Com futebol parado, atletas vão para casa sem saber quando retornar
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O futebol brasileiro está praticamente parado por causa da pandemia de coronavírus, e ninguém sabe até quando permanecerá assim.
Após a CBF suspender no domingo (15) todas as competições nacionais, nesta segunda-feira (16) foi a vez de as principais federações estaduais -exceto a baiana- decidirem paralisar seus torneios. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina a bola deixará de rolar.
Após a paralisação das séries A1, A2 e A3, do torneio feminino e das categorias de base do Campeonato Paulista, a maioria dos atletas e funcionários foi ou será liberada das atividades de seus clubes. Eles deverão ir para suas casas e tomar os devidos cuidados para evitar contaminação.
O Palmeiras, por exemplo, disponibilizou uma cartilha para os funcionários com instruções de higiene e precaução, orientou para que fiquem em casa, evitem aglomerações e não viajem ao exterior. Também deixou os médicos do clube à disposição, caso seja necessário.
Em entrevista após a reunião na sede da FPF (Federação Paulista de Futebol), na manhã desta segunda (16), o presidente alviverde, Maurício Galiotte, indicou que o departamento de futebol planeja como auxiliar os atletas para que mantenham a forma durante a pausa.
São Paulo, Corinthians e Santos também suspenderam suas atividades. Os três disseram que os jogadores devem comparecer aos centros de treinamento nesta terça (17) para receber mais instruções.
Os são-paulinos ainda poderão utilizar as dependências do clube para treinar, desde que individualmente e conforme as recomendações da equipe médica. A sede social foi fechada.
O Santo André, clube de melhor campanha nas dez rodadas realizadas do Paulista, também liberou todos os seus jogadores, assim como Mirassol e Novorizontino. O Ituano se reúne nesta terça-feira (17) para discutir os próximos passos.
“A orientação é nesse sentido, colocar o cadeado no clube”, afirmou o presidente do Red Bull Bragantino, Marco Abi Chedid. “Terá que ter um momento de preparação de volta aos gramados dos jogadores, dar um prazo para eles se readequarem fisicamente para competir. Reúne os atletas, treina e depois de 15 dias recomeça a competição”, sugeriu.
Não há até o momento nenhum indicativo de como ou quando a federação pretende retomar o torneio, tampouco se isso irá afetar de alguma forma os valores pagos por patrocinadores, cotas de televisão ou os contratos de trabalho dos atletas.
A suspensão dos estaduais também causará impacto no restante do sempre apertado calendário do futebol brasileiro.
No Rio de Janeiro, o Flamengo também anunciou que liberou seus atletas, no mesmo dia em que foi divulgado que o técnico Jorge Jesus recebeu o resultado “positivo fraco e inconclusivo” para o teste de coronavírus. Ele está isolado, em quarentena, aguardando a contraprova dos exames.
Entre as exceções que ainda tentam levar seus torneios estaduais adiante está a federação baiana, que pretende realizar as duas próximas rodadas com portões fechados. A Copa do Nordeste não anunciou mudanças até agora.
Nesta segunda, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, enviou uma carta às confederações afiliadas sobre o tema.
“Nessas circunstâncias, devemos fazer todo o possível para proteger os torcedores, jogadores, treinadores e o resto das pessoas que fazem parte do nosso esporte. Em particular, as autoridades mundiais do futebol devem tomar todas as medidas necessárias”, disse.
A FPF tomou a decisão de paralisação em reunião com os representantes dos clubes e do Sindicato dos Atletas nesta segunda.
No encontro, que aconteceu na sede da entidade, em São Paulo, foi cogitada a possibilidade de disputar as duas últimas rodadas da fase de grupos com portões fechados, assim como ocorreu na capital no fim de semana. O consenso de que o risco à saúde era demasiado prevaleceu após as explicações de um médico levado pela FPF ao encontro.
“Não sei com que cabeça um atleta entraria em campo hoje para disputar uma partida de futebol, sabendo que seu companheiro ou adversário pode ter sido afetado pelo vírus. É desumano você cobrar qualquer coisa de um atleta nessas condições”, disse o presidente do Santo André, Sidney Gerson Riquetto.
Também nesta segunda, o Corinthians divulgou que o jogador Luan e um membro da comissão técnica apresentaram quadro gripal e estão sob supervisão médica.
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