar de muitas coisas boas, bonitas, inocentes que fizeram parte da nossa vida. A começar pelo histórico e significativo Oratório Festivo, assim era chamado o hoje colégio Instituto Nossa Senhora Auxiliadora.

Domingo, esse era o dia para todos nós, jovens na época, passarmos os nossos melhores momentos. Primeiro era que quase uma obrigação assistirmos à missa das 8 horas celebrada pelo Padre Paulo e que depois teve ainda Padres Tabir, Reinaldo, Alexandre, Hamiltom e por ai vai.

“Seu” Donário vigiava a todos aqueles que fugiam da missa e depois queriam jogar bola, isso era imperdoável, não podiam. Gordo, careca e de óculos bem clarinhos aquele homem era o responsável pela organização da parte recreativa da Igreja, seguindo os mesmos caminhos de DOM BOSCO, o Salesiano.

Quem assistia a missa ganhava um pontinho, e esse pontinho todos nós frequentadores do Oratório o colava (cola feita de água e trigo) numa folha de caderno. No final do ano, eles eram trocados por presentes numa festa muito bonita. Quem tinha mais pontos recebia um presente melhor, era sinal de que esteve presente em quase todas as missas do ano. Terminada a missa Seu Donário passava o bastão para outra pessoa não menos importante, era o momento da recreação, e o responsável por isso era um homem negro, alto, de voz mansa e uma educação ímpar. “SEU” Lourenço, conhecia e sabia tudo a respeito daqueles jovens, para ele uma verdadeira família.

Tudo era muito bem organizado, tudo no horário certo, aqueles com mais idade, já chegando aos 18, como era o caso do bom Lateral direito Celsinho, hoje funcionário do Fórum com mais de 30 anos de serviços prestados ao Judiciário, jogava no time Médio, assim era chamado, no sub médio que era a paixão do Seu Lourenço, uma turma de qualidade. Com menos idade essa turma era de primeira, Zé Garrincha era craque como foram outros, Zaga na ponta esquerda, formado em Medicina, Lombardi – o goleiro que fugia do pai por não poder jogar em razão de um tratamento nas pernas, mas jogava assim mesmo. Tirolê, o centroavante, neguinho esperto e rápido. Dom Dida, Bosquinho um gênio no meio de Campo e muitos e muitos outros.

Mas o Oratório era mais que futebol, exemplo disso eram os torneios de ping pong, e ali eu conheci um grande jogador, Caruso, Antonio Orlando Caruso, sabia tudo de ping pong, o hoje tênis de mesa, era efeito para tudo o quanto é lado, difícil de ser batido, até mesmo quando por ali passava o Padre Tabir que era outro grande jogador.

De quanta coisa boa a gente se lembra, dos nossos jogos contra rivais imponentes como os alunos do Colégio de Lavrinhas, e era verdade, era duro ganhar lá, como era difícil para eles quando vinham aqui naquele nosso campo careca como o seu Donário. Seu Donário e Lourenço foram professores da vida, muitos de nós devemos a eles boa parte dos nossos aprendizados, tínhamos onde nos divertir, passar horas agradáveis, correndo atrás de uma bola ou praticando outro esporte, televisão domingo pela manhã? nem pensar, nosso caminho era um só Oratório Festivo, onde com certeza aprendíamos muito, por isso ainda podemos lembrar desses momentos inesquecíveis que ficarão para sempre em nossas lembranças.