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TERMÔMETRO EDUCACIONAL

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Eduardo-Castro (1)Escrito por Eduardo Ferreira de Castro é especialista em Educação com ênfase em Gestão Educacional. E também Diretor de Escola e Consultor Educacional. (Foto)

Em outra oportunidade, aqui mesmo n’O Impacto da Notícia, abordamos dois pontos fundamentais para que o país alcance a tão desejada qualidade educacional que os brasileiros precisam e merecem: financiamento e gestão. Um não pode caminhar desarticulado do outro. Se é imperioso que investimentos “de peso” sejam realizados na educação brasileira, ampliando-se o valor per capta por aluno/ano, igualmente importante é a gestão destes recursos investidos. E é no exercício da gestão educacional que acrescentamos um elemento absolutamente necessário para sua eficácia: o monitoramento das ações.

O monitoramento funciona como um termômetro das ações educacionais. É por meio dele que podemos perceber se os investimentos estão direcionados corretamente e se os resultados estão sendo alcançados. No entanto, esta ação ainda é muito falha em nosso cotidiano educacional e, por conseguinte, nas gestões dos sistemas de ensino e das escolas espalhadas por esse Brasil. É bastante comum o planejamento muito bem feito de tudo aquilo que se pretende realizar ao longo do ano letivo. Daí, a tradução do que foi planejado para a prática, já se percebe um tanto quanto sofrível. Apesar disso, não se corrigem os rumos e os erros são muitas vezes cometidos novamente. É neste ponto que o monitoramento torna-se fundamental, pois se bem realizado nos permitirá reorganizar o planejado e garantir o sucesso da ação!

O dia-a-dia das escolas e dos sistemas educacionais é repleto de exemplos que confirmam a importância do monitoramento. Em um plano de trabalho bem elaborado, que especifica os objetivos e resultados esperados, estabelece metas a serem alcançadas e define estratégias e ações a serem desenvolvidas, o monitoramento se materializa nos indicadores de processo, que norteiam a caminhada rumo ao sucesso. Por meio destes indicadores, os profissionais podem perceber se há necessidade de reordenação dos passos a serem dados. E, se houver, poderão garantir que esta ação seja feita em tempo para que os objetivos sejam atingidos e os resultados positivos se consolidem.

Ampliando nossa reflexão, pensemos o Plano Nacional de Educação (PNE), que teve sua redação finalizada com muito atraso e foi sancionado no dia 26/06/2014 pela presidência da república, estabelecendo diretrizes, metas e estratégias de concretização no campo da Educação.

São vinte as metas definidas no PNE e que devem ser monitoradas permanentemente por toda a sociedade brasileira, a fim de que sejam, de fato, alcançadas.

Na educação infantil, etapa inicial da educação básica, a meta é a universalização, até 2016, Todas as crianças de 4 a 5 anos na pré-escola. Ampliar a oferta de Educação Infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos até o final da vigência deste PNE, também é uma meta a ser atingida.

E como podemos monitorá-la? Quais seriam nossos indicadores de processo? Os indicadores que nos permitirão o monitoramento são as matrículas registradas no censo escolar. E neste caso, o Brasil atingiu, em 2013, 87,9% das matrículas das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. Assim, com aproximadamente 88% das crianças desta faixa etária atendidas, a meta de universalização da pré-escola até 2016 não parece distante para o País. Mas é preciso ressaltar que os 12% restantes significam quase 700 mil crianças e que as desigualdades regionais são marcantes. Além disso, o foco não pode se restringir ao atendimento, sem um olhar especial para a qualidade do ensino.

Como a Educação Infantil, cada uma das metas do Plano Nacional de Educação – Ensino Fundamental (2), Ensino Médio (3), Educação Especial/Inclusiva (4), Alfabetização (5), Educação Integral (6), Aprendizado Adequado na Idade Certa (7), Escolaridade Média (8)… – deve ser perseguida e monitorada por todos nós, pois somente assim será possível alcança-las e garantir uma educação mais igualitária e de maior qualidade para toda a sociedade brasileira.

É por esta razão que afirmo que nosso termômetro educacional se materializa nas ações de monitoramento do planejado e do executado. Assim deve ser!