Lava Jato aponta propinas de US$ 3,4 mi em contratos da Maersk com a Petrobras
A força-tarefa da Lava Jato do Paraná estima que houve pagamento de ao menos US$ 3.402.941,58 em propinas envolvendo contratos de R$ 592 milhões celebrados entre a Petrobras e a Maersk para locação de navios. A empresa dinamarquesa foi um dos alvos da etapa 70 da Lava Jato, desencadeada na manhã desta quarta-feira, 18, para investigar crimes de corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro relacionados a contratos de afretamento da Petrobrás.
Além de contratos da Maersk, a ação também investiga acordos intermediados pelos shipbrokers Tide Maritime e Ferchem. A 13ª etapa da Lava Jato deste ano, chamada de Óbolo, realiza buscas nas empresas e nas residências de seus representantes, além de vasculhar os endereços de ex-funcionários da Petrobrás.
A operação apura o fornecimento de informações privilegiadas às empresas em troca do pagamento de propina a funcionários da Petrobras. Somados, os valores dos contratos investigados ultrapassam R$ 6 bilhões.
Com relação a Maersk, o Ministério Público Federal registrou que há evidências de que o armador, por meio de uma empresa intermediária, efetuou pagamentos de propina ao então ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Segundo os investigadores, estão sob suspeita pelo menos 15 contratos de afretamento marítimo vigentes entre 2006 e 2014, no valor total de R$ 658 milhões.
A investigação tem como base informações prestadas pelo próprio Costa, em delação premiada. A estimativa inicial da Procuradoria, de que houve pagamento de ao menos US$ 3.402.941,58 no âmbito de 11 contratos do armados, foi extraída de uma planilha apreendida com o ex-executivo da estatal no estágio inicial das investigações da Lava Jato, em 2014.
Na época, a Polícia Federal havia apontando evidências de pagamento de US$ 6,2 milhões em propinas, entre 2006 e 2010, por parte de uma empresa supostamente ligada à Maersk.
Segundo a força-tarefa, há evidências de que as informações privilegiadas chegavam à empresa dinamarquesa por Wanderley Gandra. A Procuradoria apontou ainda que Gandra constituiu uma shipbroker, a Gandra Brokerage, para repassar propina a Paulo Roberto Costa. A Maersk teve de contratar uma segunda empresa para realmente realizar os trabalhos, “dobrando seu custo operacional”, diz o MPF.
A Procuradoria também apontou que o então gerente executivo de Logística da Petrobras teria auxiliado Costa no esquema, firmando contratos com a Maersk em situações apontadas como irregulares em apuração interna da Petrobrás.
Com relação às contratações de afretamento feitas pela Petrobras com a intermediação dos shipbrokers Tide Maritme e Ferchem, a Lava Jato investiga contratos para além de 2020, em valores superiores a US$ 100 milhões.
Em nota, a força tarefa destacou provas que basearam as investigações, entre elas mensagens que apontavam envolvimento do ex-tesoureiro do Partido Progressista (PP) João Cláudio Genu no direcionamento de contratos de afretamentos para os armadores representados pela Tide Maritime e pela Ferchem.
Segundo a Procuradoria, tais provas foram encontradas em celular apreendido com João Cláudio Genu na operação Politeia.
Os procuradores destacaram uma conversa entre Genu e Gustavo de Sá, empresário da Tide Maritime, que tratava da reestruturação da diretoria de Abastecimento da Petrobras após a saída de Paulo Roberto Costa. Segundo a força-tarefa, Genu disse que Sá poderia ficar tranquilo, pois ele e “Niterói” ficariam bem.
O codinome “Niterói”, segundo a investigação, faz referência a Pedro Blyth, executivo da Ferchem.
A investigação também identificou indícios de que Dalmo Monteiro, então gerente de Afretamentos da Petrobras, atuava em benefício da Ferchem, recomendando a armadores que contratassem a empresa de Pedro e Rodolfo Blyth como shipbroker. O ex-funcionário da Petrobras é réu por suposta lavagem de propinas pagas também no contexto de contratação de navios pela estatal.
Defesas
A Maersk confirma, em nota, “que a Polícia Federal esteve hoje (quarta-feira) em seus escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo, para averiguações. Por se tratar de uma investigação em andamento, a Maersk não irá fazer comentários. A Maersk informa ainda que está cooperando com as autoridades, e reitera que trabalha contra todos os tipos de ilegalidade.”
A reportagem busca contato com Tide Maritime, a Ferchem e com outros citados. O espaço está aberto para as manifestações de defesa.
Veja Tambem em Últimas Notícias
Versão de entrada do Caoa Chery Tiggo 5X Sport contraria mercado e valoriza na tabela Fipe
Fabricante sul-coreana avança testes da interface One UI 8.5 e amplia acesso para novos celulares
Apple disponibiliza watchOS 26.4 e macOS Tahoe 26.4 com suporte nativo para AirPods Max 2
Detalhes do OnePlus Ace 6 Ultra indicam bateria de 8500mAh e tela de 165Hz para jogos pesados
Former Shaolin abbot Shi Yongxin sentenced to 24 years for extensive embezzlement and bribery
Vietnamese official cautions Asian military leaders on growing superpower rivalry threats
Mexico’s senate approves controversial amendment to curb foreign election interference
Governo detalha futuras regras do bolsa família e novos benefícios para 2026
Especialistas projetam PlayStation 6 e Xbox Helix com valores próximos a mil dólares no lançamento
Hatch elétrico Dolphin Mini supera veículos a combustão e lidera vendas no varejo em fevereiro
Plataforma varejista Shopee disponibiliza Apple iPad 11 com desconto especial e parcelamento sem juros