Goo Goo Dolls analisa o estado do mundo em novo disco
É injusto dizer que Iris “engoliu” o Goo Goo Dolls, a banda americana que fez a música para a trilha de Cidade dos Anjos, em 1998. Porque o grupo – hoje com seus dois membros originais remanescentes, o guitarrista e vocalista John Rzeznik e o baixista Robby Takac – tem uma rica história antes e depois de Dizzy Up The Girl, o álbum daquele ano que os levou ao estrelato internacional. O Goo Goo Dolls toca no Palco Mundo do Rock in Rio 2019, no domingo, 29, como parte da primeira turnê pelo Brasil.
Mas é inegável dizer que a música cumpre uma função definitiva nessa trajetória. Formada em Buffalo, Nova York, em 1986, a banda consistia em um trio punk tocando com gente como Bad Religion e Motörhead e lançando discos semiprofissionais com músicas rápidas, curtas e barulhentas. O começo dos anos 90 viu um sucesso moderado, já com melhor produção e um som mais direcionado para o rock alternativo da época.
E aí Rzeznik foi contratado para escrever uma música para Cidade dos Anjos (remake de Asas do Desejo). Iris, a canção, foi o primeiro Top 10 do Goo Goo Dolls na Billboard Hot 100 e se tornou um dos maiores sucessos “crossover” da história, sendo a música mais tocada do ano em rádios de rock moderno, pop e música contemporânea.
Em entrevista no Allianz Parque, em São Paulo (a banda abriu o show do Bon Jovi na quarta, 25), Rzeznik sabe que a pergunta sobre a música vem, mas o baixista, Robby Takac, é mais bem-humorado sobre o assunto. “A última vez que ouvimos a música, fora dos nossos shows, foi quando entramos no nosso hotel no Recife (o primeiro show no Brasil foi lá, dia 22), um cara a estava tocando no bar”, disse Takac aos risos. “Passei de fininho e fui para o meu quarto.”
É a primeira vez do Goo Goo Dolls no Brasil e o vocalista diz que ficou feliz com a resposta no show de estreia. “É legal que gente mais nova ainda se relacione com o nosso tipo de música. Ainda me faz sentir que tenho algo relevante a dizer.” Takac concorda: “É incrível passar de uma geração a outra”.
Mas tudo isso, na verdade, não esteve na cabeça da banda nos últimos 12 meses, período em que eles escreveram e lançaram Miracle Pill, 12.º disco de estúdio. O álbum é um compilado de canções que não se distanciam do som soft rock a que a banda se apegou, mas exploram um synth pop e regiões do rock.
“Todo mundo quer gratificações instantâneas”, diz Rzeznik sobre o conceito do disco – a pílula milagrosa do título. “Usei isso como metáfora. Parece que estamos perdendo o contato com nossa humanidade e com as pessoas. Não sei se a tecnologia fez todo mundo ficar mais próximo ou se fez todo mundo ficar mais perto do final.”
É a primeira vez do Goo Goo Dolls no Rock in Rio, e o baixista acredita ser uma grande oportunidade. “Não estamos acostumados a tocar para tanta gente”, conta Takac. “Vamos tocar o mais alto que pudermos.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Guilherme Sobota
Estadao Conteudo
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