O GRITO!
Os dicionários nos dizem que grito é o som agudo e muito elevado de nossa voz, emitido com esforço e de modo que se possa ouvir ao longe; afirmam, também, que o grito é uma exclamação sonora e forte para chamar alguém, pedir socorro ou exprimir sensação de dor, espanto, raiva, alegria ou qualquer outra emoção forte; é o clamor pela solução de algo que nos aflige intensamente! O grito, ainda segundo os dicionários, representa o protesto que se faz contra algo ou alguém que afronta nossa dignidade e nossa inteligência.
O grito! Que grito? De que grito estamos falando? Falamos do grito de um povo humilhado e ridicularizado por uma classe política absolutamente repugnante, salvo exceções! Não é possível mais conviver com situações de flagrante desrespeito e até mesmo de desprezo a cada um de nós, cidadãos de bem, trabalhadores honrados. Somos afrontados, diariamente, em nossa inteligência, com as “falas” e discursos dos políticos eleitos em todo o país. Discursos sobre os mais diversos temas e nos mais diversos contextos – quase todos eles revestidos de um cinismo sem medida, de uma hipocrisia asquerosa.
Mas, por que nosso grito não tem sido ouvido? Será que somos invisíveis aos olhos de nossos governantes e parlamentares? Será que para os nossos representantes eleitos em cada pleito somos “apenas um detalhe”, como nos afirmava, incansavelmente, o deputado Justo Veríssimo, personagem criado e protagonizado por Chico Anysio na TV? Será que tem razão o deputado João Plenário, personagem do humorista Saulo Laranjeira, desde 1994, em “A Praça é Nossa”, quando em seus esquetes nos passava “atestados e mais atestados de burrice”, numa representação impagável do parlamentar brasileiro?
Ou pior do que isso! Seríamos todos incompetentes em nosso grito? Não estamos sabendo gritar? Ou nosso grito está preso na garganta…, ainda!
Acredito que na verdade é a nossa apatia que nos imobiliza. Somos constituídos de um comodismo genuinamente brasileiro. Parece-nos cansativo protestar, reclamar nossos direitos, monitorar nossos representantes no mandato que nós mesmos outorgamos a eles. Achamos melhor ficar em casa, assistindo a novela e vendo o Jornal Nacional. Achamos melhor ficar em casa, hipnotizados pela “Dança dos Famosos”, no Domingão do Faustão; ou, ainda, idiotizarmo-nos pelas atrações pitorescas em “A Hora do Faro” ou no Programa “Eliana”…
É, realmente, não aprendemos gritar! Sabemos reclamar, reclamar, reclamar… Mas, não aprendemos a dar o “Grito de Guerra”. E posso afirmar com segurança meus caros leitores: enquanto não dermos o nosso grito, o grito de basta de todo o povo brasileiro, vamos continuar convivendo com políticos que nos consideram “apenas um detalhe”; que nos enxergam como perfeitos idiotas, que, de quatro em quatro anos, os reelegemos para continuar passando muitos “atestados de burrice” para cada um de nós.
Pensemos sobre isso!
Eduardo Ferreira de Castro.
Especialista em Educação com ênfase em Gestão Educacional.
Diretor de Escola e Consultor Educacional.
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