Corte de verbas de ministérios é cenário mais provável, diz secretário
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)- O impacto econômico causado pela epidemia do novo coronavírus e a crise do petróleo devem forçar o governo a cortar verbas de ministérios.
O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (10) que o contingenciamento é o cenário mais provável.
Após participar de evento no Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o secretário afirmou que o governo estuda todo tipo de medida para combater a crise, não descartando a análise de medidas de estímulo econômico, mas ponderou que a diretriz do governo é focar nas reformas estruturais.
O governo vem acompanhando os efeitos do coronavírus, que reduziu as perspectivas do crescimento da atividade mundial. Nesta semana, entrou no radar o novo fator, com a batalha comercial que derrubou os preços do petróleo e criou pânico no mercado.
O novo cenário afeta as contas do governo. Waldery afirmou que as novas projeções oficiais vão levar em conta a variação no peço do petróleo. A queda do valor do barril impacta negativamente a arrecadação do governo com royalties.
O secretário também voltou a afirmar que a projeção oficial para o PIB de 2020 será revista para baixo. Ele, entretanto, manteve a previsão que havia feito na última semana, de que a estimativa -hoje em 2,4%- deve ficar pouco acima de 2%.
As previsões do mercado já apontam para crescimento menor. O boletim Focus, divulgado na segunda-feira (9) pelo Banco Central, prevê um crescimento de 1,99% no ano.
Com a previsão mais baixa para o PIB, o governo vai refazer as contas e prever uma redução na arrecadação de tributos.
Com isso, para evitar o descumprimento da meta fiscal, passa a ser necessário bloquear recursos de ministérios.
“Os dados apontam que o contingenciamento é o cenário mais provável”, disse Waldery.
O secretário não adiantou qual será o valor do corte. A divulgação da nova estimativa para o PIB está agendada para esta quarta-feira (11). Na próxima semana, o governo apresenta o relatório de acompanhamento fiscal, quando será anunciado o tamanho do bloqueio de recursos.
Em entrevista, Waldery foi questionado sobre a possibilidade de adoção de medidas de estímulo para aplacar a crise, como investimento em infraestrutura, incentivos fiscais e transferência de renda.
“Medidas fiscais de estímulo são estudadas, como são estudadas diversas outras medidas. O espaço fiscal é limitado”, disse, ressaltando a importância de se manter a regra do teto de gastos em vigor. “Manter-se firme nas reformas estruturais é a grande diretriz do governo.”
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