Ibovespa reduz ritmo com realização em varejo, mas sobe pelo 4º pregão seguido
Após uma manhã de alta firme, em que chegou a superar os 104 mil pontos, o Ibovespa perdeu fôlego na segunda etapa de negócios nesta segunda-feira, em meio à hesitação dos principais índices em Nova York, e se situou momentaneamente em território negativo. Segundo operadores, um forte movimento de realização de lucros em papéis de varejo e, em menor medida, do setor elétrico se contrapôs à alta firme de papéis da Petrobras, Vale e do bloco financeiro, limitando os ganhos do principal índice da B3. Apesar da desaceleração ao longo da tarde, o Ibovespa terminou esta segunda-feira em alta de 0,24%, aos 103.180,59 pontos, emendando o quarto pregão seguido de valorização. No acumulado do mês, o índice já registra ganhos de 2,02%.
Sem indicadores domésticos de peso para guiar os negócios, investidores operaram de olho no cenário externo e no noticiário corporativo. Dados fracos das exportações chinesas em agosto deram lugar à visão de que o gigante asiático adote medidas de estimular a economia e levaram o preço do minério a subir mais de 4% no porto de Qingdao. Crescem também as apostas que o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) afrouxem ainda mais a política monetária para combater a desaceleração da atividade, em meio ao impactos negativos do impasse comercial sino-americano e do Brexit.
Pegando carona na alta do preços do minério, as ações da Vale subiram 3,10% e as siderúrgicas registraram ganhos de mais de 4%, com destaque para o papel da Usiminas, que subiu mais de 8% e liderou os ganhos na carteira teórica do Ibovespa. Entre as demais blue chips, os bancos tiveram nova sessão de ganhos, embalados na expectativa de redução dos depósitos compulsórios.
Já os papéis da Petrobras avançaram mais de 1%, impulsionados pela valorização do petróleo e a publicação do edital do megaleilão de óleo excedente da sessão onerosa, que será realizado no dia 6 de novembro. Outro ponto positivo foi a aprovação do acordo para encerrar ação coletiva contra a Petrobras nos Estados Unidos. Também teria contribuído para impulsionar as ações da petroleira declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, dando conta de que deseja privatizar todas as estatais.
Os principais papéis de varejo e do setor imobiliários amargaram fortes quedas, com ações de Cyrela, B2W e Via Varejo perdendo mais de 5%. O Índice de Consumo (Icon) caiu 1,71%, e o Índice Imobiliário (Imob), 3,47%. Outro destaque negativo foi a JBS, que perdeu 3,53%. Com quase 3% de peso no índice, a ação do frigorífico foi abalada pelo fato de não ter unidades entre as que foram habilitadas a exportar carnes para a China.
Segundo a analista-chefe da Coinvalores, Sandra Peres, com a expectativa de retomada do crescimento doméstico e de aprovação das reformas, o Ibovespa tem caminho aberto para continuar sua escalada até o fim do ano, buscando algo entre 115 mil e 120 mil pontos. O que pode barrar o movimento de alta é sobretudo o ambiente externo, ainda tomado pela cautela em relação à falta de avanços nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China.
“Mesmo atrasando um pouco, as reformas domésticas estão sendo encaminhadas, a inflação está controlada e a Selic tende a ser reduzida. Tudo isso é positivo para a bolsa”, diz Sandra. “A grande preocupação é a questão da guerra comercial, com os tuítes do Trump (Donald Trump, presidente dos EUA) e a dúvida sobre até onde vai o corte de juros nos EUA”, acrescenta.
Antonio Perez
Estadao Conteudo
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