Membro de família de criminosos da Argentina é preso em São Paulo
O argentino Daniel “Maguila” Puccio, membro de uma família que sequestrou e matou empresários na década de 1980, foi preso em São Paulo com documentos falsos. Ele está no Centro de Detenção Provisória (CDP) – Pinheiros, em uma ala para estrangeiros que aguardam julgamento. Caso seja condenado, será levado para a prisão de Itú, única cadeia exclusiva para estrangeiros no Brasil, localizada no interior de São Paulo.
Apelidado de “Maguila”, desde a infância, Daniel Puccio, que tem 58 anos, foi preso na manhã de segunda-feira(16), ao apresentar documento brasileiro falsificado, em um ônibus de viagem. De acordo com a polícia, o argentino demonstrou nervosismo durante uma operação de busca de drogas no veículo.
Após consultarem o sistema informatizado da polícia e constatar que o documento era falso, Maguila foi preso, apresentou seu passaporte verdadeir, e foi identificado como pertencente à família de criminosos argentinos.
Apesar de ter sido condenado, em 1996, a 13 anos de prisão pelo seu envolvimento no sequestro de uma empresária, a condenação de Puccio prescreveu, pois ele nunca foi encontrado. Esteve desaparecido durante 15 anos.
A Agência Brasil entrou em contato com o 4º Distrito Policial de Itú, onde a ocorrência foi registrada. A assessoria informou que Daniel ficará preso no CDP de Pinheiros por pelo menos 30 dias, prazo para que se conclua o inquérito. Após a conclusão, a juíza marcará audiência, para que defesa e acusação se manifestem, e o julgamento será concluído.
Apesar de ter participado de sequestros e assassinatos, não há, atualmente, nenhuma ordem de prisão ou de extradição contra Daniel, pois os crimes prescreveram.
Família criminosa
A história da família Puccio, que aterrorizou a Argentina na década de 1980, foi imortalizada no filme “O Clã”, de 2015, dirigido por Pablo Trapero. Pai e filhos atraíam empresários conhecidos e os mantinham em cativeiro dentro de sua própria casa no bairro de San Isidro, em Buenos Aires. Em seguida, cobravam o resgate e, depois de receber o dinheiro, os matavam. Três empresários foram mortos. No último crime da família, o sequestro da empresária Nélida Bollini de Prado, os criminosos foram descobertos pela polícia argentina. Ela foi a única sobrevivente entre os sequestrados pelos Puccio.
No ano de 1985, Daniel foi preso. Em 1988, ele foi solto, pois havia cumprido o prazo de prisão sem condenação. Dez anos depois, em 1998, recebeu a condenação de 13 anos de prisão pela sua participação no último sequestro do clã, mas fugiu da Argentina e passou mais de uma década desaparecido. A condenação prescreveu em 2011.
O pai, Arquímedes Puccio, e o irmão mais velho, Alejandro, foram condenados à prisão perpétua, passaram vários anos presos, mas morreram em liberdade. Arquímedes morreu em 2013, de acidente vascular cerebral. Alejandro morreu em 2008, por uma infecção provocada pelos ferimentos de quatro tentativas de suicídio.
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