Secretário de Alagoas posta vídeo pedindo a Bolsonaro verba para Canal do Sertão
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O secretário de Infraestrutura de Alagoas, Maurício Quintella, postou um vídeo em seu perfil no Facebook pedindo ao presidente Jair Bolsonaro verba para a conclusão das obras do Canal do Sertão Alagoano, que leva água do rio São Francisco para mais regiões do estado.
Quintella afirma que o canal é a “principal obra estruturante e fundamental para garantir segurança hídrica a milhões de sertanejos e agrestinos alagoanos”.
Na semana passada, a Odebrecht, responsável pelas obras, demitiu 130 trabalhadores após atrasos nos repasses feitos pelo governo federal e afirmou que poderia haver uma paralisação caso não recebesse.
No início desta semana, o governo do estado de Alagoas recebeu R$ 16 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional e repassou os valores para a empreiteira.
Em sua publicação, o secretário Quintella diz que ficaram “muito gratos” pelos R$ 16 milhões liberados.
“Mas precisamos ainda de R$ 132 milhões para concluir o trecho quatro, dos quais R$ 76 milhões estão empenhados e na lei orçamentária de 2019. Receba essas informações e imagens do Canal, tenho certeza que tomarás um susto ao ver a beleza desse empreendimento”, segue o texto.
O vídeo traz imagens do sertão alagoano, das obras do canal e depoimentos de agricultores. “Pedir para ele [Bolsonaro] liberar a verbas para continuar esse canal”, diz um deles. “Essa água será tudo na vida do agricultor”, diz outro senhor.
O Canal do Sertão Alagoano foi um dos assuntos tratados pelos executivos da Odebrecht nos acordos de delação premiada firmados com a força-tarefa da Lava Jato.
Os delatores narraram tratativas feitas em 2009 e 2010 para realizar um acordo entre as empresas que participariam da construção.
O pagamento de propina para as obras do canal também foi um dos motivos alegados pela PF (Polícia Federal) para a operação da semana passada, que teve como alvo o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).
A PF sustenta que Bezerra recebeu R$ 5,5 milhões em propinas e empreiteiras encarregadas das obras de transposição do rio São Francisco e nas do Canal do Sertão.
Em 2017, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), abriu um inquérito para investigar os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Bezerra (MDB-PE), além do governador de Alagoas Renan Calheiros Filho (PMDB).
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