Entenda quem são os curdos, a maior nação apátrida do mundo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Donald Trump decidiu apoiar nesta segunda (7) uma invasão militar turca em áreas da Síria controladas pelos curdos. O gesto do presidente norte-americano é encarado como uma traição ao povo que ajudou os EUA a derrotar o Estado Islâmico -os curdos são aliados militares de Washington há anos.
ENTENDA QUEM SÃO ELES
– Quem são e onde vivem os curdos?
Descendentes da Pérsia antiga, os curdos são hoje a maior nação apátrida do mundo, com entre 30 e 40 milhões de integrantes.
Desde 4.300 a.C., eles habitam uma grande região montanhosa de 500 mil km2 que se estende por partes dos territórios de Irã, Iraque, Síria, Armênia e Turquia. Esta região histórico-cultural é conhecido como Curdistão.
A maior concentração está no sudeste turco, com cerca de 20 milhões.
– Quais as suas características?
Eles falam um idioma próprio, o curdo, e também árabe. A maioria segue a religião muçulmana sunita, mas há minorias que seguem outros credos e grupos laicos.
– Pelo que lutam?
Independência e um território unificado. Apesar de serem o quarto maior grupo étnico do Oriente Médio, nunca obtiveram um Estado próprio.
Houve esperanças de um Estado curdo após a Primeira Guerra. Contudo, o Tratado de Lausane, que delimitou as fronteiras da Turquia nos anos anos 1920, não previu uma região independente para este povo e o deixou como minoria nos países onde habitam.
Desde então, sempre que um levante ou iniciativa –como um referendo em 2007 no Iraque– tenta torná-los independentes, são esmagados pelos governos locais. Na Turquia, por exemplo, há grupos armados que lutam contra o controle de Ancara há décadas.
No norte do Iraque, os curdos têm uma região autônoma desde 1991 (população de 4,5 milhões de pessoas), mas não totalmente independente do governo do país.
Na Síria, lideranças curdas estão conversando com o governo para criarem uma zona autônoma tão logo as tropas dos EUA se retirem. Os curdos sírios ocupam 30% do território do país.
– O que eles têm a ver com a Guerra da Síria e o Estado Islâmico?
Os curdos são aliados norte-americanos desde que uma coalizão internacional liderada por Washington invadiu o Iraque em 2003 com o objetivo de derrubar o regime de Saddam Hussein, dentro da guerra contra o terrorismo desencadeada pelo 11 de Setembro.
Mais tarde, os curdos da Síria –que constituem entre 7% e 10% da população do país– foram armados por Washington para combater tanto o Estado Islâmico (EI) quanto a ditadura de Bashar al-Assad. Estima-se que os curdos estejam com 60 mil terroristas do EI detidos, dos quais a Turquia supostamente tomará conta com a saída dos EUA.
Um porta-voz da FDS (Forças Democráticas Sírias), Mustafa Bali, que controla o norte da Síria, disse que a retirada das tropas vai criar uma “zona de guerra” na região, pois curdos e turcos são inimigos há décadas. De todo modo, a notícia desta segunda não é uma surpresa, pois Trump havia anunciado em dezembro que tiraria as tropas de lá.
O mandatário norte-americano não parece preocupado com a relação com seus agora ex-aliados. “Os curdos lutaram com a gente, mas foram pagos quantidades imensas em dinheiro e em equipamento para isso”, disse.
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