Dominado por millennials, mercado de arte encolheu 5% em 2019, aponta relatório
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com ganhos totais estimados em US$ 64,1 bilhões, o mercado de arte encolheu em 5% no ano passado, indica um relatório, divulgado nesta quinta (5), do grupo Art Basel, que controla as feiras de arte mais importantes do mundo, em parceria com a empresa de serviços financeiros suíça UBS.
Com isso, retorna ao patamar de 2017, quando registrou um total de US$ 63,7 bilhões em compras e vendas de obras de arte. O ápice da série histórica vista no documento foi de US$ 68,2 bilhões, em 2014.
Publicações especializadas como o The Art Newspaper e o Artnet News lembram que, num ano marcado pelas incertezas do Brexit -que contribuiu para a redução de 9% da participação do Reino Unido, segundo maior mercado de arte nacional, nas vendas mundiais-, e os protestos em Hong Kong, o panorama apresentado pelo documento num difere muito daquele dos últimos anos.
Uma dessas constantes é o domínio das feiras de arte sobre o cenário. Segundo o relatório, vendas em eventos do tipo atraíram 1,2 milhões de visitantes e totalizaram cerca de US$ 16,6 bilhões no ano passado, ou um quarto de todo o dinheiro movimentado pelo mercado de arte internacional.
Um dos achados mais instigantes do estudo é que, nesses eventos, mais de um terço do dinheiro das vendas não têm origem durante as feiras, mas antes de sua abertura (15%) e depois do seu término (21%).
Uma tendência vista, entre outros, na SP-Foto do ano passado, o que pode dificultar uma quantificação mais precisa da centralidade desses eventos no mercado hoje.
Outros dados interessantes vêm de uma análise do perfil dos colecionadores de arte, baseada em entrevistas com 1.300 colecionadores de sete países, com acervos estimados em mais de US$ 1 milhão (R$ 4,65 milhões) –vale lembrar que a pesquisa junta num só guarda-chuva artes plásticas, itens de decoração e antiguidades.
O relatório afirma que os millennials, aqui definidos como aqueles com idades entre 23 e 38, adquiriram, em média, US$ 3 milhões cada um nos anos de 2018 e 2019. Já a geração dos seus pais, de colecionadores entre 55 e 73 anos, gastaram seis vezes menos, em média US$ 500 mil cada um.
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