Noticias

Alegria Pedagógica

Artigo 24 – Alegria Pedagógica 4

Ensinar é um desafio! Nos dias atuais este desafio se reveste de uma complexidade ainda maior. Menos pela falta de condições oferecidas a educadores e educandos, e muito mais pelo excesso de informações que o mundo traz a cada segundo e que atordoam e deixam confusos nossas crianças e jovens.

Então, para buscar a maior aproximação possível com eles, devemos fazer do ato de ensinar um ato de alegria como nos fala o educador e escritor Rubem Alves, em sua obra “A Alegria de Ensinar” (2001): “Ser mestre é ter como missão ensinar a felicidade. Nesta visão, Geografia, História, Química, Física, Biologia, Matemática e as demais disciplinas são ou deveriam ser ‘bolinhas de gude’, brinquedos, objetos de prazer.”

No cotidiano escolar, talvez a tarefa mais difícil seja a de educar para a felicidade. No entanto, é vital que o ensinar e o aprender sejam revestidos de muita alegria, de muito entusiasmo, de muito prazer, pois se não for assim, não valerá a pena estar na escola exercendo a profissão docente. Não valerá a pena passar horas e horas do dia na companhia de tantos jovens, que ao seu modo, esperam que os educadores, mediando o processo de construção do conhecimento, possibilitem a cada um deles serem, um dia, adultos felizes.

Para tanto, é necessário desfazer o medo, a ansiedade, o sofrimento que a escola tradicional traz quando olha os alunos como inimigos a serem confundidos e torturados e, com essa finalidade, faz com que a vida seja desconectada do ensino.

Rubem Alves nos ensina que “o que cabe, pois, ao professor é, pela magia da sua palavra, viabilizar metamorfoses, promovendo a realização das potencialidades do aluno; metáforas: extrair vida da morte, príncipes de sapos, artistas de operários, borboletas de lagartas, observando que o contrário de cada um desses “feitiços” também é possível.”

E recorrendo a alguns filósofos, religiosos, pensadores e artistas o autor embasa seu ponto de vista, afirmando, eleArtigo 24 - Alegria Pedagógica 2 mesmo, que “educação é o processo pelo qual a Palavra desperta os mundos adormecidos”, o mundo da psicanálise, o mundo dos sonhos onde mora a criança.

O ensinar, portanto, deve ser sempre contagiante, instigante, excitante… Deve despertar em cada criança e em cada jovem a curiosidade sadia pela descoberta do novo. Não há como conseguir isso sem que o professor seduza o aluno para o querer aprender. Está posta aí a relação entre a vida, a felicidade e a própria educação, considerada na interação professor-aluno-disciplina.

E, para finalizar, trazemos o trecho do livro que fala da arte de criar quando não se têm recursos, ilustrado na figura de uma criança que monta um carrinho com peças coletadas do lixo contra aquele pai abastado que compra, com o vil metal, um carrinho de última geração para seu filho. Este último será fatalmente esquecido, enquanto o primeiro, impregnado de lembranças da infância daquela criança e fruto de ideias geradas com amor, será levado na lembrança para sempre.

Assim, destaca o autor, “em nossas escolas, para além de solicitar mais e mais recursos, devemos fundamentalmente estimular as ideias, a criatividade, o amor pelo que se faz”.

Lembremo-nos das escolas que com muito poucos recursos atingem excelentes resultados e constroem verdadeiros homens! Escolas que educam a partir da perspectiva da alegria pedagógica.

colunista_eduardoferreira

 

Eduardo Ferreira de Castro.

Especialista em Educação com ênfase em Gestão Educacional.

Diretor de Escola e Consultor Educacional.