A morte do criador do Teatro Ventoforte
O diretor e artista plástico Elias Kruglianski, conhecido como Ilo Krugli, morreu no sábado, 7, aos 88 anos. Criador do Teatro Ventoforte, foi um dos expoentes na arte-educação e no teatro infantil no País. O velório foi realizado na sede do Ventoforte, no Itaim Bibi, e o enterro ocorreu neste domingo, no Cemitério da Vila Formosa. A informação é do ator Dinho Lima Flor. “Mestre menino que acabou de ir embora, me fez adentrar nas veias da América Latina, nas veias do Federico García Lorca e nas veias de Nise da Silveira. Um boniteza sem tamanho”, afirmou.
Nascido em Buenos Aires, o diretor chegou ao Rio em 1960. Em 1972, estreou a peça História de um Barquinho ou Um Rio que Vem de Longe.
Em uma viagem ao Chile, para ministrar um curso, o diretor foi preso durante o golpe militar que derrubou Salvador Allende. De volta ao Brasil, em 1973, estreia História de Lenços e Ventos, sobre a história de Azulzinha, um lenço, e seu amigo Papel, um pedaço de jornal, um marco no segmento teatral infantil no País.
Em 1974, criou o Teatro Ventoforte, no Rio, com o espetáculo Vento forte no teatro para crianças do Brasil. Nos mais de 50 anos de carreira formou diversos artistas nas áreas de dança, música, teatro de bonecos e animação.
Nas redes sociais, artistas e colegas do diretor lamentaram sua morte. Em nota, a Cia do Tijolo homenageou a trajetória do artista. “A grande maioria de nós, do Tijolo, é filho e filha do Ilo Krugli, do Teatro Ventoforte. Esse mestre que tinha medo quando ouvia helicópteros, pois se lembrava das ditaduras. Ilo é a história da América Latina. E ele fazia questão de contar e recontar essas histórias para quem quisesse. Agora o marinheiro subiu a sua âncora, e foi navegar por outras paragens. Obrigada, Ilo!”
O diretor do grupo Sobrevento, Luiz André Cherubini, declarou: “É um momento de grande tristeza e muita dor para todos os que amam bonecos, crianças, poesia, teatro, liberdade e os outros e que lutam sem temor nem trégua por um mundo melhor.”
O espetáculo O Mistério das Nove Luas foi relembrado pelo diretor e ator Fabio Caniatto. “Ilo interpretava, manipulava e dava voz ao boneco Maneco, tudo ao mesmo tempo. Ali diante do público, sem anteparos ou truques. Eles eram um só. Tive sorte na vida de conhecer e trabalhar com alguns que conviveram diretamente com Ilo, e que se tornaram meus amigos.”
Para o diretor Ruy Cortez, Ilo deixou um trabalho que inspirou todos os públicos. “Mestre do teatro humanista e poético no País, encantou crianças de todas as idades. Encosto minha testa na terra, Dyonisos te receba! Evoé!”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Estadao Conteudo
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