CineBH olha para coproduções em momento de prestígio do cinema nacional
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O tema da 13ª CineBH, a mostra internacional de cinema que foi aberta na terça-feira (17) em Belo Horizonte, não surgiu por acaso: “A internacionalização do cinema brasileiro e os desafios para o futuro”.
Bem sabem Francis Vogner Reis e Marcelo Miranda, os curadores do evento, que da fronteira para dentro, os ventos não são dos mais favoráveis. No exterior, ao contrário, os filmes brasileiros têm marcado presença e recebido prêmios com frequência.
As vendas têm sido produtivas. Não vamos falar dos direitos de exibição, onde não raro os filmes brasileiros conseguem bilheterias superiores às obtidas no Brasil. Mas de vendas quase inverossímeis, como a dos direitos de “remake” da comédia “Até que a Sorte nos Separe” para a Alemanha e o México. Ou, também inesperada, a dos direitos de “remake” de “Que Horas Ela Volta?”, o filme de Anna Muylaert, para a… Coreia.
A primeira noite do evento foi marcada pela homenagem à Filmes de Plástico, produtora de Contagem que chega a seu décimo aniversário (com seu “Temporada”, que representou o Brasil no Festival de Locarno do ano passado e já tem estreia comercial marcada na França). Em seguida, a mostra foi aberta com a exibição de “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, que ganhou o prêmio da mostra Un Certain Regard no último Festival de Cannes e vai representar o Brasil no Oscar.
Não é difícil perceber que o olhar da mostra de Belo Horizonte está todo voltado ao exterior. Se ainda não estivesse claro, o Brasil CineMundi tiraria qualquer dúvida: trata-se de evento destinado à promoção de coproduções internacionais.
Note-se que desde 2007, ano do primeiro CineBH, o evento caminhou nessa direção: “seu compromisso é estabelecer diálogo entre as culturas, ampliar as oportunidades de negócios para o cinema brasileiro e promover a conexão de profissionais com o mercado audiovisual internacional”, segundo Raquel Hallak, coordenadora do evento.
No entanto, 2019 apresenta-se de maneira diferente. Ao mesmo tempo em que o prestígio internacional do Brasil tem crescido (e o vasto dossiê Brasil publicado pelos Cahiers du Cinéma, a mais importante revista de cinema do mundo, neste mês de setembro, é a demonstração mais evidente do crescimento desse prestígio), ao mesmo tempo em que no fronte interno, o enfraquecimento da Ancine e o corte prometido pelo presidente da República no FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), principal fonte de financiamento do setor, são péssimos presságios para a produção do país.
Por isso é importante o encontro que reunirá 25 representantes de 15 países interessados em coproduzir com o Brasil (entre eles França, Alemanha, Canadá, Itália, Argentina), que analisarão 22 projetos pré-selecionados pelo CineBH.
Na iminência de uma crise profunda, a perspectiva de internacionalização surge como um respiro para os produtores nacionais. Vão longe os anos em que as estrelas do CineBH eram diretores como a argentina Lucrecia Martel (em 2015). Todos os olhos estão voltados para as coproduções que possam acontecer.
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