EXCLUSIVO-Sócios da PDVSA atuam como operadores de petróleo venezuelano em meio a sanções
Por Marianna Parraga e Mircely Guanipa e Deisy Buitrago
CARACAS/PUNTO FIJO, Venezuela (Reuters) – Após ter as exportações de petróleo dizimadas por sanções dos Estados Unidos, a Venezuela está testanto um novo método para colocar seu produto no mercado: a alocação de cargas para sócios em joint ventures, entre eles a Chevron, que por sua vez comercializam a commodity para clientes na Ásia e na África.
Isso não violaria as sanções, desde que o produto da venda seja utilizado para quitar dívidas de um empreendimento, segundo três fontes de joint ventures. Elas disseram que essa abordagem pode ajudar a Venezuela a superar os obstáculos para produção e exportação de petróleo.
As exportações de petróleo da Venezuela recuaram 32% no ano passado, à medida que o governo dos EUA impediu aquisições do produto por empresas norte-americanas e transações realizadas em dólares. A PDVSA foi forçada a utilizar intermediários para suas vendas, especialmente devido à pressão de Washington para que clientes indianos e chineses da Venezuela interrompessem compras diretas.
Atuando como intermediária da PDVSA, a russa Rosneft se tornou em 2019 a maior recebedora de petróleo venezuelano, usando as vendas para amortizar bilhões de dólares em empréstimos concedidos à Venezuela na última década.
A PDVSA, o Departamento do Tesouro dos EUA e o Departamento de Estado norte-americano não responderam aos pedidos de comentários enviados pela Reuters.
Os mais recentes testes da nova política ocorrem neste mês. Uma carga de 1 milhão de barris de petróleo venezuelano para a Chevron está programada para embarque no porto de Jose, da PDVSA, de acordo com documentos internos da estatal vistos pela Reuters.
A Chevron tem participação na joint venture Petropiar, com a PDVSA, para processar petróleo no cinturão de Orinoco, uma das maiores reservas de óleo do mundo. A licença que a Chevron possui para operar na Venezuela mesmo com as sanções expira em 22 de janeiro, a não ser que o Tesouro dos EUA a renove.
“Os resultados provenientes dessas atividades de mercado são pagos a contas da nossa joint venture para cobrir o custo de operações de manutenção, em total conformidade com todas as leis e regulamentos aplicáveis”, disse Ray Fohr, porta-voz da Chevron.
Outra carga, de 670 mil barris de petróleo, fretada pela petroleira venezuelana Suelopetrol, partiu no início de janeiro, mostraram os documentos.
A Suelopetrol, sócia minoritária em joint ventures com a PDVSA, afirmou ter alocado recentemente uma carga de petróleo venezuelano sob contratos assinados com a PDVSA e a joint venture Petrocabimas antes das sanções dos EUA.
“Esses contratos incluem a designação da Suelopetrol como recebedora de petróleo para compensação de contas a receber, com vencimentos desde 2015, por contribuições de capital, assistência técnica, prestação de serviços e dividendos acumulados”, disse a empresa à Reuters.
(Reportagem de Marianna Parraga na Cidade do México, Mircely Guanipa em Punto Fijo, Deisy Buitrago e Luc Cohen em Caracas. Reportagem adicional de Timothy Gardner em Washington)
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