OAB pede que ONU monitore ‘ingerências’ em comissões sobre ditadura
O conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e entidades do terceiro setor, liderados pelo Instituto Vladimir Herzog, enviaram ofício a um grupo de trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU) em que pedem o monitoramento das políticas de reparação para casos de mortos e desaparecidos políticos na ditadura militar brasileira.
O documento cita, como exemplo de “clara ingerência” no tema, a exoneração de quatro integrantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, entre eles a procuradora regional da República Eugenia Gonzaga, presidente do órgão. Eles foram substituídos por militares e um integrante do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL.
“Solicitamos, mui respeitosamente, o pronto acompanhamento e atuação do Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários da ONU em relação aos visíveis retrocessos nas políticas públicas do Estado brasileiro para o enfrentamento das questões envolvendo os desaparecimentos forçados ocorridos durante a ditadura militar (1964 – 1985)”, diz o documento. Além da OAB e do Instituto Vladimir Herzog, assinam a carta o Instituto Ethos, a Comissão Arns e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
No ofício, as entidades ressaltam que o Brasil é signatário da Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado, adotada pela ONU, desde 2010. A convenção exige políticas de combate a desaparecimentos políticos que tenham ocorrido tanto no passado quanto no presente – as comissões sobre mortos e desaparecidos políticos estão entre essas políticas. As entidades ressaltam que a comissão em questão foi instituída por lei em 1995 e foi mantida durante diferentes governos.
“A não punição dos autores desses crimes fez com que a prática não fosse interrompida após a transição para a democracia, sendo frequentes os casos de sequestro, tortura, assassinato e ocultação de cadáveres perpetrados por agentes do Estado ainda hoje”, diz o ofício enviado ao grupo da ONU.
A carta também chama atenção para a outras comissões voltadas para a apuração de desaparecimentos e assassinatos ocorridos na ditadura, e cita o Grupo de Trabalho Perus (GTP) e Grupo de Trabalho Araguaia (GTA). O GTP apura a responsabilidade por uma vala comum onde foram encontradas 1.047 ossadas na região norte de São Paulo. Após a edição de um decreto por Bolsonaro que extinguiu conselhos, comissões e outros grupos que não foram instituídos por lei, o GTP hoje funciona apenas por força de decisão judicial.
Justificativa
Na ocasião da troca de integrantes na comissão, a justificativa de Bolsonaro foi que seu governo é “de direita”. “Quando eles botavam terroristas lá, ninguém falava nada. Agora mudou o presidente”, disse Bolsonaro em agosto. O presidente não especificou quais seriam os “terroristas” que teriam feito parte da comissão.
Estadao Conteudo
Copyright © 2019 Estadão Conteúdo. Todos os direitos reservados.
Veja Tambem em Últimas Notícias
Sede da Conmebol abriga sorteio que define caminhos na Libertadores e Sul-Americana nesta sexta
Canadian prime minister advocates robust US partnership for shared economic prosperity in New York
Anne Hathaway confirma cinco lançamentos em seis meses e detalha nova fase profissional no cinema
Lançamentos de cinema e streaming em junho incluem novos longas de Steven Spielberg e franquias
Novo Lotus Emira 420 Sport estreia com motor de 420 cv e pacote aerodinâmico focado em leveza
Animação Toy Story 5 confirma Bad Bunny e Alan Cumming no elenco para dublar novos personagens
Arquivo inédito de Matt Wellings exibe rotina da Rainha Elizabeth II no Iate Real Britannia
Pesquisa da Toyota mostra alta frequência de recarga em carros híbridos plug-in na América do Norte
Nova geração do sedan Lexus ES 2027 adota plataforma unificada para versões híbrida e elétrica
Desenvolvedora Eclipse Glow Games traz jogo Tides of Annihilation ao console PlayStation 5
Demanda acelerada faz Nintendo ampliar fabricação do Switch 2 para 20 milhões de consoles