Fapesp seleciona projetos de pesquisa estratégica em internet
Nesta quarta-feira (29), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) realizou uma reunião de apresentação e esclarecimento da chamada de propostas para pesquisa estratégica em internet.
Lançada no âmbito do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), em colaboração com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), a chamada contemplará projetos de pesquisa submetidos por pequenas empresas de base tecnológica situadas em qualquer região do País.
O prazo de submissão segue até 9 de março de 2020. São aptas a apresentar projetos empresas com até 250 empregados ativas em 2019, com objeto social que contemple atividade compatível com a que será desempenhada no projeto e receita operacional bruta inferior a R$ 10,5 milhões.
Temas
Entre os temas abrangidos na chamada estão tecnologias viabilizadoras, aplicações avançadas e políticas relativas à internet, comunicação em rede e cultura digital, software livre, formatos e padrões abertos e aplicações sociais de tecnologia da informação e comunicação.
“As propostas devem ser focadas na realização do projeto em si. As empresas proponentes devem demonstrar que já realizaram a prova de conceito com recursos próprios ou obtidos de outras fontes”, explica à Agência Fapesp Douglas Zampieri, membro da coordenação adjunta de Pesquisa para Inovação da fundação.
As companhias também deverão apresentar um plano de negócios consolidado, que demonstre os potenciais concorrentes e as vantagens competitivas, por exemplo, além de um quadro de modelo de negócios (Canvas).
Os projetos devem ter duração de até 24 meses e ser executados por pesquisadores com vínculo empregatício com a empresa, comprovado com registro trabalhista, ou que sejam sócios cotistas ou administradores.
“Não é exigida uma titulação acadêmica mínima do pesquisador responsável, mas é preciso que demonstre ter experiência profissional e capacitação técnica na área do projeto submetido à chamada”, completa Douglas Zampieri. Os pesquisadores deverão dedicar, no mínimo, 24 horas semanais para os projetos, que deverão ser desenvolvidos predominantemente nas empresas.
Etapas
As propostas submetidas à Fapesp serão analisadas em duas fases. Na pré-seleção, a fundação, com auxílio do comitê gestor da cooperação, fará a análise de enquadramento das propostas nos termos da chamada. O comitê gestor avaliará e recomendará o enquadramento ou não ao diretor-científico da Fapesp.
Na segunda fase, de mérito científico, as propostas pré-selecionadas serão encaminhadas a assessores e, em seguida, analisadas pelas coordenações de área e adjunta da Diretoria Científica da Fapesp. Com base nos pareceres e nas recomendações, o comitê gestor da cooperação encaminhará as propostas à Diretoria Científica com recomendação de aprovação ou denegação.
De acordo com Douglas Zampieri, as propostas selecionadas poderão receber recursos de até R$ 1 milhão.
Recursos
Os recursos alocados na chamada são oriundos de fundos remanescentes do período em que a Fapesp, por delegação do CGI.br, geriu as atividades de registro de domínio e alocação de endereços IP no Brasil, no início da internet no País.
Entre 1998 e dezembro de 2005, a Fapesp foi responsável por essa função, posteriormente atribuída pelo CGI.br ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
A fim de direcionar esses recursos para o avanço da pesquisa e desenvolvimento da internet no país, a fundação assinou, em dezembro de 2013, um acordo de cooperação com o MCTIC no valor de R$ 98 milhões.
Os repasses serão distribuídos entre projetos apresentados por pesquisadores de todo o país, proporcionalmente ao número de registros de domínios solicitados em cada estado naquele período.
“Aproximadamente 46% dos recursos desse fundo devem ser investidos em pesquisa em São Paulo, uma vez que esse é o percentual estimado de valores arrecadados no Estado com o registro de domínios pela Fapesp”, salienta à Agência Fapesp Roberto Marcondes Cesar Júnior, membro da coordenação do Programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da fundação, durante o evento.
Chamadas
O acordo já resultou no lançamento de outras chamadas de propostas voltadas a projetos de pesquisadores ligados a universidades e instituições de pesquisa, uma no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (Pite) e outra, mais recente, voltada à criação de oito Centros de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial.
Os quatro primeiros centros, dos quais dois serão estabelecidos em São Paulo e dois em outros estados, terão foco em saúde, agricultura, indústria e cidades inteligentes. Cada espaço poderá receber até R$ 1 milhão por ano da Fapesp e mais R$ 1 milhão de empresas privadas parceiras. Os centros serão apoiados por cinco anos, renováveis por mais cinco, dependendo dos resultados alcançados.
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