Ernesto troca reunião de Venezuela por encontro sobre liberdade religiosa com Trump
NOVA YORK, EUA, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O chanceler Ernesto Araújo mudou a agenda de última hora nesta segunda-feira (23) e trocou uma reunião do Grupo de Lima, que trataria da crise da Venezuela, por um encontro sobre liberdade religiosa com a presença do presidente dos EUA, Donald Trump.
Araújo estava escalado para representar o Brasil às 11h na Sala de Conferência 5 da ONU, onde debateria com integrantes dos outros 14 países que formam o bloco saídas para resolver a crise que assola a Venezuela sob regime de Nicolás Maduro.
Pouco antes do horário marcado, porém, Araújo entrou na Sala de Conferência 8, praticamente em frente àquela em que estava acontecendo o encontro do Grupo de Lima, e, de lá, acompanhou o discurso de Trump sobre religião.
“Os EUA são fundados nos princípios de que nossos direitos não vêm do governo, eles vêm de Deus”, afirmou o americano ao lado do vice, Mike Pence, e do secretário de Estado, Mike Pompeo.
Trinta minutos após a chegada de Trump ao encontro denominado “Chamada global para a proteção da liberdade religiosa”, o Itamaraty divulgou a atualização da agenda de Ernesto.
Segundo integrantes da comitiva brasileira, houve uma divisão de tarefas -o secretário responsável por Américas, Pedro Miguel, participou da reunião do Grupo de Lima no lugar de Ernesto-, visto que a liberdade religiosa é considerada um tema importante para o governo Bolsonaro.
Sobre o encontro do Grupo de Lima, por sua vez, o Planalto não tinha grandes expectativas. Ainda nesta segunda, Ernesto vai participar de outra reunião sobre Venezuela, para ver se o TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) será acionado.
No limite, ele poderia autorizar uma intervenção militar na Venezuela, apesar de o governo brasileiro já ter declarado que se opõe a esse ponto.
Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, a Aliança Internacional para Liberdade Religiosa foi um dos principais assuntos do encontro do chanceler com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, há duas semanas, em Washington.
Os Estados Unidos apostam na aliança como um dos pilares de sua política externa, e o Brasil deve ser um dos membros fundadores do órgão.
A cooperação na ofensiva contra discriminação religiosa no mundo é considerada ponto-chave da parceria estratégica entre os dois países. A iniciativa visa a defender todas as religiões, mas o tema foi abraçado especialmente por evangélicos e católicos mais atuantes.
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