Em 6ª visita aos EUA, Ernesto repete ideia de ‘parceria forte’ com Trump
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Na véspera, Ernesto Araújo anunciara a ocasião como “o grande dia”.
Em sua sexta viagem aos Estados Unidos somente neste ano -cinco delas com destino a Washington-, o ministro das Relações Exteriores fez nesta sexta-feira (13) sua quarta reunião com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.
Após o encontro de meia hora, Ernesto participou -ao lado do homem forte do governo Donald Trump- de uma declaração à imprensa que durou menos de dez minutos.
Repetiu a ideia de que Brasil e EUA têm uma “forte parceria” e “uma agenda ambiciosa”, mas não fez nenhum anúncio concreto sobre ela, detendo-se aos compromissos estabelecidos entre os países durante a visita de Jair Bolsonaro à Casa Branca, em março.
A sequência de viagens aos EUA, explicou o chanceler brasileiro, reflete o trabalho das equipes “para entregar o que os dois presidentes combinaram”.
Ernesto falou mais uma vez de Venezuela -e o apoio das duas nações ao opositor Juan Guaidó contra Nicolás Maduro-, do status do Brasil como aliado extra-Otan dos EUA e da necessidade de expandir as relações comerciais com os americanos.
Nas suas palavras, o compartilhamento de “visão de mundo” e “filosofia” entre os governos Trump e Bolsonaro mostra uma relação bilateral que “pode e deve ser mais forte.”
“Temos essa ambiciosa agenda e estamos convencidos de que nós a estamos entregando”, disse Ernesto, sem detalhar qualquer medida.
Antes dele, Pompeu abriu as declarações. Chamou o chanceler brasileiro de “amigo” e disse que os dois estão desenvolvendo “uma ótima relação de trabalho nos últimos dez meses”.
Também não trouxe novidades. “Fui para a posse [de Bolsonaro] em janeiro de 2019 e celebrei o ano novo no avião, em algum lugar no céu a caminho do Brasil”, afirmou o secretário de Estado.
Segundo o americano, Bolsonaro e Trump “se comprometeram a expandir uma forte e estratégica relação” e ponderou que é isso que os governos estão fazendo nesta sexta, durante reunião do fórum “Diálogo de Parceria Estratégica”, retomado depois de sete anos.
“Mas a mudança na nossa relação é muito maior do que fazer e marcar reuniões. Estamos em uma profunda e importante era para as relações entre Brasil e EUA”, disse Pompeo.
O secretário de Estado falou mais uma vez sobre a criação do Fundo de Investimento de Impacto sobre a Biodiversidade, no valor de US$ 100 milhões (cerca de R$ 408 milhões) ao longo dos próximos 11 anos, para a preservação da biodiversidade da Amazônia.
A iniciativa, porém, já tinha sido anunciada, inclusive com as cifras, no documento que resultou da visita da comitiva presidencial brasileira à capital americana, há seis meses.
O auxiliar de Trump ressaltou ainda a parceria com o governo Bolsonaro em relação à crise na Venezuela.
Disse que o Brasil vai sediar uma reunião de um dos grupos de trabalho sobre refugiados de uma cúpula sobre a paz e segurança no Oriente Médio, e que as relações comerciais serão ampliadas.
Ernesto finalizou sua breve declaração com a ideia de que os princípios do governo brasileiro são “liberdade, democracia, soberania, defesa dos valores e abertura de mercado” e reforçou a tese de que a crise na Amazônia que, segundo ele, é provocada por alarmistas do aquecimento global, fere diversos desses pilares.
“Ao redor do mundo vemos a sinalização de ideias que questionam a soberania. No caso do Brasil, especifico da Amazônia, [dizem] que talvez não estejamos aptos a enfrentar os desafios do meio ambiente, e isso não é verdade. Nossos amigos dos EUA sabem que isso não é verdade, e queremos estar juntos no esforço de desenvolver a região da Amazônia, que é o único jeito proteger a floresta. Precisamos de novas iniciativas, iniciativas produtivas para criar trabalhos, e é nisso que nossa parceria com os EUA será importante.”
Desde quarta-feira (11) em Washington, Ernesto tem falado sobre a Amazônia sempre no sentido de minimizar a extensão e gravidade das queimadas na floresta.
Para o governo Bolsonaro, a tentativa de países europeus como França e Noruega de dar um caráter internacional à crise é uma forma de intervenção na soberania brasileira.
A expectativa é de que esse seja o tom do discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU, na dia 24, em Nova York.
Ernesto jantou na quarta -fora da agenda oficial- com o ex-estrategista de Trump Steve Bannon para discutir o assunto. O encontro foi divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pela Folha de S.Paulo.
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